Cuiabá, 31/10/2026

E nós com isso?

    A semana passada foi de esperança e terror, principalmente pela tomada da favela da Rocinha pelo poder público. Esperaram oitenta anos para, enfim, tomarem a atitude correta. Mas, e nós o que temos com isso? Nada e tudo ao mesmo tempo, pois depende da ótica de cada um.

    A favela da Rocinha (segundo a fonte pesquisada) é uma das maiores favelas do Brasil, reconhecida internacionalmente pelas suas carências e seu enorme tamanho. Estima-se que a população atual da Rocinha esteja em torno dos 150 mil habitantes. O número mostra que a favela dobrou em dez anos. A história conta que a Rocinha surgiu após a Segunda Guerra Mundial, com a chegada de agricultores portugueses, franceses e italianos que se estabeleceram em pequenos sítios nas encostas. Por volta de 1930, tornou-se um centro fornecedor de hortaliças que abastecia a zona sul da cidade. No final de 1950, vieram mais imigrantes, desta vez oriundos de outras partes do Brasil, como as regiões agrícolas mineiras e nordestinas.

    Hoje a Rocinha tem redes de fast food, sinal de TV a cabo, de rádio e de internet, lan houses, casas de shows, academias de ginástica, posto de saúde, agência dos correios, agências bancárias, escolas públicas e várias creches comunitárias. Além disso, possuem canal próprio de TV, rádios da comunidade e sites. É apoiada por uma variedade de ONGs e participa de diversos projetos da prefeitura e do governo federal.

    Em 1993, a Rocinha foi transformada em bairro. Aqui entra o que nós temos com isso. Temos a lição de vida, a lição de gestão e que esse exemplo sirva como alerta para as autoridades aqui da nossa Cuiabá. Não podemos deixar que aconteça o mesmo por aqui. Não vamos esperar nem mais um ano sequer para fazer o que deve ser feito para os bairros carentes de Cuiabá. Não temos morros, mas temos inúmeros bairros, com uma população também considerável de cidadãos e eleitores a espera da presença do poder público com tudo que lhe é de direito. Vi esta semana uma reportagem sobre um campinho de futebol, que o bairro usava para lazer e que estava completamente abandonado, cheio de mato.

   Então, está mais do que provado, que onde falta o Estado a revolta, a marginalidade e a violência tomam conta. Precisamos estar atentos. Existe o pré-Copa e o pós-Copa, pois muitos dos que estão vindo para a nossa capital para completar a escassez de mão de obra, aqui deverão permanecer. O Estado precisa ocupar seu lugar de direito e de fato em todos os lugares que se faz necessário, principalmente nos bairros periféricos onde falta tudo, ou quase tudo e de onde surge a maioria dos sem documentos, dos aviõezinhos, dos moradores de rua, dos flanelinhas, dos cuidadores de carros (?), tudo justificado em nome de falta de estrutura familiar, falta de regras, falta de responsabilidades diante da vida, falta de educação, saúde, esporte, cultura e lazer que preencham o tempo desses jovens e os motivem para o caminho do bem e do trabalho digno.

   Então, não temos nada com isso? Se não, que fique pelo menos a lição.

   Inês Martins é produtora cultura, escritora, autora do concurso literário "Casos Lembrados, Casos Contados", direcionado às pessoas com idade acima de 60, poetiza, palestrante da maturidade, vovó blogueira e escreve neste espaço toda quarta-feira (www.vovoantenada.com.br)