A Arquidiocese de Cuiabá manifestou repúdio ao ataque perpetrado contra uma estátua de Nossa Senhora Aparecida, localizada junto à Cruz do Chilão, no bairro Santa Helena, em Cuiabá. A peça, colocada aos pés do cruzeiro, teve a cabeça arrancada na noite da última sexta-feira (25). A entidade religiosa cobrou a apuração do caso por parte das autoridades, com a identificação e a responsabilização dos responsáveis pelo ato.
Por meio de nota, a arquidiocese destacou que a Constituição Federal assegura a liberdade de crença e o livre exercício dos cultos religiosos. “Atos de intolerância, discriminação e violência motivados pela religião podem configurar crimes e devem ser devidamente apurados e responsabilizados pelas autoridades competentes”.
No documento a entidade lembra que o mês de outubro é dedicado, pelos católicos, à Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil e celebrada no dia 12, feriado nacional. “Sua imagem merece respeito, assim como devem ser respeitados os símbolos, espaços sagrados e manifestações de fé de todas as tradições religiosas”.
Ao repudiar o ataque, a arquidiocese salienta que a Cruz do Chilão é um espaço que carrega o sincretismo, algo comum ao longo da história de Cuiabá. “Ela é um importante marco da religiosidade popular cuiabana e carrega uma história que atravessa gerações, reunindo elementos da tradição católica e da cultura dos povos de matriz africana”.
Eleição
O ataque à Nossa Senhora ocorre na mesma semana em que passaram a circular pela internet rumores que ligavam o senador e candidato à presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), a um projeto que prevê a retirada do título de padroeira do Brasil concedido à Nossa Senhora Aparecida. A hipóteses foi negada pelo candidato.
A ligação entre Flávio e esta possibilidade que, segundo apuração da jornalista Maria Cristina Fernandes, teria partido de movimentos evangélicos, ganhou rapidamente as redes sociais. Ela foi ligada também a um Projeto de Lei do ex-deputado federal por Mato Grosso, Victório Galli, que previa justamente isso. Apresentado em 2007, o texto foi rejeitado por unanimidade e arquivado no ano seguinte.
Em entrevistas, Flávio chegou a atribuir o boato a setores de Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
A manifestação do senador fez com que a CNBB também emitisse uma nota afirmando que não integra qualquer estrutura político-partidária, de partido ou candidatura. “Atribuir à CNBB participação em estruturas de produção ou disseminação de desinformação, sem fatos e provas que sustentem tal afirmação, atinge injustamente a instituição e não contribui para a serenidade e a responsabilidade que devem caracterizar o processo eleitoral. A mentira não se combate com outra mentira”.
Leia a íntegra da nota da Arquidiocese de Cuiabá:
NOTA DE REPÚDIO
A Arquidiocese de Cuiabá manifesta seu profundo repúdio à vandalização da imagem de Nossa Senhora Aparecida, localizada junto à Cruz do Chilão, no bairro Santa Helena, em Cuiabá.
A imagem foi encontrada quebrada na noite da última sexta-feira (25), em um espaço que integra a memória religiosa, histórica e cultural de nossa cidade. A Cruz do Chilão é um importante marco da religiosidade popular cuiabana e carrega uma história que atravessa gerações, reunindo elementos da tradição católica e da cultura dos povos de matriz africana.
A Arquidiocese de Cuiabá reforça que a liberdade de consciência e de crença, bem como o livre exercício dos cultos religiosos, são direitos assegurados pela Constituição Federal. Atos de intolerância, discriminação e violência motivados pela religião podem configurar crimes e devem ser devidamente apurados e responsabilizados pelas autoridades competentes.
Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, é, para nós, católicos, Mãe protetora e intercessora. Durante o mês de outubro, nossas paróquias e comunidades se unem em diversas celebrações e atividades para honrar aquela que é um dos maiores símbolos da fé católica no Brasil. Sua imagem merece respeito, assim como devem ser respeitados os símbolos, espaços sagrados e manifestações de fé de todas as tradições religiosas.
Repudiamos toda forma de intolerância religiosa, vandalismo e violência contra símbolos de fé. Reafirmamos, ainda, a importância do diálogo, do respeito, da responsabilidade na comunicação e da busca pela verdade, especialmente em um momento de Sede Vacante, período de transição vivido pela Arquidiocese de Cuiabá.
Esperamos que o episódio seja devidamente apurado pelas autoridades competentes, que os responsáveis sejam identificados e que a justiça seja feita. Não à intolerância religiosa! Sim ao diálogo, à fraternidade e ao amor!
Arquidiocese de Cuiabá-MT
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