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CRIMES NA FRONTEIRA Quarta-feira, 10 de Fevereiro de 2021, 07:38 - A | A

Quarta-feira, 10 de Fevereiro de 2021, 07h:38 - A | A

SEM PROVAS DE EXCESSO

Inquérito segue, mas secretário admite a possibilidade de arquivamento do caso

Bárbara Sá
Enviada especial a Cáceres e a San Matías

Rodinei Crescêncio

Secret�rio de Seguran�a P�blica Alexandre Bustamante 2

Secretário de Segurança Pública do Estado, Alexandre Bustamante, recebeu a reportagem do em seu gabinete: Bolívia não solicitou informações

O secretário de Segurança Pública do Estado, Alexandre Bustamante, afirmou em entrevista ao que a investigação sobre as mortes de quatro chiquitanos, durante suposto confronto com policiais na fronteira de Mato Grosso com a Bolívia, em 11 de agosto do ano passado, está em andamento. Todavia, ele não descarta a possibilidade do inquérito ser arquivado por falta de provas de que os militares do Grupo Especial de Fronteira (Gefron) agiram com “excesso”. Apesar das investigações ainda estarem em curso, desde novembro de 2020 ninguém mais foi ouvido sobre o crime pela Polícia Civil.

Os Chiquitanos Arsino Sunbre García, de 53 anos, Pablo Pedraza, 38, Yona Pedraza Tosube, 26, e Ezequiel Pedraza Tosube, 18, morreram após o disparo de 29 tiros, sendo 27 de fuzil e dois de pistola. Os sargentos PM Anderson dos Santos Mello, de 39 anos, e José Silvio Cardoso de Oliveira, e os soldados Cristiano Kozen, 32, e Marcos Aurélio Espindola Pereira, 35, envolvidos na situação, continuam trabalhando.

 “Bom, tem apuração por parte da delegacia, que tem o acompanhamento do Ministério Público (MPE) e vai ser analisado pela Justiça. O que podemos falar é que tudo está sendo feito com o acompanhamento MPE e da OAB, e vai ser passado para Justiça para avaliação”, explicou Bustamante.

Bustamante destaca que não existe proteção de nenhum agente público. “Não há proteção de ninguém. Se tiver responsabilidade iremos responder. Mas se não tiver também será arquivado. Os policiais continuam trabalhando na medida do possível, pois até agora não há nada que prove que houve excesso”, frisa.

“Não recebemos documento de país nenhum, nada foi encaminhado para a Secretaria de Segurança Pública do Estado de Mato Grosso”

Com relação ao inquérito, o secretário destaca que a delegada que está conduzindo as investigações é muito responsável e confia na sua atuação. “Ela sabe o que também precisa ser feito. E caso não estejam de acordo, o Ministério Público irá se manifestar, a OAB e a Defensoria Pública também. Mas, até agora, ninguém se manifestou no inquérito pedindo a oitiva de ninguém”, apontou.

Bustamante também destaca que o caso também é investigado pela Polícia Federal, a pedido do Ministério Público Federal (MPF), e que ambos podem trocar informações.

“A relação com a Polícia Federal sempre foi muito boa. A FICCO, força tarefa montada em combate ao crime organizado foi montada pela confiabilidade que a gente tem. Essa confiabilidade que tem um no outro. O trabalho que a gente tem feito tanto aqui no Estado e a parte da inteligência da PF têm dado bons resultados. A ideia é continuar com essa parceria, não só no combate ao crime organizado, mas com todos os crimes que a gente entenda que for necessário”, destaca.

Sem solicitações ou denúncias

Segundo o titular da Sesp, até o momento também não houve solicitação por parte do governo da Bolívia de documentos ou de informações sobre o caso.

“Não recebemos documento de país nenhum, nada foi encaminhado para a Secretaria de Segurança Pública do Estado de Mato Grosso. O canal competente que é para fazer isso é o Ministério das Relações Exteriores via Ministério da Justiça e só depois vai chegar para nós. Por enquanto, não chegou nenhum documento desde o acontecido”, falou.

A reportagem também questionou o secretário Bustamente sobre denúncias de que policiais do Gefron estariam invadindo propriedades no entorno da Fazenda São Luiz, cerca de 10 km da comunidade de chiquitanos, San José de La Frontera, em San Matías, na Bolívia. Contudo, ele afirmou que nada chegou à Sesp.

O ainda perguntou se acaso algum policial estivesse fazendo isso, ele respondeu: “mando apurar. Aqui nenhum documento fica sem apuração. Chegando documento vou mandar apurar. Agora, se não tiver evidências, vou representar a pessoa que fez a representação por denunciação caluniosa”, finalizou.

Cerca de 1 hora depois de conceder entrevista ao , o secretário recebeu da Ouvidoria Geral de Polícia um documento assinado pelas instituições que compõem a Rede de Proteção aos Direitos Humanos da Fronteira Brasil-Bolívia em Mato Grosso.

No documento, que foi encaminhado e protocolado no inquérito da Polícia Federal, constam falas de moradores da fronteira que alegam estar sofrendo constrangimentos por parte de policiais do Gefron. Segundo o defensor Renan Sotto Mayor, “é necessário tomar providências para garantir a tranquilidade da população da fronteira, que tem no Gefron uma referência de segurança pública”.

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