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Polícia Segunda-feira, 06 de Janeiro de 2025, 14:54 - A | A

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CASO RENATO NERY

Assassinato de advogado completa 6 meses e família segue sem respostas

Renato Nery foi morto a tiros no dia 5 de julho, quando chegava em seu escritório, na Avenida Fernando Corrêa, em Cuiabá

Da Redação

O assassinato do advogado e ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil - Seccional Mato Grosso (OAB-MT), Renato Gomes Nery, na porta de seu escritório, completa seis meses nesta segunda-feira (06). Este também é o período que a família continua sem respostas das autoridades policiais e judiciais.

 

Montagem/Rodinei Crescêncio

Renato Nery ex-presidente da OAB atentado Fernando Corr�a

 

“A sociedade e a família seguem aguardando respostas, mas, mais do que isso, clamam por justiça e segurança em um sistema que ainda parece falhar em proteger aqueles que ousam desafiar estruturas de poder”, aponta o advogado da família Nery, Walmir Cavalheri.

Uma câmera de segurança flagrou o momento em que Renato foi baleado, nas primeiras horas da manhã do dia 05 de junho. Após estacionar seu veículo, ele desembarcou, foi em direção à entrada e logo foi surpreendido por disparos, sendo um na cabeça. O assassino não apareceu nas imagens.

Mesmo sendo socorrido, encaminhado para um hospital e prontamente atendido, Nery não sobreviveu e foi a óbito no dia seguinte, 06, aos 72 anos.

Desde então, o caso está sob investigação, mas os resultados ainda são vagos. A Polícia Civil do Mato Grosso afirmou que segue apurando todas as hipóteses, incluindo a possibilidade de o crime ter sido encomendado devido às disputas judiciais nas quais Renato estava envolvido.

Suspeitas

Uma das linhas de investigação é que Renato tenha sido morto em decorrência de uma disputa de terra. Isso porque, 10 dias antes de ser assassinado, o advogado representou na OAB/MT uma acusação contra Antônio João de Carvalho, de comandar um escritório do crime voltado à venda de sentenças. O documento não ganhou atenção da diretoria da autarquia e só voltou à tona após o atentado, quando o documento foi entregue ao delegado responsável pelas investigações.

Nery pedia a abertura de um processo disciplinar contra Antônio João, e o acusou de se apropriar e negociar uma área que ele havia recebido como honorários de ações de reintegração de posse, na qual atuou por mais de trinta anos.

Reprodução de Vídeo

 Advogado Renato Nery � assassinado na porta de escrit�rio na Fernando Corr�a

Para ele, Antônio João seria proprietário de um “escritório do crime” por conta da influência que tem perante o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).

Outro fato que liga tal disputa de terra com o assassinato foi o bloqueio judicial de cerca de R$ 3,5 milhões em arrendamentos das referidas propriedades algumas semanas antes do crime. Essa decisão, tomada pela desembargadora Maria Helena Póvoas, bloquearia o pagamento do arrenadmento, gerando um impacto significativo nos interesses financeiros da outra parte. No entanto, o bloqueio também desencadeou uma escalada de tensões. Renato foi alertado de que enfrentava ameaças crescentes, mas subestimou os riscos.

No final de novembro, a Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Cuiabá deflagrou a Operação Office Crime, para cumprir cinco mandados de busca e apreensão como parte da investigação sobre o homicídio do advogado. Os alvos foram os advogados Antônio João de Carvalho Junior, Agnaldo Bezerra Bonfim e Gaylussac Dantas de Araújo, do escritório JB Advocacia, em Cuiabá; e o casal de empresários de Primavera do Leste, Cesar Jorge Sechi e Julinere Goulart Bentos.

 

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