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Vivaldo Lopes Segunda-feira, 03 de Junho de 2024, 08:13 - A | A

Segunda-feira, 03 de Junho de 2024, 08h:13 - A | A

Vivaldo Lopes

Desigualdades sociais em Mato Grosso

Vivaldo Lopes

Rodinei Crescêncio/Rdnews

 Vivaldo Lopes colunista - Segunda-feira

Na última semana, duas instituições respeitadas mundialmente, divulgaram estudos que confirmam a urgente necessidade de Mato Grosso vencer um dos seus grandes desafios estratégicos: reduzir as desigualdades sociais e manter o acelerado ritmo de crescimento.

O primeiro é o estudo “Censo 2022 – Alfabetização: resultados do universo”. Produzido por pesquisadores do IBGE a partir de dados do Censo 2022, trás uma radiografia da situação do analfabetismo no país. O indicador é construído a partir de pergunta feita a pessoas com 15 anos ou mais, se consegue escrever sozinha um bilhete simples. As que responderam “não” são consideradas analfabetas. A pesquisa mostra que, em 2022, o Brasil tinha 5,4% de sua população com 15 anos ou mais consideradas analfabetas, abrangendo um contingente de 9,3 milhões de brasileiros.

Nos três indicadores sociais Mato Grosso não está tão mal posicionado. Mas quando a comparação é feita levando em consideração o desempenho econômico, nota-se um hiato desconfortável entre a posição econômica e a social.

Nessa pesquisa, Mato Grosso ocupa posição intermediária. O estado ainda tem 5,8% de sua população considerada analfabeta. Não está nas piores posições, mas também não ocupa as primeiras, atribuídas ao Distrito Federal, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo.

Outro estudo faz uma atualização da situação do desenvolvimento humano em todos os estados e municípios brasileiros em 2021. Foi publicado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento Humano (Pnud). O IDHM estima o estágio de desenvolvimento humano das populações com base no acesso ao conhecimento (educação), uma vida longa e saudável (saúde) e condições de vida decente (renda).  O índice vai de 0 a 1.

Quanto mais próximo de 1, melhor a condição de vida da população do município. Novamente Mato Grosso aparece em situação intermediária, ocupando a 11ª. posição entre os 27 estados.  O IDHM do estado é considerado alto (0,736), mas, abalrroado pela pandemia da covid-19, caiu 5,5% em relação ao mesmo índice de 2019, que era de 0,779. Ficamos atrás de Goiás e Mato Grosso do Sul. Os estados com os melhores IDHM (muito alto) são Distrito Federal (0,814) e São Paulo (0,806).

Outro indicador que reflete o paradoxo de um estado cuja economia cresce a taxas chinesas ao mesmo tempo que convive com desigualdades sociais: a elevada quantidade de famílias que dependem dos programas de transferência de renda dos governos estadual e federal para sua sobrevivência básica.

Comparativamente com outros estados, nos três indicadores sociais Mato Grosso não está tão mal posicionado. Mas quando a comparação é feita levando em consideração o desempenho econômico, nota-se um hiato desconfortável entre a posição econômica e a social. Se exercitarmos uma analogia com o futebol, no jogo econômico, o estado ganha o campeonato nacional e sempre disputa as finais da Libertadores da América. Já no campeonato social, lutamos no grupo intermediário do Campeonato Brasileiro, onde estão aqueles clubes que não têm risco de rebaixamento para a série B, mas também não alcançam os quatro primeiros lugares.

É de amplo conhecimento nacional e global o “case” de sucesso da economia Mato-grossense a partir da década de 1990. O estado consolidou-se como potência econômica emergente, ocupando a posição de liderança nacional em produção agropecuária e na agroindustrialização, aumentando sua participação relativa no PIB brasileiro de 0,69% para 2,6% (IBGE, 2021).

A despeito de Mato Grosso figurar sempre entre os cinco melhores estados em crescimento econômico, não ocupa as mesmas posições de destaque quando se trata de indicadores sociais e educacionais. O desafio estratégico de Mato Grosso é também se tornar campeão nacional em qualidade de vida e oportunidades de ascensão social.

A transição para estado desenvolvido exige superar as desigualdades econômicas e sociais. É condição sem a qual o estado corre o risco de não ter o mesmo sucesso conquistado na transição de economia de subsistência para a de potência agroindustrial.

Não basta simplesmente continuar crescendo de forma acelerada. Para se tornar sustentável, um novo ciclo econômico precisa contemplar a redução das desigualdades econômicas e sociais, ou seja, crescer com mais qualidade e mais oportunidades. 

Vivaldo Lopes é economista e escreve neste espaço às segundas-feiras

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Emílie de Arruda 03/06/2024

Digite o Bom dia, Vivaldo! A falta de investimento do governo estadual na educação, nos últimos anos, beira à irresponsabilidade. Se assim não fosse, não estaríamos atrás do Ceará...

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Vivi 03/06/2024

Excelente! Ultimamente ouvimos muito, de muitos jovens, que não querem mais fazer um curso universitário ou um curso técnico, com a justificativa de ascensão financeira mais rapidamente usando as diversas tendências tecnológicas não educativas ou direcionadas a uma determinada atratividade, logo assistimos a banalidade da falta de educação, a falta das relações sociais...e por aí vai! Podíamos pensar na saúde, atrelada à educação, uma vez que vivemos em uma sociedade onde muitos não conseguem caminhar com os problemas e não conseguem a orientação devida, ou o acesso à saúde. É muito mais fácil destinar emendas parlamentares para um determinado projeto, do que executar um programa, uma ação de uma LOA, haja visto a necessidade do parlamentar demonstrar sua preocupação com a população. E vamos ficando a mercê do assistencialismo, da politicagem e desordem social. Menos dispendioso seria tratar a sociedade, educar antes de adoecer. É educar na infância, para não depararmos com um adulto doente, aquele que pode onerar o orçamento de uma Segurança Pública, da SES, da SEDUC. Falta de educação é onerar a saúde reciprocamente.

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JONIL VITAL DE SOUZA 03/06/2024

Parabéns professor Vilvaldo pela ótima e essencial abordagem sobre esse paradoxo existente em MT, de um lado um Estado reconhecidamente rico, de outro lado uma parcela significativa de nossa população a par desses crescimento. Urge que busquemos mecanismos de inclusão da parcela excluída, só assim ao invés de crescimento teremos desenvolvimento.

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3 comentários

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