Judiciário

Quarta-Feira, 11 de Setembro de 2019, 17h:54 | Atualizado: 12/09/2019, 08h:07

CASO MIRELLA

Processo sobre morte da mãe de menina envenenada dura 10 anos; médico isento

Reprodução/Rdnews

Jaira Gon�alves de Arruda Deddica

Jaira Gonçalves de Arruda (detalhe) é investigada pela Deddica pelo envenenamento da enteada Mirella Poliane Chue

A ação de indenização por danos morais movida pela família da criança Mirella Poliane Chue de Oliveira contra o Hospital Santa Helena e o médico Ilton Saragiotto pela morte da mãe dela, Poliane Chue Marques, durou mais de 10 anos até que se chegasse a uma resolução. A menina morreu envenenada, supostamente pela madrasta, em junho deste ano, aos 11 anos de idade. O médico não foi condenado pela Justiça, apenas o hospital.

Jaira Gonçalves de Arruda, de 42 anos, foi presa na segunda (9) acusada de ser responsável pela morte da menina. A motivação seria a indenização aplicada pela Justiça no processo contra o hospital, em R$ 606,7 mil a serem pagos em 24 parcelas de R$ 25 mil, segundo acordo feito entre as partes em 2019.

A ação foi movida por Claudina Chue, mãe de Poliana e avó de Mirella. O pai da criança, José Mario Gonçalves De Oliveira, também entrou como parte do processo.

Poliana morreu em 23 de novembro de 2007 em decorrência de complicações no nascimento de Mirella. A família acusou o hospital e o médico de não terem conduzido bem o procedimento do parto, e por não terem diagnosticado a tempo a causa que levou ao óbito da mãe.

O processo começou a tramitar em 24 de abril de 2009. Uma perícia feita pela médica Naray Jesimar Paulino concluiu que não houve impropriedades no tratamento, ou, na condução do parto. Foi apontada, contudo, uma janela de duas horas e meia em que não há registros no prontuário de atendimento da mãe e, por isso, teria havido falha do hospital. A defesa da unidade afirmou que a troca de plantão dos médicos prejudicou o atendimento.

Alguns dos sintomas de hemorragia foram identificados às 4h20 da manhã por uma técnica de enfermagem identificada apenas como Joelma no dia da morte da mãe. Às 5h30, o médico plantonista, Ilton Saragiotto, foi informado, solicitou hemograma e prescreveu medicamento Hemoblock. Contudo, apenas o médico Mauro Pacheco Filho teria identificado corretamente a perda de sangue, às 9 horas da manhã daquele dia, mais de quatro horas depois. Durante todo esse período, a vítima não recebeu reposição de sangue.

MidiaNews

Claudina Chue

A ação pela morte pós parto foi movida por Claudina Chue, mãe de Poliana e avó de Mirella

“A questão é tormentosa. Estamos falando de vidas. Estamos falando de uma criança que terá que viver sem a experiência da convivência com a sua mãe. Estamos falando de uma família gravemente atingida em sua constituição: a morte de uma jovem mãe e esposa”, escreveu a juíza Amini Haddad Campos na sentença, em 15 de abril de 2013.

“Pelo relato descrito, após mais de 05 horas, a vítima continuava a sangrar. Contudo, não há indício, no prontuário de que a mesma estava recebendo reposição desse sangue, apesar de se encontrar em estado descorado ++/4+”, registrou a magistrada.

Os valores que teriam motivado o envenenamento da menina Mirella foram estabelecidos inicialmente em: pensão de um salário mínimo, de R$ 678 à época, até que ela completasse 18 anos, R$ 100 mil por danos morais à criança, R$ 50 mil à mãe de Poliana, todos valores com correção monetária pelo INPC e juros de 1% ao mês a partir da data da condenação. O hospital ainda foi condenado ao pagamento de 15% do valor da condenação em custas processuais e honorários advocatícios.

Houve recurso do hospital à segunda instância e as partes acabaram por fazer um acordo, chegando a pouco mais de R$ 600 mil.

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