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Esportes Sábado, 08 de Novembro de 2025, 08:16 - A | A

Sábado, 08 de Novembro de 2025, 08h:16 - A | A

Aos 55 anos, brasileiro desafia limites do corpo e percorre 500 km em jejum - conheça

Atleta de ultradistância conta como o corte radical dos carboidratos e o foco em proteína e gordura mudaram sua saúde e performance

Douglas Santos

Rodinei Crescêncio

RAIO - X foto - Alessandro Medeiros

Com mais de 35 anos dedicados ao esporte, Alessandro Medeiros vem quebrando paradigmas na nutrição esportiva e inspirando novas gerações a questionar os padrões alimentares modernos. Em sua trajetória, ele defende o retorno a um estilo de vida ancestral — comer “comida de verdade”, como diz, vinda da feira e do açougue — e mostra que o corpo humano é capaz de se adaptar a desafios extremos quando a mente está alinhada à disciplina.

Em entrevista especial ao , o atleta detalhou como funciona a sua dieta carnívora que adotou há seis, por meio de uma alimentação em proteínas e gorduras animais. Campeão mundial de Ultraman, Medeiros afirmou que constância, simplicidade e autoconhecimento são os verdadeiros pilares da alta performance.

Confira, abaixo, os principais trechos da entrevista

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Como começou sua jornada no ultramaratonismo e o que o motivou a adotar desafios tão extremos, como provas de 300 km?

Eu moro nos Estados Unidos, sou atleta de ultradistância e pratico a dieta carnívora — um estilo de vida que a gente chama de estilo de vida carnívoro. Há seis anos, eu me alimento basicamente 99,9% de proteínas e gorduras animais. Eu tenho um histórico no esporte muito grande. Pratico provas há mais de 35 anos e sempre gostei das longas distâncias — provas de vários dias, várias horas, correndo, pedalando e nadando. Isso sempre me motivou. Quando descobri uma dieta de baixos carboidratos, comecei a ter mais saúde e mais performance.

Quando e por que decidiu adotar a Dieta Carnívora? Foi uma escolha por performance, saúde ou curiosidade pessoal?

“A dieta carnívora não veio de início. Eu passei por uma progressão”

Alessandro Medeiros

: primeiro a dieta paleolítica, depois low carb, seguida da cetogênica, até chegar à carnívora. Foi uma escada de evolução. Nessas dietas, você vai retirando o carboidrato e aumentando o aporte de proteínas e gorduras animais para alcançar melhor saúde e performance. Há seis anos sigo a dieta carnívora e só colho benefícios.

Como foi o processo de adaptação? Houve dificuldades, perda de energia ou resistência no início?

Sem dúvida, há um processo de readaptação — nem é exatamente uma adaptação, porque se pensarmos bem, nascemos cetogênicos. O leite materno tem muita gordura, mínima quantidade de carboidratos e boas proteínas. Com o tempo, introduzimos outros alimentos — hoje, infelizmente, muitos ultraprocessados, até mesmo para bebês. Então, na verdade, é um retorno à nossa natureza, retomando a capacidade de usar gordura corporal como fonte de energia.

Rodinei Crescêncio

ultramaratonista Alessandro Medeiros

Já recebeu críticas ou ceticismo da comunidade esportiva por seguir uma dieta tão diferente do padrão?

Sem dúvida. O novo sempre causa impacto e coloca você “na vidraça”. Mas hoje, com nossos resultados e com o apoio de uma equipe médica, conseguimos mostrar os benefícios dessa dieta — não só para o esporte, mas também para a saúde geral. Sempre existirão críticos, mas a gente responde com ciência.

Correr 300 km em jejum é algo quase impensável para a maioria das pessoas. Como você treina o corpo e a mente para isso? 

É um processo diário. Não existe atalho. Assim como ninguém corre uma maratona sem treinar, o mesmo vale para provas longas. Treino há mais de 35 anos de forma constante, e essa constância me deu a capacidade de correr provas de 108 km até 515 km em jejum total.

Já enfrentou algum momento crítico em prova, em que o corpo parecia não responder?

Antes sim, hoje não. Na última prova que fiz — 108 km nas montanhas de Paraty — fiquei 29 horas em jejum completo e 24 horas correndo. O esporte de longa duração sempre te coloca em situações difíceis, mas com experiência você aprende a lidar. Sabe que o momento ruim vai passar e melhora vem depois.

Aos 55 anos, sente que está melhor do que antes? Em que aspectos?

Sem dúvida. Hoje me sinto como se tivesse 20 anos. Minha composição corporal é melhor do que aos 18 ou 19: mais massa muscular, menos gordura. Isso reflete uma saúde metabólica excelente, com todo o organismo funcionando de forma perfeita. 

Quais são as suas conquistas e recordes nas provas? 

Não posso deixar de citar o Campeonato Mundial de Ultraman, na ilha de Kona (Havaí). O Ultraman consiste em 10 km de natação, 421 km de ciclismo e 84 km de corrida (duas maratonas) em três dias. Fiz toda a prova em jejum completo, apenas com água e sais minerais — e nos tornamos campeões mundiais da minha categoria.

Também planejo participar da Badwater, uma ultramaratona de 217 km no deserto da Califórnia, com temperaturas em torno de 51°C, novamente em jejum, tentando o Guinness Book. Além disso, organizo o Simpósio de Dieta Carnívora, junto à ACRIMAT, para conscientizar profissionais de saúde sobre os benefícios da proteína e gordura animal. Já lancei o livro “O Poder da Carne” (disponível na Amazon), contando toda a minha trajetória e transformação.

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Alessandro Medeiros

Quais dicas você deixa para alimentação no dia a dia? Por exemplo, café da manhã, almoço e janta?

Um exemplo simples:

Café da manhã: cinco ovos e quatro fatias de bacon.

Almoço: um grande bife com gordura e ovos ou vísceras (especialmente fígado bovino).

Jantar: pode repetir o almoço.

“ O segredo é pensar em saúde e longevidade, não em “comidas de conforto””

Alessandro Medeiros

Muitos acham monótono, mas comem arroz, feijão e pão todos os dias e não reclamam. O segredo é pensar em saúde e longevidade, não em “comidas de conforto”. De vez em quando pode sair da dieta, sem problema. Mas se basear em carne, gordura e ovos já transforma sua saúde.

Prefira manteiga, sebo bovino e azeite. Evite óleos vegetais e margarina, pois são pró-inflamatórios. Alimento natural precisa estragar; se não estraga, o corpo não reconhece como comida.

Que conselho daria para atletas mais jovens que pensam em testar protocolos alternativos como o seu?

Comam comida de verdade — feira e açougue. Seu corpo vai responder com performance e saúde. A maioria dos atletas busca saúde, e isso só é possível com alimentação natural, principalmente gordura animal.

Qual é o custo financeiro da dieta carnívora?

Não é cara. Eu como apenas uma vez ao dia, treino o dia todo e gasto menos do que quem come a cada três horas. Além disso, evito alimentos ultraprocessados.

Rodinei Crescêncio

ultramaratonista Alessandro Medeiros

Passagem por Cuiabá

Vim participar do Primeiro Congresso Mundial da Carne, a convite da IMAC e CRIMAT, como embaixador do evento. Falamos sobre saúde, sustentabilidade e pecuária. Estou sempre em Cuiabá, adoro o calor e pretendo colocar a Corrida de Reis no meu calendário.

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