O presidente de honra do MDB em Mato Grosso, Carlos Bezerra, aguarda o retorno a Cuiabá da presidente regional da sigla, deputada estadual Janaina Riva, para convocar uma reunião ampliada com lideranças do partido. Na pauta, estão os rumos da legenda após o resultado das eleições de 2026, incluindo a possibilidade de mudança no comando estadual.
A reunião deverá avaliar, entre outros pontos, a permanência de Janaina à frente do diretório regional. Derrotada na disputa pelo Senado em outubro e sem mandato eletivo a partir de fevereiro de 2027, a parlamentar pode deixar a presidência da sigla, segundo integrantes do partido. A discussão, no entanto, ainda ocorre nos bastidores.
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Janaina assumiu o comando do MDB após a sigla estar sob a presidência de Bezerra por quase três décadas
Além da composição da direção, Bezerra pretende fazer um balanço do desempenho eleitoral do MDB. A legenda saiu das urnas sem conseguir montar uma chapa para deputado federal, perdeu a disputa ao Senado e elegeu apenas três representantes para a Assembleia Legislativa.
Outro assunto que deverá entrar na discussão é a aliança firmada com o PL em Mato Grosso. A decisão de caminhar ao lado da sigla liberal foi alvo de questionamentos internos e chegou a ser criticada publicamente por lideranças bolsonaristas do próprio PL. A avaliação sobre os efeitos políticos dessa composição também deverá pesar nas estratégias para os próximos anos.
Atualmente, segundo dados da Justiça Eleitoral, o MDB reúne mais de 37 mil filiados em Mato Grosso, atrás apenas do União Brasil, que ultrapassa a marca de 51 mil. Apesar da capilaridade e da tradição política, a legenda enfrenta dificuldades para converter sua estrutura partidária em força eleitoral.
Com o encerramento do calendário eleitoral de 2026, a intenção é iniciar a reorganização da sigla de olho nas eleições municipais de 2028, quando estarão em disputa as 142 prefeituras e mais de 1,4 mil vagas nas câmaras municipais. O desafio será recuperar protagonismo nos municípios e evitar que o partido continue perdendo espaço para as forças políticas que ganharam terreno no estado.
Após o segundo turno, Janaina fez uma viagem internacional e atualmente está em Brasília. Lideranças emedebistas esperam que ela retorne a Cuiabá nos próximos dias, quando as conversas sobre o futuro da legenda poderão avançar.
Crise
O avanço do bolsonarismo em Mato Grosso provocou uma reconfiguração do cenário político estadual, com perda de espaço de partidos tradicionais, sobretudo os de centro e centro-direita. O MDB está entre as siglas que sentem os efeitos desse movimento. A crise, embora reconhecida por lideranças do partido, ainda é tratada com cautela nos discursos públicos.
Até o momento, um dos poucos integrantes da bancada estadual a se manifestar abertamente sobre a situação foi o deputado Dr. João. Ele defendeu a retomada da militância como caminho para recuperar a força política da legenda. Ao mencionar a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno, no último domingo (25), atribuiu parte do resultado à mobilização dos apoiadores e afirmou que o MDB precisa resgatar essa capacidade de organização.
Na Assembleia Legislativa, além de Dr. João, o partido conseguiu reeleger Thiago Silva e eleger o ex-prefeito de Primavera do Leste, Léo Bortolin.
Sem vaga
A partir de fevereiro de 2027, o MDB de Mato Grosso viverá um marco negativo em sua trajetória política. Pela primeira vez em 32 anos, a legenda não terá representante do estado na Câmara dos Deputados.
O resultado ganha ainda mais dimensão quando considerado o histórico da sigla desde a divisão de Mato Grosso e a criação de Mato Grosso do Sul, em 1977. Esta será apenas a segunda legislatura em que o partido ficará sem um deputado federal mato-grossense. A primeira ocorreu entre 1991 e 1994.
A ausência na bancada federal representa mais um sinal do encolhimento político do MDB no estado e aumenta a pressão por uma reorganização interna. O desafio de Bezerra e das demais lideranças será encontrar um caminho para recuperar a influência de uma legenda que, durante décadas, esteve entre as principais forças políticas de Mato Grosso.
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