Não é fácil achar um belga morando em Mato Grosso. Xavier Guisez, 38 anos, gerente de operações de uma fábrica de gelatinas em Acorizal (a 62 km de Cuiabá), é um dos poucos. Ele conversou com o
sobre a disputa desta sexta (6) - Brasil x Bélgica - pelas quartas de final da Copa do Mundo da Rússia. Um dos dois países garantirá vaga na semifinal do mundial. Em se tratando de futebol, o belga Xavier aposta no Brasil (3 x 2), mas na educação garante que a Bélgica dá de goleada.
Arquivo pessoal
Engenheiro eletromecânico, Xavier Guisez, 38 anos, mora em Cuiabá e trabalha em Acorizal. Ama a natureza de MT e não se incomoda com o forte calor
Xavier nasceu em Bruges (a 160 km de Bruxelas, capital da Bélgica), uma cidade medieval, considerada uma das mais belas da Europa e veio para cá a trabalho. Comparando os dois países, vê como grande diferencial a educação escolar, que na Bélgica é gratuita e de qualidade. O ensino superior, segundo ele, sai praticamente de graça e mensalidades são de acordo com a renda de cada família.
“Se o Brasil investisse mais em educação, em 2 gerações resolveria grande parte dos seus problemas”
Xavier GuisezEm Bruges, fica a Onze Lieve Vrouwekerk (Igreja de Nossa Senhora), com torre de 122 metros, inaugurada em 1210. É a mais alta da cidade e atrai turistas de todo o mundo. O belga trocou este cenário há seis meses por Cuiabá. Desde então, o engenheiro eletromecânico com mestrado em engenharia nuclear atua na fábrica de gelatinas da multinacional PB Leiner Brasil, sediada em Acorizal, inaugurada em 2013 pelo Grupo Tessenderlo. Chegou revolucionando o município de 5516 habitantes com investimento de R$ 80 milhões e gerando 185 empregos.
Em janeiro deste ano Xavier assumiu a gerência da unidade e um dos fatores foi à fluência em português, língua que o encantou ao viajar com um grupo de amigos ao Brasil. Um deles tinha um livro do idioma. Depois estudou o português por conta própria na Bélgica por três anos.
Arquivo pessoal
Xavier Guisez fala 4 idiomas: holandês, francês, inglês e português - com pouco sotaque
A Bélgica tem uma população de 10,7 milhões de habitantes que fala três línguas oficiais: holandês no norte, francês ao sul e alemão em uma pequena faixa leste. Xavier fala quatro: holandês, francês, inglês e português.
Segundo ele, um ponto em comum entre belgas e brasileiros é o futebol, paixão de ambos. Os atuais ídolos dele são os atacantes Eden Hazard e Romelu Lukaku e além do zagueiro Vincent Kompany. “Até agora a Bélgica jogou com times que davam espaço. Contra o Brasil será mais difícil já que os brasileiros têm uma defesa muito forte e a seleção belga não tem essa qualidade”.
Em Mato Grosso, se adaptou bem ao calor e à culinária local. Acostumado aos 20ºC no verão e a zero grau no inverno, passou uma estada de 1 ano e meio quando criança na África, onde também é bem quente. “Sou o único belga na fábrica e a única pessoa a dispensar o ar-condicionado”.
Na opinião dele, o que mais difere belgas e brasileiros é o comportamento. Um é mais reservado, não demonstra afeto em público. Outro é espontâneo. “Na Bélgica casais não costumam beijar em restaurantes, na frente das pessoas. Aqui é comum”, compara. “Se um belga convidar alguém para um jantar, ele irá se preocupara em deixar tudo pronto antes deles chegarem, aqui os brasileiros esperam o convidado para fazerem a comida juntos”.
Apesar de sentir saudade de um bom Stoofvlees - prato típico belga feito de carne de panela com molho de cerveja escura, cuja receita ele não revela, sempre acompanhando de batatas fritas - Xavier diz que gosta da nossa comida. Admite sentir falta dos amigos e da família, pais e um casal de irmãos, porém não tem planos voltar à terra natal.
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ANICETO DA COSTA PEREIRA NETO 06/07/2018
Agora mudem o título da reportagem, OS BELGAS SÃO MELHORES NA EDUCAÇÃO E NO FUTEBOL TAMBÉM. KKKKK
Nalriel 06/07/2018
E a rede globo é tão igual os brasileiros, vivem tapando o sol com a peneira dizendo que somos os melhores no futebo, mostram uma realidade que não existe do mesmo modo somos assim influenciados e usados como massa de manobra, pois não vimos que políticos colocaram dinheiro no paletó, na mochila e até na caixa de papelão, infelizmente mais da metade serão reeleitos, nossa educação permite que pessoas se reelejam por mais de 30 anos, principalmente possivelmente bancado por caixa 2, combustível para adesivar carros, placas de candidatos em casas em troca de migalhas, com certeza somos o país mais incoerente e hipócritas.
Amosil 06/07/2018
Fica gelo Minha querida Alcione ...vê se o prefeito d Acorizal investe em educação...
Jonas Seymour 06/07/2018
Belíssimo comentário João José. Lendo os comentários de alguns com relação à comparação entre futebol e educação, nota-se porque o Brasil é em país de quinto mundo (nem terceiro somos mais). O problema do Brasil não são os políticos e sim os brasileiros, principalmente os sem EDUCAÇÃO.
NOE MONTEIRO DE BARROS 06/07/2018
Esse chapéu não serviu pra mim, porque não sou um homem sem educação. Que o Belga continue com sua educação, e continuaremos com o nosso futebol.
JEFERSON MATOS 06/07/2018
Ele está é certo A Bélgica é pra se invejar e copiar.
suely canellas 06/07/2018
parabenizo por esta bela reportagem, trazendo-nos informações que só pode nos orgulhar.
Antonio 06/07/2018
Lá é tão bom, que ele está trabalhando e morando no BRASILLLLL.
João José de Amorim 06/07/2018
O Comentário do Adriano demonstra quão grande é a nossa diferença educacional: Já demonstra saber de tudo, adjetivo tipico dos ignorantes - Saber tudo. A reportagem em nenhum momento faz menção ao sucesso do futebol e da educação, menciona apenas que eles são melhores em educação e é por isso que a Belgica está entre os países com IDH e índice de GINI entre os melhores. O Lazer é um complemento das demais necessidades e, em países como o nosso, o inverso é a prioridade. Enquanto a Saúde, A EDUCAÇÃO e a distribuição de renda está entre os países atrasados. O pior é que este modelo está se consolidando como sendo o correto.
Adriano 06/07/2018
Ridículo querer comparar Futebol com educação ou saúde, se fossemos querer fazer essa analogia, o Brasil não seria campeão de nada, futebol, volei, Fórmula1, Basquete, tênis...somente países de primeiro mundo teriam direito a ganhar no esporte.
10 comentários