Cuiabá, 09/10/2026

Seria uma boa criar CPI do roubo da AL, alfineta Taques em indireta à Janaína

O governador Pedro Taques evitou comentar sobre a criação de CPI, proposta pela deputada da oposição Janaina Riva (PMDB), para investigar o MT Prev, mas alfinetou a parlamentar ao dizer que seria interessante criar uma comissão para apurar os roubos da Assembleia dos últimos 20 anos.

“É importante, mas não me cabe discutir se tem que ter ou não. Se eu fosse discutir CPI, eu daria ideia da CPI do roubo da Assembleia de R$ 500 milhões que o Ministério Público diz que roubaram nos últimos 20 anos.”

A “indireta” foi ao pai de Janaína, José Riva, que atuou no Legislativo por 20 anos (atuando como presidente e 1º secretário) e hoje responde a vários processos na Justiça por atos de corrupção. Riva chegou a confessar a prática de desvio de verba do Parlamento para liberar o pagamento R$ 9,4 milhões, referente a dívida que a Assembleia tinha com o banco HSBC.

Gilberto Leite/Rdnews

Pedro Taques e Janaína Riva posam durante entrega de ambulâncias. Momento de trégua entre os 2

No processo relativo à Arca de Noé também admitiu participação em esquemas de lavagem de dinheiro e desvio de recursos. Na última audiência na 7ª Vara Criminal e disse: "eu falo por mim, fiz um exame de autoconsciência. Fiquei 20 anos fazendo coisa errada. Não quero mentir para imputar nada a ninguém". Na ocasião, ratificou depoimento em que admitiu participação em crimes relativos a 15 processos da operação que prendeu o comendador Arcanjo Ribeiro.

O pai de Janaína é considerado o maior ficha suja do Brasil. A parlamentar, por sua vez, desde o início do mandato, busca "descolar" a sua imagem da do pai. Alega que não possui o mesmo CPF e que ele responde por seus atos.

CPI

Janaína propôs em fevereiro a criação da CPI do MT Prev para apurar os responsáveis pelo rombo do fundo previdenciário dos servidores estaduais. A previsão para este ano é que a previdência tenha um rombo de R$ 800 milhões. Diante disso, o governo trabalha para aumentar a contribuição dos beneficiários de 11% para 14% da alíquota. A deputada já tem nove, das oito assinaturas necessárias para viabilizar a criação da comissão.