Cuiabá, 29/09/2026

Projeto do VLT Cuiabano prevê construção de 32 estações em 2 eixos; veja linhas

Modal defendido pelo prefeito Emanuel Pinheiro (MDB) para Cuiabá depende de aval do Governo Federal para sair do papel

Secom-Cuiabá

O projeto do VLT Cuiabano, defendido pelo prefeito Emanuel Pinheiro (MDB) e que pode ser implementado na Capital caso tenha o aval do Governo Federal, prevê a implantação de 23 km de trilhos, três terminais de integração e 32 estações para atender aos 200 mil usuários do transporte coletivo. Conforme o planejamento, o sistema também deverá contar com uma estação de conexão.

O modal tem causado polêmica por causa da briga entre o prefeito e o governador Mauro Mendes (União). O Governo defende a obra do BRT em Cuiabá e em Várzea Grande, onde as obras, inclusive, já estão avançadas. No entanto, Emanuel é contra e resolveu reduzir o escopo do projeto original do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) - que havia sido projetado para a Copa do Mundo de 2014 - tentando viabilizar o modal apenas para o trecho de Cuiabá.

O projeto original tinha linhas em Cuiabá e Várzea Grande, com 22 km e 33 estações. O atual suprime o trecho de Várzea Grande, mas estende a linha do Coxipó até o Distrito Industrial. Segundo o projeto, as duas linhas serão entre Porto-CPA e Centro-Distrito Industrial. Veja abaixo:

Linha 1: Porto-CPA terá 9,2 km, dois terminais de integração, uma estação de conexão e 13 estações de transbordo

Arte: Rodinei Crescêncio/Rdnews

Linha 2: Centro-Distrito Industrial terá 13,8 km, um terminal de integração e 19 estações de transbordo

Arte: Rodinei Crescêncio/Rdnews

O estudo também prevê a construção do Centro de Controle de Operações (CCO), que engloba as oficinas e equipe de manutenção do sistema.

Segundo o Município, como o projeto original de implantação do VLT de Cuiabá já possuía as licenças ambientais, será necessária apenas a renovação ou revalidação. Além disso, desapropriações do projeto original já foram impetradas pelo Governo do Estado. Salienta-se que do total de 44 ações, 14 já foram integralmente concluídas e pagas. As demais continuam em tramitação.

Aval do Governo Federal

O projeto do VLT Cuiabano aguarda aval do Governo Federal para receber recursos. O prefeito Emanuel Pinheiro cadastrou o projeto no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O aporte total da obra de mobilidade pode chegar a R$ 4,9 bilhões. Com o cadastro, o Governo Federal vai reunir informações técnicas sobre empreendimentos de interesse social que serão, na sequência, analisadas quanto à viabilidade de execução em um eventual financiamento com recursos públicos. Uma vez alocado esse recurso de quase R$ 5 bilhões, o Governo irá monitorar o andamento das obras.

Na última quinta-feira (11), após diálogo com o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha (PT-SP), Emanuel agendou uma reunião no Ministério das Cidades para tratar do VLT Cuiabano nos próximos dias. 

Uma matéria da Istoé afirmou que o projeto já foi enterrado pelo Chefe da Casa Civil do Palácio e coordenador-geral dos investimentos, Rui Costa. No entanto, a Prefeitura informou, na terça (16), que a o processo continua e que a agenda com o ministro não foi cancelada.

O gestor criou nesta semana, inclusive, uma Comissão Técnica para coordenação e execução das ações necessárias à implantação do VLT de Cuiabá. A Comissão terá coordenação geral do chefe do Executivo Municipal.

Aumento da demanda

Segundo o estudo da Prefeitura, o modal é necessário, visto que a frota de veículos cresceu mais que a população do município e que a previsão é que, em 2026, a região metropolitana tenha um aumento de 4,3% nas viagens motorizadas.

No ano de 2010, Cuiabá possuía 26 automóveis e 10 motos a cada 100 habitantes. Onze anos depois essa taxa passou para 36 automóveis e 16 motos para cada 100 habitantes. No médio prazo (2031), as viagens vão aumentar cerca de 9,5% em relação ao ano base e, no longo prazo (2041), esse aumento será de 15,6%.

Além disso, a Prefeitura pontua que o trânsito na Capital fluiria muito melhor se pelo menos metade da população usasse o transporte público, o que representaria cerca de 350 mil pessoas - e a implantação do VLT estimularia essa prática.