O que é a luxação acromioclavicular que tirou Alisson Safira da temporada
Rodinei Crescêncio/Rdnews
A lesão sofrida pelo atacante Alisson Safira, do Cuiabá, chamou atenção do público e levantou dúvidas sobre a gravidade do problema. O jogador foi diagnosticado com luxação acromioclavicular grave no ombro esquerdo, uma lesão que ocorre na articulação localizada no topo do ombro, onde a clavícula se conecta ao acrômio, parte superior da escápula.
Essa articulação é estabilizada por ligamentos que mantêm a clavícula alinhada e permitem movimentos do braço com segurança. Quando há um trauma direto sobre o ombro, como uma queda ou impacto forte — situações comuns no futebol — esses ligamentos podem sofrer estiramento, ruptura parcial ou até rompimento completo, causando deslocamento da clavícula. É isso que caracteriza a luxação acromioclavicular.
A lesão é classificada em graus de I a VI, de acordo com a gravidade:
• Grau I: estiramento leve dos ligamentos, sem deslocamento visível.
• Grau II: ruptura parcial dos ligamentos e leve elevação da clavícula.
• Grau III: ruptura total dos ligamentos, com deslocamento perceptível.
• Graus IV a VI: deslocamentos graves com deformidade acentuada e lesão extensa dos tecidos, geralmente exigindo cirurgia.
No caso de Safira, o clube informou que a lesão é grave, o que indica comprometimento completo dos ligamentos e desalinhamento evidente da articulação. Esse tipo de quadro costuma causar dor intensa, limitação imediata de movimento e deformidade visível no ombro afetado.
Quando a lesão é leve, o tratamento pode ser feito com imobilização e fisioterapia. Porém, nos casos graves, principalmente em atletas, a cirurgia é a opção recomendada para restaurar a estabilidade do ombro e permitir retorno seguro às atividades esportivas. O procedimento consiste em reposicionar a clavícula e reconstruir os ligamentos lesionados.
A recuperação após esse tipo de lesão varia conforme a gravidade e a resposta individual, mas geralmente envolve um período de imobilização seguido de reabilitação para recuperar mobilidade, força e função do ombro. Por isso, jogadores diagnosticados com luxação acromioclavicular grave costumam ficar afastados dos gramados por vários meses, como ocorreu com Alisson Safira.
A lesão, apesar de séria, tem bom prognóstico quando tratada adequadamente. O entendimento da sua gravidade ajuda a explicar a necessidade de cirurgia e o tempo de afastamento do atleta.
Fellipe Ferreira Valle é formado em medicina pela Universidade de Medicina de Teresópolis -RJ, realizando posteriormente residência médica em ortopedia na Santa Casa de Belo Horizonte onde também realizou especialização em cirurgia do joelho e cirurgia do ombro e cotovelo. É também membro fundador da Sociedade Brasileira de Regeneração Tecidual e Socio efetivo da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia. Professor de medicina na UNIVAG e preceptor da residência de ortopedia da UNIC. Instagram :@dr.fellipe