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Esportes Segunda-feira, 15 de Outubro de 2018, 11:29 - A | A

Segunda-feira, 15 de Outubro de 2018, 11h:29 - A | A

Sem sua estrela principal, Argentina busca uma luz para recomeçar frente ao Brasil

RDNEWS

Depois de vencer sem convencer a Arábia Saudita na última sexta-feira, o Brasil fecha a Data Fifa de outubro com um clássico de muita história e rivalidade diante da Argentina. E se a Seleção Brasileira almeja uma retomada depois da Copa do Mundo abaixo da expectativa, os Hermanos vivem um momento de reconstrução total após o vexame em solo russo. Sem um treinador efetivado, a Albiceleste busca um rumo em meio a debandada, ao menos momentânea, de suas estrelas e uma crise sem fim na direção da Associação de Futebol Argentino (AFA).

Um ciclo rodeado por insucessos, três treinadores questionados, uma classificação para o Mundial conquistada “sob aparelhos”, o constante questionamento sobre Lionel Messi e a falta de capacidade da formação de um time. São muitas as justificativas para a manutenção do jejum que ultrapassa os 25 anos sem título, mas a verdade é que há esperança nos pés de uma nova geração, em grande parte preterida por Jorge Sampaoli, mas considerada o centro do trabalho de Lionel Scaloni, o escolhido. É assim, tentando ajustes com o carro andando, que a Argentina inicia sua caminhada rumo ao Catar-2022.

Treinador da seleção sub-20, Scaloni terá ao seu lado uma dupla de muito respeito para iniciar um trabalho que não se sabe ainda se será definitivo. Junto com os ex-jogadores Walter Samuel e Pablo Aimar, o jovem comandante “ganhou” a responsabilidade de liderar um projeto após negativas dos principais nomes especulados pela AFA, que foram desde os caseiros Marcelo Gallardo e Ricardo Gareca até os renomados Mauricio Pochettino, Diego Simeone e Pep Guardiola.

“Em reconstrução”, elenco tem indefinição quanto a continuidade de estrelas e Messi

Benjamim Cremel/AFP

Messi após eliminação para a França na Copa do Mundo 2018

Lionel Messi frustrado logo após o apito final da partida contra a França, que culminou na eliminação da Argentina nas oitavas de final da Copa Mundo 2018 

Contra o Brasil, a principal ausência da Argentina, claro, é a de Lionel Messi, que optou por não ser mais convocado em 2018. Se um dia voltará… não se sabe. A verdade é que o desfalque é apenas um entre muitos, alguns que se aposentaram, no caso de Mascherano e Biglia, e outros que seguem fora da lista por opção pessoal, casos de Aguero e Di María.

Mais do que uma pífia campanha em solo russo, a decisão de alguns dos principais pilares de repensar a carreira na seleção representa uma prova de que a seleção Albiceleste está em reconstrução. Ao que tudo indica, se aproxima de um fim a geração que criou esperanças após o bicampeonato olímpico e o vice na Copa de 2014, mas que nunca conseguiu se concretizar como um grupo realmente vencedor.

Diferentemente do que seria o ideal, o processo de renovação da seleção se mostra necessário e da forma mais dinâmica e rápida possível. Para isso, foi acionado Scaloni, ex-treinador da seleção sub-20. Na primeira convocação, apenas oito atletas do Mundial de 2018 mantidos e, agora, para o duelo diante do time de Tite, mais testes, que serão um vestibular para a decisão tanto da continuidade da comissão técnica quanto do rumo que será tomado.

A crise política na AFA, os resquícios no cenário nacional e dentro das quatro linhas

Entender o momento da Associação de Futebol Argentino requer, ao mesmo tempo, cuidado e paciência. Apesar de sinais de que a crise atual é apenas uma consequência de décadas de má gestão, a verdade é que o momento conturbado teve início na decisão da sucessão do polêmico Julio Grondona, que presidiu a entidade entre 1979 e 2014, ano de sua morte.

Primeiro, eleições canceladas. Depois, criação de uma Superliga de clubes em forma de protesto à entidade, seguida de alertas da Fifa quanto a possibilidade de intervenção e a concretização do ato, disfarçado pelo nome de comissão normalizadora. Quatro anos depois, a crise se mostra efetiva no quadro político. Hoje, a AFA é presidida por Cláudio ‘Chiqui’ Tapia, presidente do modesto Club Atlético Barracas Central, ligado ao sindicato dos caminhoneiros argentinos e que assumiu o cargo em março de 2017 prometendo evolução.

Nome desconhecido no meio do futebol Sul-Americano, Tapia foi jogador e comanda a federação local com a aliança e os conselhos de uma organização de peso, rodeada por mandatários. Hugo Moyano, seu sogro e presidente do Independiente, é seu braço direito, com Daniel Angelici, mandatário do Boca Juniors, sempre ao lado para a tomada de decisões. Todos esses, com ótima relação com o presidente do país, Mauricio Macri, nome ligado ao Boca Juniors.

Em resumo, testes e mais testes a fim de um caminho

Divulgação/Argentina

Argentina, enfrenta Brasil em amistoso pós Copa 2018

Sem estrelas, o elenco argentino se reconstrói para o novo ciclo rumo a Copa do Mundo do Catar em 2022. Próxima competição será a Copa América 2019

Desde o início do ciclo após o Mundial, porém, os resultados da seleção argentina têm criado certa expectativa, com a ressalva do nível dos adversários. 3 a 0 sobre a Guatemala, um empate contra a Colômbia e uma goleada sobre o Iraque. Tudo isso, liderada justamente pelos jovens, como Lo Celso, Lautaro e Giovanni Simeone.

A verdade é que os dias que já foram de glória hoje são de busca incessante por um rumo, uma luz, algo que indique o que deve ser feito. O calvário da Argentina após o vexame na Copa do Mundo da Rússia parece não ter encontrado, ainda, o fundo do poço, ao mesmo tempo que caminha para uma solução caseira, com Scaloni. Sem pilares, sem respaldo e sem um projeto definido, a Argentina tenta em meio ainda a uma crise política voltar a levantar uma taça.

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