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Polícia Quinta-feira, 07 de Julho de 2022, 12:04 - A | A

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Investigação

PF faz ação em MT e 6 estados contra extração e comércio ilegais de ouro

Além de Mato Grosso, os agentes cumpriram ordens judiciais no Acre, Goiás, Pará, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Rondônia

Da Redação

A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quinta (7), três operações contra extração e comércio ilegais de ouro, batizadas de Ganância, Golden Greed e Comando. No total, cumprem 82 mandados de busca e apreensão e cinco de prisão preventiva em Mato Grosso e seis estados. 

Além de Mato Grosso, os agentes cumpriram ordens judiciais no Acre, Goiás, Pará, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Rondônia. As organizações criminosas desarticuladas pelas operações de hoje comandavam garimpos ilegais desde 2012. A PF também investiga acusações de usurpação de bem mineral da União, falsidade ideológica, corrupção ativa e passiva, crimes ambientais, entre outras.

As investigações da Operação Ganância começaram em fevereiro de 2021 após uma denúncia envolvendo empresas de Porto Velho/RO ligadas ao ramo da saúde, as quais estariam lavando dinheiro de valores recebidos em licitações fraudulentas. Após as primeiras diligências, verificou-se que recursos ilícitos injetados em empresas da capital rondoniense eram oriundos de garimpo ilegal, praticado, pelo menos, desde 2012 pelos líderes da organização criminosa.

Rodinei Crescêncio

Fachada Policia Federal viaturas pf

A partir de então, foi revelada uma movimentação de quantias bilionárias pelo grupo criminoso, com depósitos e saques milionários em espécie, empresas de fachada e transferências bancárias entre envolvidos. Foram identificados diversos meios de lavagem de capitais praticados pela organização criminosa, com destaque entre os modus operandi, a criação de um criptoativo (token) próprio de uma das empresas, com a finalidade de justificar os valores advindos da extração ilegal do ouro nas empresas dos criminosos, como se fossem investimentos de terceiros interessados em receber dividendos.

A análise bancária feita pela Polícia Federal apontou ainda que, entre os anos de 2019 e 2021, o grupo criminoso movimentou mais de R$ 16 bilhões de reais em suas contas bancárias.

Foi possível demonstrar que a mineradora investigada “esquentava” o ouro extraído ilegalmente de outros garimpos da região norte do país utilizando-se de licenças ambientais inválidas e extrapolando os limites da licença de pesquisa e da guia de utilização que possuía para o local.

Estima-se que o rendimento da empresa tenha sido de R$ 1,1 bilhão. O valor do impacto ambiental em apenas um dos garimpos identificados na operação foi estimado em cerca de R$ 300 milhões.

Nesse garimpo, a área impactada pelos danos relativos à extração de ouro, que são cumulativos e potencialmente irreversíveis, chegaram ao total de 212 campos de futebol.

A Justiça Federal deferiu o bloqueio, sequestro e o arresto dos bens móveis e imóveis dos investigados até o limite de R$ 2 bilhões. (Com Assessoria)

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