Com mais de 35 anos dedicados ao esporte, Alessandro Medeiros vem quebrando paradigmas na nutrição esportiva e inspirando novas gerações a questionar os padrões alimentares modernos. Em sua trajetória, ele defende o retorno a um estilo de vida ancestral — comer “comida de verdade”, como diz, vinda da feira e do açougue — e mostra que o corpo humano é capaz de se adaptar a desafios extremos quando a mente está alinhada à disciplina.
Em entrevista especial ao
, o atleta detalhou como funciona a sua dieta carnívora que adotou há seis, por meio de uma alimentação em proteínas e gorduras animais. Campeão mundial de Ultraman, Medeiros afirmou que constância, simplicidade e autoconhecimento são os verdadeiros pilares da alta performance.
Confira, abaixo, os principais trechos da entrevista
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Como começou sua jornada no ultramaratonismo e o que o motivou a adotar desafios tão extremos, como provas de 300 km?
Eu moro nos Estados Unidos, sou atleta de ultradistância e pratico a dieta carnívora — um estilo de vida que a gente chama de estilo de vida carnívoro. Há seis anos, eu me alimento basicamente 99,9% de proteínas e gorduras animais. Eu tenho um histórico no esporte muito grande. Pratico provas há mais de 35 anos e sempre gostei das longas distâncias — provas de vários dias, várias horas, correndo, pedalando e nadando. Isso sempre me motivou. Quando descobri uma dieta de baixos carboidratos, comecei a ter mais saúde e mais performance.
Quando e por que decidiu adotar a Dieta Carnívora? Foi uma escolha por performance, saúde ou curiosidade pessoal?
“A dieta carnívora não veio de início. Eu passei por uma progressão”
Alessandro Medeiros: primeiro a dieta paleolítica, depois low carb, seguida da cetogênica, até chegar à carnívora. Foi uma escada de evolução. Nessas dietas, você vai retirando o carboidrato e aumentando o aporte de proteínas e gorduras animais para alcançar melhor saúde e performance. Há seis anos sigo a dieta carnívora e só colho benefícios.
Como foi o processo de adaptação? Houve dificuldades, perda de energia ou resistência no início?
Sem dúvida, há um processo de readaptação — nem é exatamente uma adaptação, porque se pensarmos bem, nascemos cetogênicos. O leite materno tem muita gordura, mínima quantidade de carboidratos e boas proteínas. Com o tempo, introduzimos outros alimentos — hoje, infelizmente, muitos ultraprocessados, até mesmo para bebês. Então, na verdade, é um retorno à nossa natureza, retomando a capacidade de usar gordura corporal como fonte de energia.
Já recebeu críticas ou ceticismo da comunidade esportiva por seguir uma dieta tão diferente do padrão?
Sem dúvida. O novo sempre causa impacto e coloca você “na vidraça”. Mas hoje, com nossos resultados e com o apoio de uma equipe médica, conseguimos mostrar os benefícios dessa dieta — não só para o esporte, mas também para a saúde geral. Sempre existirão críticos, mas a gente responde com ciência.
Correr 300 km em jejum é algo quase impensável para a maioria das pessoas. Como você treina o corpo e a mente para isso?
É um processo diário. Não existe atalho. Assim como ninguém corre uma maratona sem treinar, o mesmo vale para provas longas. Treino há mais de 35 anos de forma constante, e essa constância me deu a capacidade de correr provas de 108 km até 515 km em jejum total.
Já enfrentou algum momento crítico em prova, em que o corpo parecia não responder?
Antes sim, hoje não. Na última prova que fiz — 108 km nas montanhas de Paraty — fiquei 29 horas em jejum completo e 24 horas correndo. O esporte de longa duração sempre te coloca em situações difíceis, mas com experiência você aprende a lidar. Sabe que o momento ruim vai passar e melhora vem depois.
Aos 55 anos, sente que está melhor do que antes? Em que aspectos?
Sem dúvida. Hoje me sinto como se tivesse 20 anos. Minha composição corporal é melhor do que aos 18 ou 19: mais massa muscular, menos gordura. Isso reflete uma saúde metabólica excelente, com todo o organismo funcionando de forma perfeita.
Quais são as suas conquistas e recordes nas provas?
Não posso deixar de citar o Campeonato Mundial de Ultraman, na ilha de Kona (Havaí). O Ultraman consiste em 10 km de natação, 421 km de ciclismo e 84 km de corrida (duas maratonas) em três dias. Fiz toda a prova em jejum completo, apenas com água e sais minerais — e nos tornamos campeões mundiais da minha categoria.
Também planejo participar da Badwater, uma ultramaratona de 217 km no deserto da Califórnia, com temperaturas em torno de 51°C, novamente em jejum, tentando o Guinness Book. Além disso, organizo o Simpósio de Dieta Carnívora, junto à ACRIMAT, para conscientizar profissionais de saúde sobre os benefícios da proteína e gordura animal. Já lancei o livro “O Poder da Carne” (disponível na Amazon), contando toda a minha trajetória e transformação.
Quais dicas você deixa para alimentação no dia a dia? Por exemplo, café da manhã, almoço e janta?
Um exemplo simples:
Café da manhã: cinco ovos e quatro fatias de bacon.
Almoço: um grande bife com gordura e ovos ou vísceras (especialmente fígado bovino).
Jantar: pode repetir o almoço.
“ O segredo é pensar em saúde e longevidade, não em “comidas de conforto””
Alessandro MedeirosMuitos acham monótono, mas comem arroz, feijão e pão todos os dias e não reclamam. O segredo é pensar em saúde e longevidade, não em “comidas de conforto”. De vez em quando pode sair da dieta, sem problema. Mas se basear em carne, gordura e ovos já transforma sua saúde.
Prefira manteiga, sebo bovino e azeite. Evite óleos vegetais e margarina, pois são pró-inflamatórios. Alimento natural precisa estragar; se não estraga, o corpo não reconhece como comida.
Que conselho daria para atletas mais jovens que pensam em testar protocolos alternativos como o seu?
Comam comida de verdade — feira e açougue. Seu corpo vai responder com performance e saúde. A maioria dos atletas busca saúde, e isso só é possível com alimentação natural, principalmente gordura animal.
Qual é o custo financeiro da dieta carnívora?
Não é cara. Eu como apenas uma vez ao dia, treino o dia todo e gasto menos do que quem come a cada três horas. Além disso, evito alimentos ultraprocessados.
Passagem por Cuiabá
Vim participar do Primeiro Congresso Mundial da Carne, a convite da IMAC e CRIMAT, como embaixador do evento. Falamos sobre saúde, sustentabilidade e pecuária. Estou sempre em Cuiabá, adoro o calor e pretendo colocar a Corrida de Reis no meu calendário.
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