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LIDERANÇA DO CV

Refúgio de Angeliquinha na Bolívia foi estratégico, aponta delegado; região é corredor para o tráfico de drogas

Apontada como responsável por 80% dos homicídios do CV no extremo norte de MT, mulher mantinha o comando mesmo foragida, segundo a PJC

Leticia Avalos e João Aguiar

A Polícia Civil aponta que o refúgio de Angélica Saraiva de Sá, a “Angeliquinha”, em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, foi estratégico. Após a fuga da Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá, a líder do Comando Vermelho no extremo norte de Mato Grosso teria se estabelecido em solo boliviano para atuar diretamente na rota de entrada de drogas para o Brasil.

Reprodução/Montagem RDNews

angeliquinha e delegado Victor Hugo Caetano de Freitas GCCO

Delegado da GCCO, Victor Hugo Caetano de Freitas; no detalhe, Angélica Saraiva de Sá, a “Angeliquinha”

Conforme já publicado pelo , Angeliquinha, de 34 anos, foi presa na noite dessa terça-feira (22), na Bolívia. Mesmo quando estava presa e depois de fugir, ela continuava comandando o crime em Alta Floresta (a 789 km de Cuiabá) e cidades próximas, sendo apontada como responsável por 80% dos homicídios praticados pelo CV na região.

“Eu vejo que a Bolívia foi uma escolha estratégica. Vamos continuar a investigação para saber o porquê de ela estar lá e não ter ido para o Rio de Janeiro. É uma região de entrada de drogas, onde há uma guerra entre as duas facções criminosas que atuam no Brasil [...]. Para ela estar em Santa Cruz de la Sierra havia algum motivo, e é o que a gente vai apurar agora”, afirmou o delegado Victor Hugo Caetano de Freitas, da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO).

O delegado acrescentou que a investigação irá apurar se Angélica atuava na articulação de entradas, saídas e negociações em Santa Cruz de la Sierra. Segundo ele, dados telemáticos e outros elementos investigativos serão analisados para identificar qual era, de fato, a função desempenhada por ela na cidade e o motivo de ter permanecido no local.

A prisão envolveu equipes da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco), Polinter, com apoio das forças de segurança bolivianas. Angeliquinha estava foragida desde agosto de 2025, quando deixou a unidade prisional e desapareceu.

Ela possuía seis mandados de prisão em aberto, expedidos ao longo de 2026, período em que permaneceu foragida. Ela também possui mais de 260 anos em condenações decorrentes de diferentes crimes, entre eles homicídios, tráfico de drogas e organização criminosa.

O delegado Victor Hugo ressaltou que Angeliquinha ainda não foi deportada ou expulsa da Bolívia. No entanto, já estão sendo realizados os procedimentos cabíveis com as autoridades bolivianas para a eventual volta da criminosa para o sistema penitenciário brasileiro.

Cirurgias e procedimentos estéticos

Em Santa Cruz de La Sierra, Angeliquinha estaria realizando procedimentos estéticos com o objetivo de mudar suas características faciais para tentar enganar a polícia. Segundo Victor Hugo ela teria realizado mais de cinco procedimentos no rosto e apresentou uma documentação falsa quando foi presa. No entanto, a identificação visual dela já havia sido feita.

PJC-MT

“Angeliquinha”, Angélica Saraiva de Sá prisão bolívia chefe do CV

O delegado destaca ainda que a prática das cirurgias para mudança das características físicas vem se tornando cada vez mais recorrente entre os membros de organizações criminosas, especialmente os que têm mandados de prisão em aberto.

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