A Copa do Mundo não é nossa
Na semana passada que antecedeu o enfrentamento dos arqui-rivais Palmeiras e Corinthians, a agitação tomou conta de todos os espaços e ambientes. Era um frenesi total. Apostas, teorias, conspirações, defesa de posições, demonstração de amor aos clubes, nada diferente do que uma boa final de copa do mundo. Quem não tinha lado, passou a ter um e na grande maioria dois. Uns alviverdes e outros alvinegros. A dupla torcida ficou por conta dos vascaínos palmeirenses e corintianos flamenguistas.
Pouco importa aqui discutir qual o melhor clube, a maior torcida, a melhor torcida, o que tem mais história, a torcida mais apaixonada por seu clube. Isso é relevante, mas o que se deve ressaltar é a força desse esporte, que mesmo sendo objeto de várias críticas pela conduta de seus dirigentes, consegue demonstrar capacidade incrível de mobilizar milhões de pessoas sem nenhum tipo de discriminação para torcer em uma final de campeonato brasileiro, disputado com muita garra, suor, amor e respeito ao torcedor de todas as equipes protagonistas.
Se no campeonato brasileiro o delírio é total, nada custa imaginar o que será na copa do mundo de 2014, no entanto nem por isso devemos nos curvar a interesses escusos de dirigentes internacionais da instituição - FIFA - que comanda a principal competição internacional de futebol. A Copa do Mundo. A forte pressão exercida para que modifique o estatuto do torcedor permitindo a venda de bebidas alcoólicas nos estádios é um verdadeiro retrocesso. O contrário era o esperado e o correto.
O que se espera de uma instituição desse porte é a utilização do esporte que tem um grande apelo popular para propagar a paz, a união do povos, o respeito à vida, o combate aos vícios, a violência e as drogas. A indevida intromissão da FIFA para modificar nossa legislação para pior, não tem respaldo em nenhum organismo internacional de defesa do cidadão e dos direitos humanos, portanto não cabe a nós mesmo que fanáticos torcedores permutar nossa dignidade e soberania, a fim de amealhar migalhas, cujo resultado será o aumento da violência, trazendo sérias conseqüências para o nosso país.
José Patrocínio de Brito Júnior é advogado, professor universitário e escreve exclusivamente para este blog às quintas-feiras - jpbj.adv@uol.com.br