Cuiabá, 05/11/2026

UFMT suspende aluno de Direito por lista de “alunas estupráveis” e ameaças

Decisão aponta risco à segurança de estudantes e determina afastamento preventivo enquanto processo disciplinar é conduzido

A Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) determinou a suspensão preventiva de um aluno do curso de Direito - que não teve a identidade revelada -  investigado por envolvimento na criação de conteúdos misóginos, incluindo uma lista que classificava colegas como “estupráveis” e continha ameaças de violência sexual. A medida foi assinada nesta terça-feira (06) pelo diretor da Faculdade de Direito, Carlos Eduardo Silva e Souza. 

De acordo com o despacho, a decisão foi tomada após análise de documentos que apontam “um conjunto de fatos graves”, com potencial risco à integridade física, psicológica e acadêmica das alunas. 

Faculdade de Direito/UFMT

A suspensão tem caráter preventivo e não depende da conclusão do processo disciplinar. Conforme a UFMT, a medida está prevista na Resolução nº 281/2025 e pode ser aplicada quando há risco à ordem, à disciplina universitária ou à segurança da comunidade acadêmica. 

Ainda segundo a decisão, os relatos apresentam “verossimilhança e gravidade suficientes” para justificar a intervenção imediata, especialmente porque possíveis vítimas seguem frequentando o campus e já relataram se sentir intimidadas. 

Além da suspensão, a universidade determinou a adoção de medidas protetivas às alunas potencialmente afetadas, com acompanhamento institucional e canais diretos de comunicação com a direção, garantindo confidencialidade e segurança. O caso foi encaminhado à Comissão de Processo Disciplinar Estudantil, que deverá conduzir a apuração com prioridade. 

A UFMT informou ainda que o estudante investigado será formalmente comunicado da decisão e terá assegurado o direito à ampla defesa durante o processo disciplinar.

Caso gerou pânico na comunidade acadêmica

Conforme publicado pelo #rdnews, o caso veio à tona após o Centro Acadêmico de Direito (Cadi) denunciar a circulação de mensagens em aplicativos nas quais estudantes planejavam a criação de uma lista classificando alunas ingressantes como “estupráveis”. Também foram identificadas declarações explícitas sobre a intenção de “molestar” colegas. 

Em nota, o Cadi classificou a conduta como “extremamente grave, de caráter misógino e violento”, destacando que as mensagens se espalharam rapidamente e geraram medo entre os estudantes. 

A entidade afirmou ainda que as manifestações não podem ser tratadas como “brincadeiras”, pois representam banalização da violência sexual e reforçam uma cultura de violência de gênero. 

OAB cobra responsabilização

A Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT) também se manifestou, repudiando o caso e pedindo celeridade na apuração. 

Segundo a entidade, a conduta expõe universitárias à violência e não condiz com a formação de profissionais do Direito, que devem atuar na defesa da dignidade humana e dos direitos fundamentais. 

A OAB ainda se solidarizou com as estudantes e colocou-se à disposição para prestar apoio.