Hipertensão, mais conhecida como pressão alta, é uma condição crônica em que a pressão exercida pelo sangue nas artérias se mantém elevada. Muitas pessoas possuem pressão alta durante anos, sem ter conhecimento disso. Na maior parte das vezes, a hipertensão não apresenta sintomas, porém quando permanece sem tratamento, lesa artérias e órgãos vitais do corpo. Por causa disso, a hipertensão é conhecida como “assassina silenciosa”.
A implementação do tratamento anti-hipertensivo com medidas farmacológicas e não farmacológicas visa, principalmente, a reduzir a morbidade e a mortalidade decorrentes dos valores elevados da pressão arterial. Apesar da efetividade e da eficácia comprovadas do tratamento, os índices de controle da hipertensão arterialn (HA) ainda são insatisfatórios na maioria dos países, inclusive o Brasil, onde de cada 5 hipertensos, apenas 1 está com a pressão arterial controlada. Os motivos para a falta de controle dos hipertensos são diversos, mas um dos fatores de maior peso nesse cenário é certamente a falta de adesão ao tratamento por diferentes motivos.
“Na maior parte das vezes, a hipertensão não apresenta sintomas, porém quando permanece sem tratamento, lesa artérias e órgãos vitais do corpo. Por causa disso, a hipertensão é conhecida como assassina silenciosa”
Fábio ArgentaUm documento da Organização Mundial da Saúde (OMS) publicado em 2003 definiu a adesão como o “grau em que o comportamento de uma pessoa – tomar o medicamento, seguir uma dieta e/ou executar mudanças no estilo de vida (MEV) – corresponde às recomendações acordadas com um prestador de assistência à saúde”.
O principal motivo do controle inadequado da HA parece ser o não cumprimento do tratamento a longo prazo, tanto em MEV quanto no que se refere à observação da prescrição médica medicamentosa.
A adesão ao tratamento é um processo complexo e multidimensional no qual se identificam barreiras reunidas em cinco dimensões:
Fatores sociodemográficos
• Baixa escolaridade; • Baixa renda;
Fatores relacionados ao tratamento medicamentoso
• Falta de medicamentos nos serviços de saúde; • Custo dos medicamentos; • Efeitos adversos; • Esquemas posológicos complexos; • Esquema terapêutico inadequado;
Fatores relacionados às equipes e o sistema de saúde
• Relacionamento médico/paciente inadequado; • Ausência de atendimento em equipe multiprofissional; • Tratamento não individualizado; • Falha de identificar a não adesão; • Comunicação ineficaz; • Falta de atualização.
Fatores relacionados com o paciente
• Negação do diagnóstico; • Falta de percepção do benefício do tratamento; • Conhecimento inadequado da doença e de seu tratamento; • Esquecimento de tomar a medicação; • Baixa motivação e autoestima; • Medo de dependência e dos efeitos adversos dos medicamentos.
Fatores relacionados com a doença
• Ausência de sintomas; • Presença de outras comorbidades associadas; • Abuso de álcool e drogas ilícitas; • Interferência na qualidade de vida
Estratégias para promover a adesão ao tratamento anti-hipertensivo
Intervenções no paciente
• Estratégias motivacionais; • Monitorização da pressão arterial domiciliar (medir a PA em casa); • Educação em saúde para promover autocuidado; • Usos de lembretes e caixas organizadoras de medicamentos; • Incentivar apoio familiar e social; • Envio de mensagem por telefonia móvel.
Intervenções no tratamento medicamentoso
• Evitar doses elevadas em monoterapia; • Escolha de medicamentos com menor perfil de eventos adversos; • Esquemas com melhor comodidade posológica: Dose única diária; Dois ou três anti-hipertensivos combinados no mesmo comprimido; • Receituário de fácil entendimento (escrito ou impresso); • Tratamento diferenciado de acordo com características clínicas e demográficas.
Intervenções nas equipes e sistema de saúde
• Estabelecer vínculo com o paciente; • Comunicação clara; • Atuação de equipe multidisciplinar (médico, enfermeiro, farmacêutico, educador físico, nutricionista, psicólogo, assistente social, agentes comunitários de saúde); • Facilitar acesso aos medicamentos.
Portanto, otimizar os índices de adesão ao tratamento anti-hipertensivo contribui para a diminuição dos custos de morbidade, mortalidade e com a assistência à saúde. Atualmente, dispõe-se de arsenal terapêutico por meio de tratamento medicamentoso e não medicamentoso com eficácia comprovada.
A adesão às propostas de tratamento e consequente controle dos hipertensos ainda é um grande desafio para todos os profissionais de saúde.
Fábio Argenta é médico cardiologista, especialista em hipertensão arterial, em Clínica Médica e Medicina de Urgência, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cardiologia de Mato Grosso, representante do Estado no Departamento de Hipertensão Arterial da SBC e conselheiro e membro da Educação Médica Continuada do CRM-MT. Escreve quinzenalmente este espaço, com exclusividade. Registros: CRM MT-4194 e RQE 2859. E-mail: fabio@mediodonto.com







