Arquivo Pessoal
Belga Leen Gillis, 36 anos, é guia de turismo em Chapada dos Guimarães, onde mora há 10 anos, é casada com marido brasileiro e filhos também são daqui
Para o confronto desta sexta (6) a torcida na casa da guia de turismo Leen Gillis, 36 anos, está dividida. Leen é belga e casada há 10 anos com o brasileiro André Moratelli. O casal vive em Chapada dos Guimarães (a 60 km de Cuiabá) e tem dois filhos. Noah, 10, e Luiza, 8. O marido torce para a seleção canarinho, a caçula, ainda não se decidiu, mas Leen e Noah querem que “os diabos vermelhos” ganhem pela primeira vez o mundial.
Galeria: Uma belga na Chapada
“Meu marido me pediu para torcer para o Brasil, então estou fazendo uma torcida silenciosa. Meu palpite é que a Bélgica vence por 2 a 1”, arrisca a guia apaixonada pela natureza de Mato Grosso e pela nossa culinária. “A natureza aqui é pura, ainda, adoro os rios e as cachoeiras, as florestas e os animais”.
Nascida em Hasselt (a 70 km de Bruxelas, capital da Bélgica), Leen é acostumada a uma temperatura de até 24°C, tanto que escolheu Chapada para morar pelo clima mais ameno. “Cuiabá é muito quente, não aguentei”.
Outra dificuldade que a belga teve de adaptação foi com a língua, hoje se vira, mas mesmo depois de uma década no Brasil ainda carrega no sotaque. “Acho que nunca vou perder”.
Na Bélgica é comum falar mais de um idioma. Além do português, ela é fluente em flamengo, francês, inglês e espanhol. O que facilita o trabalho de hoje. Leen e o marido têm uma agência de turismo e fazem passeios com estrangeiros ao Pantanal de Mato Grosso.
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Belga Leen Gillis tem paixão pela natureza mato-grossense, tanto é que fez dela profissão
O vínculo com o Brasil começou em um intercâmbio em 2000, quando conheceu São Paulo. Na Bélgica se formou em Engenharia de Biociências e em 2007, devido a um trabalho de pesquisa e parceria com a UFMT, retornou ao Brasil para quatro meses de estudos. Conheceu André e os planos mudaram. Já por aqui fez mestrado na UFMT na área de Ecologia e Conservação da Biodiversidade. Casou e só vai à terra natal visitar amigos, os pais e cinco irmãos que ficaram por lá.
Sente falta do festival de música, da famosa batata frita e do chocolate belgas. Mas para contrabalancear encontrou a culinária mato-grossense. “É uma delícia. Muitas frutas, peixe de rio, farofa de banana, e eu adoro feijão”, cita.
“Talvez um dia meus filhos vão estudar na Bélgica, fazer um intercâmbio. Por enquanto, têm uma infância muita boa aqui”
Leen GillisNa opinião dela o povo brasileiro é muito receptivo, tem o coração mais quente que o povo da Bélgica. Entretanto, sofre com a corrupção e o desvio de dinheiro público. “Na Bélgica temos hospital e escola pública de primeira, as ruas e as cidades são organizadas”, destaca. “O bem público é valorizado lá”.
Os filhos conhecem as duas realidades, o mais velho diz que quer morar na Bélgica no futuro. Hoje a família vive no meio do mato em contato com a natureza. “Eles têm uma infância muito boa aqui, com outros valores. Talvez um dia vão estudar na Bélgica, fazer um intercâmbio”, planeja. “O ensino na Bélgica não dá nem para comparar com o do Brasil. As escolas são públicas e são melhores que as que são pagas aqui”.
Apaixonada pelo futebol, Leen praticou o esporte por sete anos quando criança, para ela é muito difícil assistir jogos da Copa. Quando o mundial ocorreu no Brasil não pode ir à Arena Pantanal, pois aproveitou o fluxo de turistas para trabalhar.
Nesta semana Leen e o marido estão guiando um grupo de neozelandeses e não poderão assistir o jogo com os filhos. Na sexta estarão retornado do Pantanal. As crianças vão ficar ligadas no jogo. O padrinho delas, o brasileiro Luiz Antônio Lacerda dá uma força para a seleção canarinho.
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NOE MONTEIRO DE BARROS 06/07/2018
Ótima escolha minha querida, você agora está longe da violência do terrorismo belga. Bem vinda à nossa terra.
1 comentários