CPI da Covid é mote em atos contra e a favor de Bolsonaro no Dia do Trabalhador
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Deputado José Medeiros desfila com réplica do presidente Bolsonaro em Rondonópolis
Para manifestar apoio ao presidente da República Jair Bolsonaro (sem partido) e temendo o impacto político da CPI da Covid no Senado, manifestante de direita saíram às ruas em Mato Grosso neste sábado (1º). Cuiabá e Rondonópolis realizaram carretas organizadas por movimentos conversadores e políticos bolsonaristas.
O 1º de Maio, Dia do Trabalhador, é uma data historicamente celebrada pelos movimentos sindicais ligados à esquerda No entanto, neste ano, foi "sequestrada" pelos bolsonaristas.
Em Cuiabá, concentração do ato teve início às 15h, na Praça das Bandeiras, no Centro Político Administrativo. De acordo com as equipes da Segurança Pública que realizaram o apoio na carreata, participaram cerca de 400 veículos.
O lema da carreata pró-Bolsonaro, organizada pelos movimentos Direita Mato Grosso e Brasil 38, é “Eu autorizo o presidente”. Conforme o organizador, Rafael Yonekubo, isso significa o apoio dos manifestantes para Bolsonaro “fazer o que precisar ser feito”.
No entanto, o ativista nega que a carreata reivindique atos extremos como intervenção militar. Segundo Rafael Yonekubo, medidas dessa natureza têm o repúdio do próprio Bolsonaro.
“Queremos que o presidente continue combatendo a pandemia ao mesmo tempo que defende o direito dos brasileiros trabalharem. E que siga fazendo um governo honesto, sem corrupção e comprometido com os valores morais das nossas famílias”, pontuou.
Em Rondonópolis, além da exaltação a Bolsonaro, os manifestantes, liderados por parlamentares como o deputado federal José Medeiros (Podemos) e o estadual Delegado Claudinei (PSL), pediram “voto impresso auditável” para a próxima eleição, quando o presidente da República deve tentar se reeleger.
O desgaste do presidente durante a condução da crise pela pandemia de Covid-19 que já fez mais de 400 mil vítimas no país, pode se agravar com condução das investigações pelo Senado e apoiadores veem risco de que ele não cumpra com o mandato.
“A todos aqueles que querem destruir a nação brasileira, quero dizer que respeitem a nossa escolha, respeitem a democracia. Não tenho dúvida que, hoje, vão frear e deixar o presidente terminar o mandato”, discursou Medeiros aos manifestantes em Rondonópolis. O parlamentar bolsonarista fazia referência à ameaça da CPI e comemorou as manifestações que também ocorreram em outros estados.
Passeata da esquerda
Bruna Obadowski
Manifestantes desfilam com caixão simbolizando o enterro do presidente Jair Bolsonaro
As manifestações de grupos de esquerda, contrário ao presidente Bolsonaro, não foram expressivas. Na Capital, um grupo de 20 manifestantes saiu em cortejo da Praça Maria Taquara até a Praça Alencastro, em frente à Prefeitura. Em cartazes, destacaram a data do Dia do Trabalhador e homenagearam as mais de 400 mil vítimas da Covid no país, sendo 9,8 mil em Mato Grosso. Eles ainda cobram o andamento das investigações pela CPI da Covid no Senado. A vereadora Edna Sampaio (PT) liderou os manifestantes.
A CUT e demais centrais sindicais (Força Sindical, UGT, CTB, CSB, NCST, CGTB, Intersindical e Pública) realizaram uma live, a partir das 14h, nas redes sociais das entidades, com a seguinte pauta: defesa e respeito à vida, auxílio emergencial digno e emprego decente.
O ato virtual teve participação dos ex-presidentes da República Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff e Fernando Henrique Cardoso, além de parlamentares e lideranças partidárias e de movimentos sociais, de entidades sindicais internacionais e representantes de diferentes religiões.
Ontem (30), a CUT-MT realizou panfletagem do 1º de Maio na Praça Ipiranga, com distribuição de máscaras para a população. Poucos trabalhadores aderiram ao protesto.