Previsão do tempo ??°C Cidade

Fellipe Valle Terça-feira, 14 de Outubro de 2025, 08:19 - A | A

Terça-feira, 14 de Outubro de 2025, 08h:19 - A | A

Fellipe Valle

O que é a luxação acromioclavicular que tirou Alisson Safira da temporada

Fellipe Valle

Rodinei Crescêncio/Rdnews

 Doutor Fellipe Valle colunista ter�a - arte atualizada

A lesão sofrida pelo atacante Alisson Safira, do Cuiabá, chamou atenção do público e levantou dúvidas sobre a gravidade do problema. O jogador foi diagnosticado com luxação acromioclavicular grave no ombro esquerdo, uma lesão que ocorre na articulação localizada no topo do ombro, onde a clavícula se conecta ao acrômio, parte superior da escápula.

Essa articulação é estabilizada por ligamentos que mantêm a clavícula alinhada e permitem movimentos do braço com segurança. Quando há um trauma direto sobre o ombro, como uma queda ou impacto forte — situações comuns no futebol — esses ligamentos podem sofrer estiramento, ruptura parcial ou até rompimento completo, causando deslocamento da clavícula. É isso que caracteriza a luxação acromioclavicular.

A lesão é classificada em graus de I a VI, de acordo com a gravidade:

•   Grau I: estiramento leve dos ligamentos, sem deslocamento visível.

•   Grau II: ruptura parcial dos ligamentos e leve elevação da clavícula.

•   Grau III: ruptura total dos ligamentos, com deslocamento perceptível.

•   Graus IV a VI: deslocamentos graves com deformidade acentuada e lesão extensa dos tecidos, geralmente exigindo cirurgia.

No caso de Safira, o clube informou que a lesão é grave, o que indica comprometimento completo dos ligamentos e desalinhamento evidente da articulação. Esse tipo de quadro costuma causar dor intensa, limitação imediata de movimento e deformidade visível no ombro afetado.

Quando a lesão é leve, o tratamento pode ser feito com imobilização e fisioterapia. Porém, nos casos graves, principalmente em atletas, a cirurgia é a opção recomendada para restaurar a estabilidade do ombro e permitir retorno seguro às atividades esportivas. O procedimento consiste em reposicionar a clavícula e reconstruir os ligamentos lesionados.

A recuperação após esse tipo de lesão varia conforme a gravidade e a resposta individual, mas geralmente envolve um período de imobilização seguido de reabilitação para recuperar mobilidade, força e função do ombro. Por isso, jogadores diagnosticados com luxação acromioclavicular grave costumam ficar afastados dos gramados por vários meses, como ocorreu com Alisson Safira.

A lesão, apesar de séria, tem bom prognóstico quando tratada adequadamente. O entendimento da sua gravidade ajuda a explicar a necessidade de cirurgia e o tempo de afastamento do atleta.

Fellipe Ferreira Valle é formado em medicina pela Universidade de Medicina de Teresópolis -RJ, realizando posteriormente residência médica em ortopedia na Santa Casa de Belo Horizonte onde também realizou especialização em cirurgia do joelho e cirurgia do ombro e cotovelo. É também membro fundador da Sociedade Brasileira de Regeneração Tecidual e Socio efetivo da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia. Professor de medicina na UNIVAG e preceptor da residência de ortopedia da UNIC. Instagram :@dr.fellipe

Comente esta notícia

O portal e o blog não se responsabilizam pelos comentários aqui postados. Se você se sentir ofendido pelo conteúdo de algum comentário dirigido a sua pessoa, entre em contato conosco pelo e-mail contato@rdnews.com.br