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ESTACIONAMENTO ROTATIVO

Em CPI, auditor diz que nem sabia que era fiscal do contrato da CS Mobi

Comissão investiga eventuais irregularidades no contrato firmado pelo Município, como possível sobrepreço

Gabriel Rodrigues

O auditor fiscal do município de Cuiabá, Clóvis Gonçalves de Oliveira, relatou nesta quinta-feira (27), durante oitiva da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga a Parceria Público-Privada (PPP) de 30 anos entre a Prefeitura e a CS Mobi, responsável pelo estacionamento rotativo, que sequer sabia que estava na função de fiscal de contrato. Ele contou que havia sido chamado para "auxiliar a equipe", a pedido do então secretário de Fazenda, Antônio Roberto Possas de Carvalho.

Marinara Lemes

Auditor fiscal - Clovis de Oliveira

Oliveira explicou que o primeiro contato ocorreu ainda em dezembro de 2022, diante da necessidade de ajudar com questões tributárias - entrando com o processo já em andamento. Clovis relatou que ficou como fiscal entre os dias 29 de setembro a 18 de agosto de 2023, até descobrir sua posição e pedir pela saída por falta de competência, quando o contrato foi remetido para fiscalização da Agência Municipal de Regulação de Serviços Públicos Delegados de Cuiabá (Arsec).

"Eu achei que estava contribuindo nessa área, mas, de repente, descobri [por meio de um amigo] que eu era fiscal do contrato. Logo avisei o secretário que não teria condições de ser fiscal, por incompetência, não entendia nada de obras, nem de estacionamento rotativo e nem disposição [pela falta de estrutura para fiscalizar a PPP], mas antes de formalizar, houve a transferência de gestão e fiscalização do contrato para Arsec. Quando descobri, já aconteceu [a minha saída]", revelou.

Também ouvido na CPI, o servidor efetivo da Secretaria de Agricultura, Delvan Rosa Parreira Júnior, relatou que só assumiu a gestão do contrato em agosto de 2023, após a retirada dos permissionários do Mercado Miguel Sutil - que ocorreu em junho de 2023 - ou seja, não teria participado das conversas iniciais de licitação. Antes da sua entrada no cômite gestor, sustenta que não havia fiscalização. Salientou ainda ter visto com estranheza o fato de o contrato ter sido firmado pela pasta de Agricultura e não pela Secretaria de Mobilidade Urbana (Semob).

"Não participei de fase alguma, mas realmente, é de se causar estranheza, uma Secretaria de Agricultura figurar como poder concedente, de um contrato que envolve inclusive estacionamento. A secretaria é totalmente alheia a essas questões de trânsito e tráfego", comentou.

Também foram ouvidos o ex-procurador-geral do Município, Benedicto Miguel Calix Filho, e o permissionário do Mercado Municipal Miguel Sutil, Sebastião Freitas de Paulo.

A CPI tem prazo de 120 dias, podendo ser prorrogado por mais 120 dias, tendo como o objetivo investigar eventuais irregularidades, como sobrepreço, falta de execução de cláusulas contratuais ou outros danos ao erário público, como o firmamento de uma relação de fiador da Prefeitura no empréstimo tomado pela CS Mobi.

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