Você corre tanto para quê?
Rodinei Crescêncio/Rdnews
Tenho andado com uma urgência sobre o tempo.
Urgência de viver no detalhe, sabe? Aquela conexão direta com o que de fato vale a vida, vale a pena, vale o tempo.
E tem um tempo que tenho despertado para isso. Para o corpo que muda, que sente. Para o tom de voz
E, falando em tom de voz, foi ali um dos meus despertares. O adeus da voz do menino de 11 anos para a voz do rapaz. O estirão do corpo, que de repente ficou longe. A diferença entre o "Mamãe, você está chegando?" de janeiro deste ano e o julho de agora: "Mamãe, o que vamos jantar?"
O mamãe é o mesmo, mas não é mais o mesmo.
A menina levada, do sorriso banguela, dos 7 anos de férias, me olha nos olhos e pergunta:
— Hoje à tarde, você vai ficar comigo?
Quanto tempo eu tenho para este tempo. Para o desejo de passarmos uma tarde juntas.
E é justamente o não saber que me gera esse senso de urgência. De viver tudo que eu posso viver diante de tudo que amo. Com a intensidade do ufa, valeu a pena. Com gostinho de quero mais.
E se o tempo acabar, com sentimento de gratidão. Oh, meu Deus, gratidão por tudo até aqui. Pela minha aflição. Pelo permitir.
Esse despertar muda tudo. Muda tanto.
Esses tempos atrás, rodando a barra de rolagem de uma rede social, parei diante de um vídeo. Um influenciador da área de negócios contava um momento da terapia dele, quando o psicólogo perguntou:
— Você corre tanto para quê?
E ali ele parou. Parou para pensar sobre o seu para quê, e sobre o quanto aquilo era impactante ao longo do tempo. E se surpreendeu ao perceber que a sua correria era uma correria fugaz. Vazia. Sem propósito.
Naquele vídeo pequeno, ele trouxe uma reflexão profunda sobre uma vida com sentido. Sobre o despertar da vida.
E é por esse despertar que passo aqui pra te lembrar que o convite da vida está se dando agora, a cada instante.
Não espere se deparar com uma dinâmica de emergência para se dar conta do quão valorosa a vida é.
Sem perceber você se distrai com tantas futilidades, e nesta observação pensei que seria bom conversar com você. Para que você não se perca sem sentido na jornada do indo para lugar nenhum, de uma agenda lotada sem sentido, de lugares que pouco agregam além das instantaneidades e que não merecem nem quem você é — e você achando aí que a vida é isso, o mover dos corpos de uma vida fadada a ter.
Aqui estou falando de algo que você já tem de verdade. Do milagre da vida que você já vive e ainda não despertou. Do tempo com propósito, do tempo de criação e contribuição em cada oportunidade que você tem. E eu percebo, muitas vezes, que você ainda não se deu conta — tratando-a como uma vida eterna do depois eu vejo, depois eu faço, depois… Depois.
Cynthia Lemos é psicóloga e empreendedora, fundadora da Grandy Psicologia Empresarial, e escreve neste espaço quinzenalmente, às quintas-feiras