Dizer que mulheres são “multitarefas” na comparação com os homens – que conseguem focar em apenas uma atividade por vez – é uma mera especulação, um mito sem qualquer comprovação científica. Na verdade, o que existe hoje é uma pressão para que possamos dar conta de tudo, mas a que preço?
Equilibrar trabalho, filhos, afazeres domésticos, estudos (porque temos que estar sempre “atualizadas”) e cuidados com o corpo tem nos adoecido, gerando excesso de ansiedade e até depressão. Muitas de nós se veem sobrecarregadas ao ponto de ter que tomar remédio para conseguir relaxar e dormir.
“Ela nem sempre consegue ou ela pode até conseguir, mas está cansada e, do fundo do coração: ela quer muito a sua ajuda ”
Sou mãe de dois jovens que ainda me geram cuidados e preocupações, mas a situação está mais leve hoje em comparação aos 15 anos de vida dedicados quase que exclusivamente à maternidade e ao trabalho. Por muito tempo não consegui fazer atividade física e cuidar de mim.
Ir ao salão de beleza às vezes era complicado, não só pela questão de tempo, também pelo dinheiro. De repente o quesito “me cuidar” se tornou “supérfluo” porque a família precisava estar em primeiro lugar. Será que isso é 100% verdade? Como driblar esta crença limitante que boicota minhas escolhas de autocuidado?
Claro que podemos estar em todos lugares e estamos hoje em dia, devemos ser emancipadas, poderosas, quase uma rocha, mas qual o problema em ser frágil de vez em quando? Qual o problema em ser cuidadas e amadas? Qual o problema em cuidar da casa e das crianças (como é bom)? Por que não precisar de um homem?
Voltando ao título. Ela nem sempre consegue ou ela pode até conseguir, mas está cansada e, do fundo do coração: ela quer muito a sua ajuda.
Rose Domingues Reis é jornalista graduada pela UFMT, especialista em Liderança e Coaching – MBA pela Unic, com formação em Psicologia Positiva pelo Instituto de Psicologia Positiva e Comportamento (IPPC) de São Paulo e escreve exclusivamente neste espaço aos domingos. E-mail: rosidomingues@gmail.com







