O direito ao voto superou barreiras para eleitores como Carlindo Alves de Bastos, de 53 anos, Francisco Filho, de 72, e Ana Keren Guibor, de 22 anos. Os dois homens integram a parcela de pessoas com deficiência que compareceu aos locais de votação neste domingo (4) de eleições gerais em Mato Grosso. Já a jovem possui Transtorno do Espectro Autista (TEA), condição que também é considerada deficiência para efeitos legais. Integrante de uma entidade de apoio a pessoas com deficiência, Francisco ressaltou que a participação nas urnas é fundamental para cobrar dos representantes eleitos melhorias e projetos voltados ao segmento.
“Muitos políticos fazem por nós e muitos não. Mas faço parte da ‘Associação dos Deficientes’ há muito tempo, então temos bastante pessoas conhecidas no meio político e, de vez em quando, se precisamos de qualquer coisa, damos um grito e eles nos atendem”, afirmou à reportagem do
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Rodinei Crescêncio/Rdnews
Francisco Filho, Ana Keren Guibor e Carlindo Alves de Bastos falam sobre importante da acessibilidade para conseguir exercer o direito ao voto
Votante na Escola Estadual Liceu Cuiabano Maria de Arruda Muller, no bairro Quilombo, em Cuiabá, seu Francisco contou que nas eleições anteriores teve dificuldade de transitar pelo espaço em razão de diversas barreiras. No entanto, apontou que este ano, após uma reforma, o espaço está mais acessível.
“Foi legal. Depois da reforma aqui ficou muito bom para cadeirantes, não tem nenhuma barreira. Esse ano foi bom, ficou maravilha”, comentou. O cenário favorável da escola, no entanto, contrasta com as ruas do Centro de Cuiabá. Carlindo aproveitou a oportunidade para desabafar sobre os obstáculos em calçadas e vias públicas, apontando que a falta de acessibilidade urbana é um dos problemas crônicos que espera ver solucionados pelos futuros governantes.
Carlindo é cadeirante desde 2021, por complicações de uma trombose, e, além de exercer a cidadania, aproveita o dia das eleições para fazer uma renda extra vendendo água de coco. “Todas as eleições eu estou aqui, graças a Deus. Já tem quase cinco anos”, compartilhou.
O cidadão reforçou a importância do voto e defendeu que a população exerça o seu direito de forma consciente. “Votar certo faz muita diferença”, afirmou. Ao ser questionado sobre qual recado gostaria de deixar aos eleitores, concluiu: “Que todo mundo vote consciente por um país melhor. É isso que a gente espera”.
A jovem Ana Keren Guibor votou pela primeira vez neste domingo e conversou com a reportagem na biblioteca da Escola Estadual Professora Ana Maria do Couto - espaço silencioso e climatizado que considerou acolhedor. Ela destacou que ambientes com menor sobrecarga sensorial como espaço de apoio durante as eleições facilitam a participação de eleitores neurodivergentes no processo eleitoral.
“Justamente o nervosismo de não ter a opção de se acalmar ou ficar quietinha num canto te deixa mais nervoso e impede a realização das coisas que você deveria fazer. O simples fato de ter essa opção, de contar com uma sala de acolhimento, já ajuda muito a questão psicológica”, relatou.
Ana ainda contou que customizou a própria “colinha” de candidatos em uma ferramenta on-line e imprimiu para usar de apoio durante a votação na cabine. “Eu recortei e fui entregando para os meus amigos, até os que não iam votar, porque eles quiseram. É uma coisa muito legal”, disse.
Inclusão
A acessibilidade foi um dos assuntos tratados pelo Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) na coletiva de imprensa da última sexta-feira (2). Na ocasião, a corte anunciou um projeto piloto destinado ao oferecimento de mais acessibilidade e bem-estar a pessoas com deficiência, neurodivergentes, idosos e pais com crianças pequenas durante o período de votação.
De acordo com Serly Marcondes Alves, presidente do TRE-MT, a medida se trata da instalação de 20 containers concentrados em Cuiabá e Várzea Grande, que oferecerão um local confortável aos eleitores que precisam.
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