Em entrevista ao #rdtv, o ex-jogador de futebol e hoje empresário no mercado da bola, Rafael Campos, de 32 anos, comentou sobre episódios de racismo na elite do futebol brasileiro e europeu. O tema vem sendo manchete de jornais do mundo todo promovendo debates em torno dos ataques sofridos pelo atacante do Real Madrid, Vinícius Júnior. No Brasil, como não poderia ser diferente, o assunto ganhou grande repercussão levando entidades, clubes e até a Confederação Brasileira de Futebol a agirem de forma mais incisiva para pôr um fim ao racismo dentro e fora do campo.
Assim como Vini Jr, o cuiabano Rafael Campos começou cedo no esporte, curiosamente, através de uma indicação médica, quando a pediatra o indicou a modalidade esportiva para ter mais interação social e melhorar o convívio com os colegas.
Hoje, ele é empresário em Mato Grosso na intermediação de atletas, mas não esquece que ainda criança, aos 12 anos, Rafael teve que lidar com ataques racistas dentro do futebol. Mas precisou ter forças para lidar com as situações que ocorriam e aos 14 anos precisou sair de casa para viver o grande sonho, que começou na base do Londrina (PR), passando pelo Grêmio, e chegando a Portugal, quando jogou no Braga.
"Esse é um assunto bem complicado, pois passei por algumas situações dessas. Um caso que não sai da minha memória foi quando eu tinha apenas 12 anos. Por ser um jogador atacante, que tem um pouco mais de ousadia e proatividade contra um zagueiro, passei por situações em que treinadores (adversários) me chamaram de macaco, negro, de forma pejorativa, falavam que iam quebrar a minha perna e mandariam o 'neguinho' de volta para casa porque, simplesmente, eu estava driblando no jogo", relatou o ex-jogador cuiabano.
Rafael aponta ainda que as discussões em torno do racismo vêm ganhando força no mundo da bola. Defende a necessidade de maior atenção por parte dos clubes e entidades do futebol. Isso porque viu alguns treinadores iniciarem insultos a jogadores adversários.
"É algo de dentro de alguns treinadores que fazem parte de um sistema que naturalmente é racista e acabam ocorrendo esses tipos de casos. Em Portugal, não tive tantos problemas, convivi com africanos que eram pessoas muito confrontadoras ao sistema. Por outro lado, tive colegas que jogavam na Espanha e na Itaquera relatavam coisas piores", pontuou.
"Existem diferenças de racismo no futebol na Europa e no Brasil. Em Portugal eu não tive contato pessoalmente, com insultos racistas, mas conheço muitos amigos que sofreram. No Brasil, por ser o nosso país e por conviver aqui, ter maioria da população negra, a discussão do racismo é um pouquinho menor, em relação dos países europeus, que o assunto é mais maximizado", concluiu Rafael.
A entrevista completa está disponível no #rdtv:
Combate ao racismo
A CBF é a primeira entidade esportiva do futebol a adotar no Regulamento Geral de Competições a possibilidade de punir esportivamente um clube em caso de racismo.
A novidade foi incluída no RGC de 2023, em fevereiro. Desde o ano passado, a CBF faz uma série de campanhas de combate ao racismo no futebol. Em agosto, a entidade realizou o primeiro Seminário de Combate ao Racismo no Futebol e conta com um Grupo de Trabalho que discute de forma permanente o assunto.
Jogadores e treinadores dos 20 clubes do Brasileirão participaram da campanha de combate ao racismo promovida pela CBF nas duas últimas rodadas da competição.
A iniciativa, segundo a CBF, foi tomada após os mais recentes casos de racismo envolvendo jogadores brasileiros, não só no país como no exterior.
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