Parente amazônica da jaboticaba e rica em vitamina C, o camu-camu é alvo de uma pesquisa que busca ampliar o conhecimento sobre a espécie e abrir possibilidades de renda para comunidades ribeirinhas, indígenas e agricultores familiares. Desenvolvido pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), o estudo avalia populações nativas nas reservas do Cristalino e a produção de mudas fora das áreas alagadas onde a planta cresce naturalmente.
A pesquisa integra o mestrado do engenheiro agrônomo Marcelo da Silva Luiz no Programa de Pós-graduação em Agronomia do câmpus de Ilha Solteira. Coordenado pelo professor Antonio Flávio Arruda Ferreira, o trabalho segue até dezembro de 2027, em parceria com a Fundação Ecológica Cristalino (FEC).
Conhecido também como araçá-d’água ou caçari, o camu-camu tem o nome científico Myrciaria dubia. Segundo informações divulgadas pela equipe, a fruta concentra de 20% a 30% mais vitamina C do que a acerola, referência nesse nutriente.
O estudo tem duas frentes. A primeira analisa a diversidade genética e as características físicas e fisiológicas das populações presentes nas Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs) do Cristalino, na região do arco do desmatamento. A segunda avalia a germinação das sementes e o crescimento das mudas em terra firme.
A proposta é reunir informações que contribuam para a conservação e o manejo sustentável da espécie, além de investigar as possibilidades de cultivo fora das margens dos rios.
Entre os dias 11 e 14 de outubro, Marcelo percorreu as margens do rio Cristalino, mapeou plantas nativas com auxílio de GPS e coletou frutos. A próxima etapa será analisar o parentesco entre os exemplares para investigar se uma única planta matriz pode ter originado as demais.
Os frutos também passarão por análises físicas e químicas em laboratório. Serão medidos os teores de vitamina C e de antocianinas na casca e na polpa, compostos de interesse para as indústrias cosmética e farmacêutica.
“O camu-camu é uma espécie praticamente de várzea”, explica Marcelo. Isso significa que a planta cresce em locais alagados permanentemente ou em determinados períodos do ano.
“O desafio da segunda frente do estudo é justamente tirá-la desse ambiente: as sementes passarão por germinação fora da região alagada e as plantas serão submetidas a testes de luminosidade e sombreamento com telas sombrite preta, vermelha e termorrefletora (prateada). Serão analisados o crescimento e as características fisiológicas das mudas”, complementa.
Além de publicações científicas, a pesquisa deverá resultar em materiais de divulgação e cartilhas com orientações de plantio e manejo. Segundo a equipe, a falta de informações claras sobre o cultivo ainda limita o aproveitamento da espécie.
“Poucas pessoas no Brasil sabem que essa planta existe”, afirma Marcelo. “A gente vai trazer novamente a visibilidade para essa fruta, porque ela merece.”
A consultora em Pesquisa e Gestão das Reservas Cristalino, Mayara Gomes Correa, destaca que os resultados poderão apoiar a conservação, a restauração ecológica e o cultivo sustentável.
“O estudo do camu-camu, espécie nativa da região, permitirá conhecer melhor a variabilidade genética das populações presentes nas reservas e avançar no desenvolvimento de técnicas para a produção de mudas. Os resultados poderão orientar ações de conservação da espécie, restauração ecológica e cultivo sustentável.”
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