O tratador Sérgio Domingues, do Zoológico Municipal Quinzinho de Barros, em Sorocaba (SP), tatuou uma homenagem ao elefante Sandro, transferido para o Santuário de Elefantes Brasil (SEB), em Chapada dos Guimarães (a 65 km de Cuiabá), na última semana. Sérgio era responsável pelos cuidados diários do mamífero e frequentemente registrado ao seu lado na rotina do parque.
Em publicação nas redes sociais, ele compartilhou uma fotografia da nova tatuagem, localizada na barriga. O desenho retrata Sérgio com uniforme e equipamento de proteção individual, entregando a alimentação a Sandro, uma cena que antes fazia parte do seu ritual diário de trabalho.
“‘Amigo é a pessoa com quem se estabelece um vínculo afetivo recíproco, baseado em confiança, lealdade, respeito e afinidade, sem a necessidade de laços de sangue ou de interesse material.’ - Obrigado por tudo, amigão!”, citou na publicação.
Sandro deixou Sorocaba no dia 16 de setembro por determinação do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP). A decisão considerou que o recinto do animal no Quinzinho de Barros - onde vivia desde os anos 1980 - é pequeno e não possui infraestrutura suficiente para garantir o bem-estar do animal, que tem 54 anos e é considerado idoso.
Segundo o g1 Sorocaba e Jundiaí, Sérgio se emocionou na despedida e foi consolado pelos colegas. Ele afirmou ao veículo que a transferência de Sandro lhe causou uma "dor que não dá para explicar" e disse ter sentido como se visse um amigo partir.
Divulgação/Assessoria
O tratador Sérgio Domingues e o elefante Sandro durante rotina no Zoológico Municipal Quinzinho de Barros, em Sorocaba (SP)
Transferência
O elefante Sandro chegou ao Santuário na última sexta-feira (18), após dois dias de viagem e seis anos de uma batalha judicial pela guarda do animal. Em junho deste ano, o TJSP determinou a transferência após sucessivos recursos interpostos pelo município de Sorocaba. A decisão atendeu a uma ação movida pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), com o apoio de organizações não governamentais de defesa dos direitos animais.
O órgão ministerial alegou que Sandro vivia em condições de isolamento social desde a morte de sua companheira, a elefanta Haisa, ocorrida em 2020, o que vinha comprometendo sua saúde física e emocional. Um perícia técnica realizada no Quinzinho de Barros também apontou que o recinto do animal não atendia minimamente às suas necessidades.
Sandro, espécime asiático, é o primeiro elefante macho a integrar o SEB. Agora, ele passa a conviver com as seis residentes fêmeas, também asiáticas, da instituição: Maia, Rana, Mara, Guillermina, Bambi e Baby.
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