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Sábado, 15 de Junho de 2019, 13h:04 | Atualizado: 15/06/2019, 13h:13

Jovens vivem sonho americano de estudar e trabalhar longe das famílias nos EUA

Mulheres entre 18 e 26 anos, inglês intermediário, e boas referências conseguem acessar programa


Especial para o Rdnews

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Milena

Milena Rondon estudou por conta própria, fez provas e conseguiu embarcar para os EUA

A vendedora e estudante de jornalismo, Milena Rondon Medeiros, 22 anos, deu uma guinada de vida indo morar nos Estados Unidos, em fevereiro. A jovem participa do programa Au Pair, que oferece trabalho e estudo no exterior para mulheres de 18 a 26 anos.

Ela diz que a nova vida é muito tranquila, pois mora com uma mãe divorciada e é responsável por cuidar do filho dela de 7 anos e do cachorro da família. “Sempre tive esse sonho de morar fora. Um dia resolvi pesquisar e descobri que não era tão difícil participar e o preço da viagem cabia no meu bolso”.

A jovem deu entrada ao processo, no passado, e mesmo sem nunca ter feito curso de inglês, o que era um dos impedimentos para conseguir a vaga, resolveu apostar. Sempre otimista, Milena assistiu aulas no YouTube por três meses até obter nível adequado para passar na prova de aptidão de língua inglesa. “Reprovei na primeira, mas não desisti e um ano depois estava embarcando”, lembra.

Entre documentação, visto e todo processo burocrático do intercâmbio, ela investiu cerca de R$ 5 mil, na época, incluindo as passagens aéreas, exames médicos e taxas. A maior dificuldade até hoje é vencer a saudade da família e dos amigos que ficaram no Brasil. “Vou lidando com isso a partir das tecnologias, nos falamos por chamada de vídeo e por mensagens no celular, com a minha mãe o contato é diário”.

Reprovei na primeira, mas não desisti e um ano depois estava embarcando

Milena Rondon

Milena conta que o primeiro impacto no novo país aconteceu no aeroporto: o frio dos Estados Unidos, que não se compara ao brasileiro. “É um vento muito gelado, a pele fica totalmente esticada, então, inicialmente, tive que comprar roupas novas e quentes, tomar vitamina C, pra não inflamar a garganta, passar litros de creme pra evitar rachaduras na pele e manteiga de cacau nos lábios”.

Rotina nos EUA

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Milena

Milena diz que experiência é como se tivesse "nascido novamente" e se mostra muito feliz

Superar a distância do próprio país e da cultura, que inclui novos hábitos, inclusive alimentares, têm sido algo constante. Milena diz que é como nascer de novo. O lado bom da experiência é ter encontrado uma nova família americana amável e tranquila. “Cuido apenas de uma criança e de um cão de um ano de idade”.

Ela acorda às 7h30, prepara o café da manhã do baby, o garoto de quem cuida, isso inclui a mochila e o lanche para escola. Depois vai com ele e o cachorro até o ponto de ônibus, já que a família mora em um condomínio. O ônibus sai pontualmente às 8h10. Depois, ela precisa buscar o menino, às 15h30, momento em que novamente passeia com o cachorro pela vizinhança.

“Meu trabalho é cuidar do baby, incluindo as roupas, o quarto e o banheiro e a alimentação. Quando chega da escola, eu ofereço o lanche da tarde e o jantar, também dou banho e se tiver lição de casa ajudo a fazer. Fico com ele até umas 19h30, vendo televisão, quando a mãe chega e o coloca para dormir. “Minha rotina é bem tranquila”.

A brasileira conta que tudo é definido com a mãe que é carinhosa. O cão, por exemplo, se alimenta e caminha duas vezes ao dia com Milena, pois no período noturno é a dona da casa quem faz. “Meu trabalho aqui é muito menos cansativo que o que eu fazia no Brasil e ainda ganho mais”, avalia.

A vida nos EUA é bem diferente, no inverno, por exemplo, ela diz que as pessoas não saem muito de casa, por isso é raro encontrar gente pela rua, muito menos gritando, pulando. Também é raro se deparar com um shopping lotado. “Aqui todos saem do trabalho e vão direto pra casa, ficar com a família e os filhos”.

As cidades são organizadas, funcionais e o atendimento maravilhoso

Milena Rondon

Sobre a alimentação, como a nova família não se incomoda, ela faz refeições mais brasileiras, então mantém o hábito de comer arroz, macarrão, carne, mas claro que a todo momento se depara com pessoas almoçando pizza e lanche.

Outra curiosidade é que nas ruas, o trânsito é educado e ao mesmo tempo rigoroso, seguir as regras é um padrão. “A logística e a infraestrutura são diferentes, porque as avenidas são largas, normalmente possuem quatro pistas, são bem sinalizadas e as pessoas fazem questão de seguir as leis”.

Para Milena, outra surpresa positiva é o preço dos produtos. Tanto em lojas, quanto supermercados, há grande variedade e o atendimento é realmente levado a sério, para fazer com que o cliente saia satisfeito. “As cidades são organizadas, funcionais e o atendimento maravilhoso”.

Trabalho e turismo

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Milena

Milena gosta de passear. Na foto, está no Museu & Memorial do 11 de Setembro

Uma das cidades que a cuiabana mais gostou de conhecer foi Nova Iorque, que segundo ela, é muito urbana, com vários shoppings, lojas, luzes e painéis. “Como eu não trabalho aos sábados e domingos, aproveito para viajar para lugares próximos. É muito fácil e barato, porque as passagens de trem têm preços justos. Cada semana estou em um lugar diferente”.

Como gosta de cozinhar, Milena costuma ir com a dona da casa ao supermercado, onde compra legumes e verduras. A mãe da família onde reside é de origem indiana e aberta a novas culturas. “Ela também costuma fazer pratos mais picantes e toma muito chá, é algo novo que estou aprendendo”.

Sobre a questão do banho, ela diz que realmente estranhou. “Todo mundo me pergunta, e realmente os hábitos são diferentes. Por causa do frio, as famílias costumam tomar no máximo um banho por dia ou até em dias alternados. Já conheci pessoas que tomam banho a cada dois dias”.

Acostuma a fazer tudo à mão, no começou estranhou lavar e sacar roupa na máquina, sem ir ao varal, lavar louça na lavadora e outros aspectos da rotina doméstica que são distintos. “Eu não sabia nem mexer nos equipamentos, não fazia ideia de como era limpar uma casa por aqui, mas aos poucos fui superando os medos e desafios. É preciso ter paciência com a gente mesmo, porque a parte do sonho compensa tudo”.

Apaixonada pela nova cultura

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Ana Karoline

Ana Karoline em almoço com a família americana em um lanche. Brasileira relata rotina e atividades que desenvolve

Ana Karoline Araújo Silva, 23 anos, administradora, saiu da faculdade e foi em seguida para os EUA. Ela conta que pesquisou a respeito e encontrou a Experimento Intercâmbio, onde deu entrada à documentação necessária. A viagem ocorreu oito meses depois para o subúrbio de Alexandria, região de Whashigton DC.

Segundo ela, é um lugar maravilhoso, cercado de verde, natureza e animais silvestres, por outro lado, é longe, ou seja, ficando a cerca de 10 minutos de tudo (supermercado, farmácia, cinema, escolas, etc). “Cuido de duas crianças, uma menina de 7 anos e um menino de 5 anos. Acordo cedo, porque 7h15 tenho que preparar o café da manhã deles, arrumar as lancheiras e levo o Alex à escola, que começa 9h, a menina estuda em uma escola católica, mais distante, os pais levam”.

A intercambista conta que entre 9h e 14h30 possui tempo livre para cuidar das próprias atividades, que incluem academia, o próprio almoço, suas roupas e estudo. “Normalmente busca as duas crianças na escola às 14h30 e voltamos apenas 18h para casa, pois eles têm muitas atividades, como natação e futebol. Ao chegar, preparo algo rápido e leve, como brócolis com grão de bico, uma carne ou pasta com frutas”.

Ela conta que após a refeição, faz os preparativos para o dia seguinte e as crianças têm uma tempo para ver televisão, normalmente até 1 hora, os pais costumam chegar entre 19h e 19h30 em casa. O programa permite trabalhar até 45h por semana, com um dia e meio off, geralmente sábado e domingo ou metade do sábado e todo domingo.

“Estava estudando inglês num college, agora começarei a fazer inglês para negócios, voltado para a minha área de administração, com enfoque em como preparar um memorando, um ofício e no mês de outubro inicio um curso na área de RH, em uma faculdade, onde aprenderei sobre leis trabalhistas, contratação, benefícios, remuneração, que é a área que gosto e quero atuar, vou saber mais sobre como funciona daqui”.

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Ana Karoline

Ana Karoline conta que entre 9h e 14h30 possui tempo livre para cuidar das próprias atividades, que incluem academia, seu almoço, suas roupas e estudos

Ana Karoline avalia o programa de forma muito positiva, mas é preciso ir para os Estados Unidos com uma empresa séria, como ela fez, e deixar todos os detalhes do contrato, da hospedagem e também do estilo de vida muito claros antes de ir. Se a intenção é fazer uma faculdade, por exemplo, é necessário verificar as condições que isso será colocado em prática, pois se a família morar longe e não tiver carro, isso se torna quase inviável devido a distância entre os locais.

“Estar aqui é maravilhoso, jamais poderia ter acesso a tudo que tive e estou tendo, fazer turismo, ir a tantos lugares, porque o valor do dólar é muito alto no Brasil, então, receber na moeda americana me permite isso. Também me surpreendi com a consciência ambiental e cidadã dos moradores daqui, que ao contrário do que eu esperava são extremamente gentis e estão sempre perguntando se preciso de alguma coisa”.

Ela conta que as cidades são muito organizadas e a limpeza das ruas é algo admirável, não porque a prefeitura limpa o tempo todo, mas porque a população jamais joga lixo no chão e mesmo tendo pessoas com cães em cada esquina, não se vê fezes em nenhum lugar, porque os cidadãos são educados e não querem os ambientes onde vivem sujos.

É um choque observar que as leis funcionam e as pessoas não reclamam disso, também estou encantada com o senso comunitário da população

Ana Karoline

“É um choque observar que as leis funcionam e as pessoas não reclamam disso, também estou encantada com o senso comunitário da população, ou seja, senso do coletivo, eles realmente se preocupam com os vizinhos e com o bairro onde vivem, estão sempre em reuniões em busca de melhorias, contribuem com o lugar cotidianamente, se comprometem e ajudam”.

Ana sente falta do Brasil, da família, dos amigos e da comida, mas não de morar no país de origem. “No geral, considero que é um programa que vale a pena, cresci muito como pessoa e também profissionalmente, mas tem que vir com mentalidade forte, precisa saber falar não e impor limites. Porque o programa não é de graça, a família que nos hospeda tem que estar muito ciente disso, que estamos pagando por tudo e que não é um favor. Felizmente comigo tudo transcorreu muito bem, estou muito feliz e só volto em abril do ano que vem, até lá ainda tenho muito a aprender e viver”.

Intercâmbio em alta

Conseguir um emprego no exterior pode parecer um sonho distante para você? Talvez essa percepção seja resultado de mera desinformação, já que números do Ministério das Relações Exteriores mostram que, no ano passado, aproximadamente 3,7 milhões de brasileiros estavam estudando e trabalhando no exterior.

Mais de 40% dessas pessoas migraram para os Estados Unidos. Em seguida, para países da Europa que, somados, abrigam mais de 1 milhão de brasileiros. Ao contrário do que muita gente pensa, os estrangeiros são bem recebidos quando possuem qualificação e participam de programas de intercâmbio legalizados.

Outros países onde é possível estudar e trabalhar legalmente são Dubai, Irlanda, Canadá, Nova Zelândia, Austrália e Malta. Cada um deles tem regulamentação própria, tempo mínimo de permanência e nível exigido de conhecimento do idioma. Vale a pena pesquisar qual se encaixa no seu perfil.

Roland Gradinger, que possui graduação em Turismo pela Escola de Hotel Management & Tourism (Áustria) e é diretor da Experimento Intercambio Cuiabá, explica que o programa Au Pair, exclusivo para candidatas do sexo feminino, é um dos mais procurados pelo custo x benefício.

“A proposta é morar um ano com uma família norte-americana, ganhando salário de até 250 dólares semanais, oportunidade de fazer um curso com bolsa de estudo (de até mil dólares). Mas é necessário cuidar das crianças. Entre as exigências estão: ter carteira de habilitação, ensino médio completo e nível inglês intermediário”, explica.

Uma opção similar desenvolvida na Austrália se chama ‘Demi Pair’, proporciona ao estudante aprimorar o inglês e não pagar por 12 semanas de acomodação e refeições. Nele, também precisa ajudar a família hospedeira nas tarefas do lar e no cuidado com as crianças, por até 4 horas por dia.

O especialista acrescenta que, com planejamento, é possível parcelar o pacote e as passagens aéreas, a um custo muito inferior ou equivalente a diversos cursos de inglês no Brasil, com a diferença de ser muito mais rápido e com imersão cultural. “É um investimento que vale a pena, mas precisa ser feito de maneira legalizada e segura, para que a experiência seja positiva e gratificante”.

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Serviço

Participe da promoção feita pelo em parceria com o Experimento Intercâmbio e concorra a um kit viagem Experimento Intercâmbio Cultural + desconto de 100% na taxa experimento (valor R$ 385). Saiba aqui.

Outras informações sobre intercâmbio para crianças, jovens e adultos você pode obter na Experimento Intercambio Cuiabá: cuiaba@experimento.com.br/ (65) 3627-6267. Nas redes sociais Instagram e Facebook .

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Comentários (2)

  • victoria | Sexta-Feira, 16 de Agosto de 2019, 16h33
    0
    0

    A experimento é sensacional, o suporte deles é ótimo!! Sonho em ser AuPair

  • SD | Sábado, 15 de Junho de 2019, 13h22
    7
    2

    Parabéns, já fica por ai porque aqui o país está só indo ladeira abaixo.

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