Cuiabá, 01/11/2026

Blairo defende uso do Fethab para acabar com caos na saúde, mas por pouco tempo

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Ministro da Agricultura e principal liderança do Agronegócio em Mato Grosso Blairo Maggi

Principal liderança do agronegócio em Mato Grosso ministro da Agricultura Blairo Maggi (PP) defende o uso do Fundo Estadual de Transporte e Habitação (Fethab) para por fim ao caos na saúde do Estado. Entretanto, avalia que isso ocorra a curto prazo até que o governo consiga regularizar os repasses.

"Eu não sou contra o governo utilizar os recursos do Fethab para socorrer a saúde pública. Agora se isso se transformar em lei definitiva, aí o Fethab tem que acabar, porque perde a sua essência”, disse Blairo, em entrevista ao jornal Diário de Cuiabá.  

O posicionamento do ministro da Agricultura é feito em meio a uma forte resistência do agronegócio à proposta. Até mesmo seu primo, o sojicultor Eraí Maggi, é contra a aplicação do Fethab em outros setores e alerta que se isso acontecer vai morrer muito mais gente. Ele defende a aplicação integral do fundo na pavimentação e asfaltamento das estradas, deixando assim de atender a habitação.

“Sei que os produtores não vão gostar da ideia e do que estou falando, mas se for por um período pequeno e para amenizar a crise na saúde, eu não sou contra", reafirmou Blairo. 

A possibilidade de usar parte dos recursos do Fethab para cobrir um déficit de R$ 162 milhões na saúde estadual enfrenta oposição do setor do agronegócio e dos municípios. O Fórum Agro MT – composto pelas entidades Famato, Aprosoja, Ampa, Acrimat, Acrismat e Aprosmat – afirma que ao invés do governo pensar em utilizar o recurso do fundo para a saúde, deveria buscar a implementação de uma reforma estruturante de austeridade fiscal para as finanças do Estado.

Ainda de acordo com os representantes do  agronegócio, a história recente já mostrou que as soluções emergenciais e paliativas não contribuem para resolver em definitivo nenhum problema. Diante do embate, o governador Pedro Taques (PSDB) pediu que o presidente da Assembleia Eduardo Botelho dialogue com o setor produtivo. “O governador não quer fazer nada por imposição. Alguém tem que perder recursos para atender a saúde, que é emergencial.” 

O governador criou na terça (30) uma comissão formada por seis deputados estaduais, seis prefeitos e a equipe econômica do Executivo, para discutir a  utilização do dinheiro do Fethab - hoje repassado para as cidades - para o pagamento de dívidas da saúde. 

"O  problema da saúde não é do Poder Executivo, é da sociedade.  Eu não tenho fábrica. Nós precisamos entender que nesse momento todos têm de dar parcela de contribuição e isso nós faremos",  disse Taques.