Cuiabá, 01/11/2026

4 dias após invadir fazenda de ministro, MST coloca fogo em trilhos de ferrovia

Reprodução

 Fogueira montada em cima de trilhos da FerroNorte

Quatro dias após integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) invadirem a fazenda do ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Blairo Maggi (PP), membros do movimento acendem fogueiras em cima dos trilhos da FerroNorte, que cruza Rondonópolis. 

O movimento é em represália ao Estado por benefiar o agronegócio e supostamente fechar os olhos para a diversidade de problemas sociais e ambientais causados pelos transportes ferroviário de carga. “Como os impactos amplamente denunciados pela articulação Justiça nos Trilhos, em relação ao trem da vale”, diz trecho da nota.

Nessa linha, o MST lembra que o governador Pedro Taques (PSDB) debate a expansão da ferrovia,  chegando até Lucas do Rio Verde, passando por Cuiabá. “Afirma (Taques) ser este um sonho antigo dos mato-grossenses (desde a década de 1970), apenas se esquece que era um sonho voltado para a melhoria da qualidade do transporte das pessoas, e não cortar o estado com ferrovias para gerar mais riquezas apenas ao agronegócio”, aponta outro trecho. 

No entanto, o movimento entende que apenas as obras de infraestrutura com objetivo de melhorar o desenvolvimento do agronegócio tem prioridade em investimentos em detrimento das regiões onde não se consolidou este modelo.

“Em detrimento aos trabalhadores rurais e do serviço público que vem tendo sistematicamente seus direito negados, principalmente aos reajustes salariais, e do uso de cargos públicos, seja no Executivo ou no Legislativo para atuar em benefício próprio, que o MST ocupa hoje os trilhos da ferrovia Ferronorte”.

Na nota, o movimento diz ainda que Blairo Maggi apresentou a licitação da Ferrogrão no valor estimado em R$ 10 bilhões. O MST entende que isso demonstra interesse das principais empresas que fazem negócio com a comercialização de grãos, incluindo a própria Amaggi. Cita também a Cargil, Adm e Bunge.

Ainda conforme o movimento, a Ferronorte e a Ferrogrão integram uma demanda de quatro ferrovias que ampliará o escoamento da soja produzida em Mato Grosso. Para eles isso não significa aumento da arrecadação do Estado.

“Pois o setor que será contemplado com esse investimento é o mesmo setor que nos últimos 17 anos recebeu quase R$ 40 bilhões em isenções. Além de que a justificativa do aumento de trabalho não se viabiliza, já que segundo a Cosan em 12 mil km de ferrovia gera apenas 12 mil empregos". (Com Assessoria)