Cuiabá, 12/10/2026

Jayme e Wilson afinam discurso de oposição

Fernando Ordakowski
 

 
Senador Jayme Campos e o prefeito de Cuiabá Wilson Santos fazem acordo para governador e unem DEM e PSDB

 Jayme Campos e Wilson Santos, que foram inimigos políticos históricos nas décadas de 1990, decidiram desde já bater o martelo sobre alianças majoritárias, principalmente para o governo do Estado, seguindo a conjuntura nacional que contempla DEM e PSDB no mesmo palanque na corrida à sucessão presidencial. A partir de agora, o senador e o prefeito de Cuiabá vão afinar o discurso como opositores ao Palácio Paiaguás e disparar críticas e ataques ao governo estadual. Esse contraponto, na tentativa de descontruir a gestão Blairo Maggi e atingir o vice Silval Barbosa, pré-candidato a governador pelo PMDB, vai se intensificar a partir de 31 de março, quando Maggi deixa a cadeira de chefe do Executivo para buscar projeto ao Senado.

    Com a máquina estadual sob seu controle, Silval partirá para a reeleição. Terá a seu favor uma estrutura com 24 secretarias, órgãos e empresas vinculadas e que empregam quase 100 mil servidores e um orçamento de quase R$ 9 bilhões. Se de um lado, o nome do peemedebista ganha visibilidade e deve aglutinar apoios de partidos governistas, como PT e PR, de outro, vai virar "saco" de pancada dos opositores. A dupla Jayme-Wilson já começou a agir nos bastidores. Seus principais assessores começaram a mapear o Estado, para detectar onde o nome de Silval tende a crescer, para entrarem em campo.

   Jayme e Wilson fecharam acordo para o nome que melhor pontuar nas pesquisas de intenção de voto, em pesquisa a ser feita entre fevereiro e março, vir a ser o candidato ao Paiaguás do grupo. Hoje, a vantagem seria do tucano. No geral, Jayme oscila entre segunda e quarta colocação. Alguns acham que a coligação PSDB-DEM trará desgaste para os dois grupos, que foram adversários no passado. Quando era deputado estadual nos anos 90, Wilson batia dura em Jayme, que ocupava a cadeira de governador pelo velho PFL (hoje DEM). Os dois só foram se aproximar nas eleições de 2002. Mesmo assim, as cúpulas tucanas e democratas acham que as rusgas do passado não vão enfraquecê-los e nem trazer desgaste junto ao eleitorado. Os dois possuem perfis similares. São populistas. Wilson se destaca pelo bom discurso, mas enfrenta problemas administrativos em Cuiabá por causa de projetos empacados, como alguns obras macro de infraestrutura, entre elas as avenidas das Torres e Rodoanel e os projetos do PAC, que devem receber R$ 238 milhões da União, com contrapartida do Estado na área de saneamento em geral.

   Jayme nada tem a perder. Ex-prefeito de Várzea Grande por três mandatos e ex-governador, o democrata tem o mandato de senador assegurado até 2014, ano em que Cuiabá será uma das 12 sedes da Copa do Mundo. Se vier a disputar o Paiaguás de novo e perder, Jayme tem a cadeira no Congresso Nacional garantida. Também correm por fora como alternativas ao governo do Estado o empresário Mauro Mendes (PSB) e o juiz federal Julier Sebastião da Silva, que tem até 4 de abril (6 meses antes das eleições) para decidir se será ou não candidato.