Vejo com otimismo as perspectivas da economia de Mato Grosso em 2019. Bem melhores que nos anos recentes. Basta lembrar que tivemos queda do PIB do estado em 2015 e 2016, conforme relatório divulgado pelo IBGE. Trabalho com o cenário básico de que a economia estadual terá forte crescimento no próximo ano.
“Mato Grosso colherá em 2019 outra grande safra agrícola, capitaneada pela soja e milho”
Mato Grosso colherá em 2019 outra grande safra agrícola, capitaneada pela soja e milho. As condições edafoclimáticas garantem excelente produtividade das lavouras e os preços internacionais continuam em bom nível. Até melhoraram com as quedas de produção da Argentina e o aumento das compras pela China, como resultado imediato da insana guerra comercial iniciada pelo presidente americano contra aquele país asiático. A cotação do dólar frente ao real continuará favorecendo as exportações e a rentabilidade do agro. Como a cadeia produtiva do agribusiness tem grande participação no PIB estadual, o bom desempenho do setor atua como motor do crescimento do estado, irradiando-se aos demais segmentos da atividade econômica.
A eleição do ex-prefeito de Cuiabá, Mauro Mendes, para governador adiciona uma dose a mais de otimismo no ambiente econômico. Os agentes econômicos locais entendem que o próximo governador vai retirar o estado da grave crise fiscal e aumentar os investimentos na infraestrutura econômica estadual, melhorando o ambiente de negócios, aumentando os investimentos privados, o emprego e a renda.
Em nível nacional, entendo que terminou o ciclo recessivo que durou de 2014 a 2016. A maioria dos analistas econômicos, consultorias e bancos, estima que o PIB do Brasil crescerá de 2,5% a 3% em 2019. A inflação deve situar-se próxima a 4% ao ano e a taxa básica de juros em torno dos atuais 6,5%. Conta-se ainda com maior oferta de crédito para as empresas, consumo das famílias e aumento dos investimentos produtivos. O elevado nível de desemprego ainda atua como força inibidora do crescimento. Mas os últimos dados da PNAD contínua (IBGE) e do Caged (Ministério do Trabalho), confirmam movimento de melhora lenta no mercado formal de trabalho.
No campo político, a eleição de Jair Bolsonaro e o anúncio de uma equipe econômica de alto nível reduziram as incertezas no ambiente de negócios e no mercado de capitais. Até um certo clima de açodado otimismo surge no anúncio de novos investimentos em várias áreas da atividade econômica e também nos indicadores de confiança de empresários e consumidores. Investidores estrangeiros ainda demonstram ceticismo com o presidente eleito. Aguardam a implementação das reformas anunciadas e o prometido programa de privatizações e concessões. Nunca o país dependeu tanto do sucesso de uma equipe econômica como no governo que se inicia.
“Um dos setores mais promissores do estado é o setor imobiliário e da construção civil”
Um dos setores mais promissores do estado é o setor imobiliário e da construção civil. Viveram período dourado de 2010 até 2014 com a empolgação da Copa do Mundo de Futebol 2014. Sofreram forte revés de 2015 até 2017. As vendas retornaram a partir do segundo trimestre de 2018, melhorando as expectativas para o próximo ano. A desova de estoques e aumento das vendas, impulsionados pela expansão dos gastos das famílias e maior oferta de crédito são fatores que ajudam a formar o clima de otimismo dos empreendedores do setor.
A economia internacional ainda sinaliza incertezas em razão dos imprevisíveis movimentos do presidente americano Donald Trump, que estimula práticas protecionistas no comércio internacional, afetando as transações comerciais do Brasil com o mercado americano e outros países. Mesmo assim, as estimativas confirmam um crescimento médio de 4% da economia mundial em 2019, um dos maiores da série histórica recente. A trégua entre os Estados Unidos e a China anunciada durante a reunião do G20, em Buenos Aires, soa como um bálsamo para aliviar as tensões econômicas globais.
A análise dos cenários econômico e político indicam forte tendência de 2019 ser um ano de retomada do crescimento da economia de Mato Grosso, trazendo de volta o perfil de “Tigre Pantaneiro” que caracterizou o estado nas últimas décadas.
Vivaldo Lopes, economista formado pela UFMT, onde lecionou na Faculdade de Economia. É pós-graduado em MBA- Gestão Financeira Empresarial pela FIA/USP (vivaldo@uol.com.br).







