O diagnóstico de câncer pode provocar tristeza, raiva, frustração, medo e negação, além dos impactos físicos da doença. Segundo a psicóloga Andressa Bruceze, da Oncomed-MT, essas reações fazem parte de um processo de reorganização da vida, que pode ser comparado a uma experiência de luto, e não indicam, necessariamente, um transtorno mental.
A especialista explica que esses sentimentos precisam ser compreendidos e acompanhados em uma fase marcada por incertezas e adaptações. “Nesse contexto, o cuidado com a saúde mental passa a integrar o tratamento oncológico de forma mais ampla”, enfatiza.
O acompanhamento psicológico deve envolver paciente, família e equipe multiprofissional, com espaço para que a pessoa expresse sentimentos e dificuldades sem julgamento. Segundo Andressa, a pressão para demonstrar força durante todo o tratamento pode levar o paciente a esconder o sofrimento e evitar pedir ajuda.
“Por isso, permitir e incentivar o paciente para que ele fale sobre seus sentimentos e manifeste seus medos também é uma forma de cuidado”.
Familiares e amigos podem contribuir para evitar o isolamento e ajudar na adaptação da rotina. A psicóloga também destaca a importância da atividade física e da alimentação adequada. “Trabalho dentro dos limites individuais e convivência social podem continuar fazendo parte do dia a dia. A ideia não é retomar a rotina anterior ao diagnóstico, mas construir uma nova”.
Sinais de alerta
Embora pacientes oncológicos possam apresentar maior vulnerabilidade emocional, isso não significa que todos desenvolverão depressão ou pensamentos suicidas. A atenção, segundo Andressa, deve se concentrar em mudanças persistentes de comportamento e sinais de sofrimento intenso.
“Isolamento acentuado, apatia, falta de interesse pelas atividades habituais, alterações significativas na forma de se relacionar e falas recorrentes sobre morte ou sobre não querer mais viver exigem atenção e é neste momento que familiares e profissionais devem atuar em conjunto para acolher o paciente”, ressalta.
Cuidado com a equipe
Na Oncomed-MT, as ações de saúde mental também alcançam os profissionais que acompanham o tratamento. Segundo o gerente executivo Nicolas Navarros, a instituição busca construir um ambiente em que os colaboradores se sintam seguros, ouvidos e valorizados.
Entre as medidas estão avaliações de clima organizacional e 360°, utilizadas para compreender como os profissionais percebem sua atuação e o ambiente de trabalho. A instituição também mantém canais de denúncia para situações que possam causar desconforto ou exposição.
As iniciativas incluem ações de integração e participação nas campanhas Outubro Rosa e Novembro Azul, além de orientações, em parceria com o setor jurídico, sobre assédio e outras situações que possam comprometer o bem-estar dos colaboradores.
“Cuidar de um paciente oncológico também significa olhar para quem está diariamente envolvido nesse cuidado. Na Oncomed-MT, entendemos que o bem-estar da nossa equipe é parte fundamental de uma assistência humanizada e de qualidade. Quem cuida também precisa ser cuidado, acolhido e ter espaço para falar sobre suas próprias necessidades. Esse olhar para o outro começa pelo olhar para dentro da nossa própria equipe”, destaca Navarros.
Setembro Amarelo
A campanha Setembro Amarelo amplia o debate sobre saúde mental e prevenção do suicídio. No tratamento oncológico, reforça a importância de oferecer suporte para que o paciente não enfrente sozinho as repercussões emocionais da doença.
A escuta qualificada, o acolhimento, a participação da família e o acompanhamento profissional ajudam a identificar as necessidades de cada pessoa ao longo do tratamento.
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