ECONOMIA E AGRO

Quinta-Feira, 14 de Dezembro de 2017, 18h:50 | Atualizado: 14/12/2017, 21h:37

Ano de recordes

Agronegócio sofre com queda nos preços e baixa rentabilidade do ciclo produtivo

Gilberto Leite

�ngelo Ozelame coletiva Famato

Ângelo Ozelame, gestor do Imea, diz que produção recorde de grãos não virou rentabilidade

Mato Grosso registrou na safra 2016/2017 uma produção recorde de mais de 62 milhões de toneladas de grãos e ainda o segundo maior volume de exportação de carne bovina da história. Os números foram beneficiados, por exemplo, pelas condições climáticas favoráveis e pelos investimentos em tecnologia.

Apesar disso, esse ano foi complicado para os produtores em termo de preço, que oscilou e no caso da pecuária gerou muita preocupação. O assunto foi debatido na manhã desta quinta (14) durante um balanço realizado pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).

“Tivemos uma excelente safra esse ano porque choveu na hora certa. Parece até que controlamos a natureza e o clima dentro de uma estufa. Além disso, os produtores plantaram dentro de um período ideal”, pontua o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), Normando Corral.

Ângelo Ozelame, gestor técnico do Imea, alerta que principalmente no caso da soja e do milho o montante recorde produzido não se traduziu em rentabilidade. No caso do cereal, como a cotação ficou em vários momentos abaixo do preço mínimo (R$ 16,50) foi necessária a intervenção do governo federal para que a produção fosse escoada.

Beneficiada pelo clima, produção da soja - maior cultura de MT - foi estimada com 31 milhões de t, 12% maior que na safra 15/16

No caso da bovinocultura, ele argumenta sobre avanços como a reabertura de frigoríficos, o possível aumento do abate e ainda o recorde de exportações para Mato Grosso em onze meses, já que entre janeiro e novembro foram enviadas para fora 316,9 toneladas de proteína bovina in natura.

“Por parte da pecuária, porém, foi um ano com bastante oscilação de preços devido a fatores internos (Carne Fraca e delação da JBS). Só que a grande produção de grãos acabou trazendo um custo menor para a pecuária de corte e de leite, o que balanceou a questão”, diz.

Grãos

Beneficiada pelas condições climáticas, a produção da soja - maior cultura de Mato Grosso - foi estimada com uma produção de 31,2 milhões de toneladas, 12,2% maior do que na safra 2015/2016. A produtividade alcançou 55,4 sacas por hectare, 11,2% maior do que o obtido no ciclo 15/16 e a área plantada ficou em cerca de 9,4 mil de hectares, somente 1% maior do que anteriormente.

No caso do milho, a produção ficou estimada em 30,4 milhões de toneladas, um incremento expressivo de 60% em comparação ao período produtivo passado. A produtividade chegou aos 107,1 sacas/ha - um aumento de 45,3% - e a área plantada foi estimada em 4,7 mil hectares, 9% superior à registrada no ciclo anterior.

Sobre o algodão, terceira cultura mais produtiva em Mato Grosso, o Imea demonstra que ao final da safra foram colhidas cerca de 1 milhão de toneladas, número 20,5% maior do que a safra 15/16. A produtividade ficou em 276,7 arrobas/ha - um acréscimo de 17,5% - e a semeadura em 626,6 mil hectares, 2,2% maior do que na safra passada.

Pecuária

Após Operação Carne Fraca e delação dos donos da JBS, o preço do boi mato-grossense registrou forte queda e chegou a ser cotado em R$ 114,14 a arroba, o menor valor do ano

O preço médio da arroba do boi gordo iniciou o ano em R$ 128. Durante os meses seguintes, a cotação começou a registrar queda, que estava sendo revertida no início de março. No dia 17 daquele mês, porém, a Polícia Federal deflagrou a Operação Carne Fraca, que investigou um esquema de corrupção entre agentes fiscalizadores e plantas frigoríficas no país. Após o anúncio da operação, o boi em Mato Grosso chegou a ser cotado em R$ 122 a arroba.

A arroba chegou a registrar recuperação, até que em maio, os donos da JBS - empresa que detém quase 50% das plantas frigoríficas em Mato Grosso – negociaram uma delação premiada à Justiça e revelaram esquemas de pagamentos de propina a diversos governos estaduais. Após essa situação, o preço do boi mato-grossense registrou uma forte queda e chegou a ser cotado em R$ 114,14 a arroba, o menor valor do ano.

Após atingir seu pior momento, piorado ainda por conta de um embargo dos Estados Unidos, o boi gordo de Mato Grosso conseguiu se recuperar e em agosto foi cotado a R$ 133,40 a arroba, o maior valor do ano. Na semana passada o valor estava em R$ 131,17 por arroba, o que demonstra que os problemas foram contornados.

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Comentários (1)

  • Said Joseph | Quinta-Feira, 14 de Dezembro de 2017, 21h54
    1
    1

    Preparem-se todos os contribuintes de Mato Grosso, em breve os homens do agronegócio correrão em busca de perdão de dividas realizadas junto ao Banco do Brasil, parcelamento de débitos , incentivos fiscais entre outras coisas.

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