Padre vê vandalismo em destruição de imagem de Nossa Senhora em Cuiabá
Líder religioso comentou sobre os casos ocorridos em Cuiabá e Jauru e ressaltou importância de investigação
O administrador da Arquidiocese de Cuiabá, padre Deusdedit Monge de Almeida, discordou da versão apresentada pelo prefeito Abilio Brunini (PL) sobre a destruição da imagem de Nossa Senhora Aparecida instalada junto à Cruz do Chilão, no bairro Santa Helena, na capital. A estátua, um dos símbolos da fé católica, teve a cabeça arrancada em 25 de setembro. Em entrevista ao #rdnews, Deusdedit contestou a afirmação do prefeito de que o caso não teria sido um ato de vandalismo, mas a ação de um fiel que teria levado a imagem já danificada até os pés da cruz.
"Não concordo muito bem com essa visão, porque, quando as pessoas têm uma imagem quebrada, elas levam na igreja, enterram ou jogam no rio. Ali foi um ato de vandalismo. Isso é para diminuir o impacto. Ali houve vandalismo, eu diria, de pessoas fanáticas, extremistas, que não representam as suas igrejas, representam elas mesmas", declarou o padre.
Rodinei Crescêncio/Rdnews
À época dos fatos, a Arquidiocese de Cuiabá manifestou repúdio à ação de intolerância religiosa e cobrou a apuração do caso por parte das autoridades, com a identificação e a responsabilização dos responsáveis pelo ato.
O prefeito da capital mato-grossense relatou que a gestão municipal havia sido informada sobre o suposto ato de fé por meio de informações enviadas no WhatsApp.
"Eu acredito que faz parte de uma certa tradição de algumas pessoas que, ao ter a sua imagem danificada, vai lá pedir desculpa, sei lá, alguma coisa assim, no ato de fé. Não foi um ato de uma pessoa colocar uma imagem de Nossa Senhora lá e uma outra, terceira pessoa ir lá e danificar aquela imagem”, reafirmou Abilio, à época.
Reprodução
Ao falar sobre os atos de intolerância religiosa contra os símbolos católicos, o padre Deusdedit Monge relembrou ainda o caso da destruição de uma imagem de Nossa Senhora Aparecida com um machado, ocorrida em março deste ano, em Jauru. O líder religioso ressaltou o que consta na Constituição Federal de 1988 sobre o Estado laico brasileiro.
"O capítulo V da Constituição, inciso VI, é claramente: toda intolerância religiosa é crime. O Estado laico tem que respeitar todas as crenças e favorecer que todas elas possam viver em harmonia, respeitando suas liturgias, rituais, costumes e seus símbolos sagrados", pontuou.
Por fim, Deusdedit reforçou a importância de uma investigação séria sobre o caso ocorrido na capital. "Precisa ser investigado antes de a gente dizer qualquer coisa. Tanto que o STF [Supremo Tribunal Federal], as autoridades pediram que investigassem", finalizou.