Após a morte de duas crianças na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Sinop (a 503 km de Cuiabá), um advogado entrou com recurso pedindo o afastamento da secretária Municipal de Saúde, Daniela Galhardo. No entanto, o pedido foi recusado na Câmara por 11 vereadores e o advogado Marcos Vinicius Borges fez um vídeo criticando a conduta dos parlamentares: "A caneta mata mais que a própria arma", disse.
"Acabou em pizza novamente, que a população guarde o nome dos 11 vereadores que ignoraram a pauta requerida para garantir a análise da morte de duas crianças em menos de 15 dias de forma transparente.
Marcos Vinicius é advogado da médica afastada após uma menina de 3 anos morrer um dia depois de ser atendida em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e ter sido liberada com o diagnóstico de tosse alérgica. O caso aconteceu no dia 8 de março e a médica responsável foi afastada no dia 13. Dez dias depois da primeira morte, uma menina de 2 anos morreu na UPA, à espera de uma vaga de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). A Prefeitura de Sinop informou que a criança deu entrada em estado grave e depois de esperar por uma hora, logo após um leito disponível ser encontrado, acabou não resistindo.
Segundo o advogado Marcos Vinícius, a segunda morte comprovou que o afastamento da primeira médica foi uma tentativa de desviar o foco de onde surge o problema.
"O presidente da Câmara, quando estava com o microfone na mão, sentiu-se incomodado e criticou a forma como isso estava sendo exposto na mídia, além de se mostrar contra o requerimento. Eu não vi esse incômodo dos vereadores quando a Secretária de Saúde procurou os meios de comunicação para tratar do afastamento da médica. O requerimento não se tratava apenas de um pedido de afastamento de secretária, mas sim demonstrar para a população os que estão lá dentro e fazem política e os que fazem politicagem", disse em um vídeo nas redes sociais.
O apresentador da TV Record, Wesllen Techio, que é tio de uma das vítimas, fez um desabafo nas redes. Ele afirma que o prefeito de Sinop, Roberto Dorner (Republicanos), ficou visivelmente irritado ao ser questionado sobre o pedido de afastamento da secretária e que teria sugerido que as acusações estariam sendo levantadas por oportunismo.
"Diante da fala lastimável do prefeito, digo que temos um prefeito frio, coração de pedra. Segundo ele, a secretária não tem responsabilidade nenhuma. É a mesma coisa que contratar um auxiliar, um pedreiro e um mestre de obras para uma reforma. Se der um problema, você vai culpar o mestre de obras, pois ele que é o responsável por colocar os outros dois na sua casa. A secretária deve ser culpada também. Mas no pensamento [do prefeito] criança morre em todo lugar", disse.
O jornalista citou a fala do prefeito em resposta à situação. Segundo ele, Roberto Dorner disse que a prefeitura não sabe de nada, e a única coisa que fizeram foi mandar apurar os fatos.
"Criança morre em todo lugar, em Cuiabá morreram cinco na Santa Casa e ninguém falou nada, todo mundo ficou quieto. Agora, morreu uma criança em Sinop. Não somos alta complexidade, é só uma passagem, aí acontece isso e vêm falar de secretária," teria dito o prefeito.
Caso
O caso de maior repercussão foi a morte de uma menina de 3 anos, que não resistiu após os pais buscarem atendimento por duas vezes na Unidade de Pronto Atendimento de Sinop devido a uma tosse seca.
Na madrugada do dia 6 de março ela foi atendida no local, porém foi mandada para casa. Segundo o apresentador, apenas com uma receita de xarope expectorante.
A criança piorou e a família procurou de novo a UPA. Ela foi atendida, sedada e acabou morrendo, sem um diagnóstico.
O delegado Hugo Ângelo Reck de Mendonça, que investiga o caso, pediu a exumação do corpo para apurar causas e possível erro médico no atendimento.
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