Cuiabá, 03/11/2026

Organizador de torneio rechaça elo com facção e afirma que polícia é bem-vinda

Arlindo diz que organiza torneios há 20 anos que não é possível controlar o que ocorre fora dos campos

O professor de Educação Física, Arlindo dos Santos Pinho, responsável pela organização da 3ª Copa Cuiabá de Futebol Society, realizada no último sábado (7), em um mini-estádio do bairro Cidade Alta, na Capital, garante que a competição não tem ligação com facções criminosas que atuam na região. Arlindo pondera que, há 20 anos, organiza os jogos na região e não possui controle sobre o que acontece fora de campo. 

A semi-final da 3ª Copa Cuiabá de Futebol Society aconteceu no sábado (7), mesma data em que moradores do bairro Jardim Independência, localizado nas proximidades de onde foi realizada a competição, procuraram a reportagem do #rdnews para denunciar brigas, festas com músicas de apologia ao crime, uso de drogas e menores de idade consumindo bebidas alcóolicas. Para eles, tudo isso ocorre em consequência dos jogos. 

Keka Werneck

Advogado Marcione Mendes e professor Arlindo em entrevista na sede do Rdnews. Eles negam que facção tenha ligação com organização de campeonato

A denúncia dos moradores cita a presença de membros de uma facção na organização dos jogos. Arlindo, por sua vez, rechaça. Ele garante que trabalha com este tipo de competição há 20 anos e que tudo é organizado dentro da legalidade. "Não tem nenhuma fação comigo. Sou professor, sou formado, além disso sou pai e avô, minha neta fica comigo na beira do campo. Além desse jogo de sábado, estamos organizando outros em um estádio no Cidade Alta e no Jardim Cuiabá", assevera. 

Reprodução

Festa e torneio, aos sábados, no Jardim Independência, são críticados pelos moradores

O professor também explica que, com a construção da Arena Pantanal, três campos de futebol society que existiam na região foram fechados, sendo que o mini estádio, onde foi realizada a semifinal da 3ª Copa Cuiabá de Futebol Society, foi um dos campos que continuam abertos à sociedade. 

O advogado de Arlindo, Marcione Mendes Pinho argumenta ainda que os campeonatos são feitos para que a comunidade tenha acesso à atividades de lazer e esporter, sendo uma iniciativa de serviço social. Durante os jogos, segundo ele, cerca de mil pessoas chegam a frequentar os campos onde são realizados os torneios de futebol society, entre elas, vendedores ambulantes que vão ao local para comercializar lanches, bebidas e espetinho. 

Para Arlindo, não é possível "controlar" quem poderá participar da competição. "Infelizmente no meio tem todo mundo, são times convidados, as pessoas vão lá e inscrevem seus times. Se tem alguém por trás, se é facção ou bandido, foge do nosso controle". 

O organizador dos jogos também explica que não é contra o policiamento durante as partidas. De acordo com ele, as guarnições são bem-vindas durante os dias de jogo. Arlindo afirma que costuma atender aos pedidos de moradores que reclamam do volume do som, já que o torneio conta com um narrador. 

"O barulho e a movimentação são as equipes que fazem, porque colocam som nos carros, pedimos para abaixar, mas não somos autoridade para eles. Se a comunidade se sentir incomodada, podem chamar a polícia para colocar ordem e fazer valer seus direitos, em vez de procurar um jornal. Essa movimentação no bairro já existe há muito tempo", finaliza.