Amor à poesia
Luiz Henrique Lima
Confesso que amo a poesia.
Não sei exatamente quando essa paixão começou, mas, ainda na adolescência, já sabia alguns poemas de cor e, de vez em quando, rabiscava versos. O fato é que esse encantamento ainda perdura. Não há um dia sequer em que alguma situação que vivencie ou alguma notícia que eu leia não me traga a lembrança de algumas palavras de um dos meus poetas favoritos.
Sim, são vários. Essa paixão não é monogâmica.
Ao longo da vida fui descobrindo autores diversos cuja poesia me tocou de diferentes formas. Houve os que provocaram surpresa, emoção, alegria ou tristeza. Houve poetas que despertaram minha consciência política e fortaleceram meu engajamento nas causas sociais e ambientais; outros me inspiraram a contemplar a beleza e a delicadeza da vida.
Alguns poemas marcaram momentos especiais da minha vida. Outros me acompanham continuamente e a eles retorno de forma constante, como quem frequenta um restaurante e sempre pede o seu prato favorito.
Que bom seria se valorizássemos alguns de nossos autores e eles tivessem a oportunidade de percorrer escolas, igrejas, presídios, associações e abrigos semeando poesia! Deixo a ideia à reflexão de nossos parlamentares e governantes
Entre meus poetas prediletos está Cora Coralina, cujos versos cito em livros e aulas. Também destaco Manoel de Barros, Mário Quintana, Drummond, Cecília Meireles e Ferreira Gullar. Sempre aprecio os clássicos, como Camões, Castro Alves e Gonçalves Dias. Emociono-me com os grandes letristas da MPB, como Chico Buarque, Gilberto Gil, Milton Nascimento, Fernando Brant, Paulo Cesar Pinheiro, Aldir Blanc, Taiguara e tantos mais. Tenho ainda minhas quedas por poemas de Pessoa, Vinicius e Bandeira, além de autores em outros idiomas como Neruda, Louis Aragon, Jacques Brel e Pablo Milanés.
Em outras ocasiões, escrevi sobre cidades e países que reverenciam seus poetas, como Rio Claro (RJ) com Fagundes Varela, Porto Alegre com Quintana, Granada com García Lorca, o Irã com Hafez e a Nicarágua com Rubén Darío.
Recentemente, fiz um curso de leitura de poesia conduzido pelo poeta estadunidense Billy Collins e descobri uma experiência inspiradora. Collins foi nomeado Poeta Laureado dos Estados Unidos de 2001 a 2003. O título de Poeta Laureado remonta às tradições literárias europeias e simboliza o reconhecimento público do papel da poesia na vida cultural de uma nação. Nos Estados Unidos, é escolhido pelo Bibliotecário do Congresso, tem mandato de um ano, renovável, e sua função é promover o interesse pela poesia, desenvolvendo projetos para ampliar o acesso do público à literatura. No Reino Unido, o Poeta Laureado é nomeado pelo monarca e o cargo existe desde o século XVII. Cargos semelhantes existem em países como o Canadá, a Irlanda e a Nova Zelândia.
Fiquei imaginando se não poderíamos seguir esses exemplos e instituir também poetas laureados, em nível nacional, estadual e municipal. Que bom seria se valorizássemos alguns de nossos autores e eles tivessem a oportunidade de percorrer escolas, igrejas, presídios, associações e abrigos semeando poesia! Deixo a ideia à reflexão de nossos parlamentares e governantes.
Viva a poesia!
PS: A exemplo do que fiz no primeiro turno, parabenizo os governadores eleitos neste segundo turno e, especialmente, o presidente Lula e o vice-presidente Alckmin pela vitória em eleições democráticas. A todos, desejo sucesso e que correspondam à confiança e à esperança do povo brasileiro. Que a democracia, assim como a poesia, seja sempre cultivada e celebrada.
Luiz Henrique Lima é professor e escritor