Cuiabá, 23/10/2026

Visibilidade trans: conheça cinco artistas transgêneros de Mato Grosso

Nessa quinta-feira (29) foi celebrado o Dia Nacional da Visibilidade Trans

Em referência ao Dia Nacional da Visibilidade Trans, comemorado desde 2004 no dia 29 de janeiro, o #rdnews preparou uma lista de artistas trans de Mato Grosso. A data marca mais que um dia de celebração entre a comunidade, mas também a luta pelo reconhecimento dos corpos dissidentes e da necessidade de mais políticas afirmativas. 

Montagem

Da esquerda para a direita: Sol Ferreira, Hend Santana, Caju, Lupita Amorim e Tami. 

Entre a comunidade há um consenso: houve avanços nos direitos, como reconhecimento do nome social, retificação de registro, criação de políticas públicas no Sistema Único de Saúde (SUS), equiparação da transfobia ao crime de racismo e cotas em algumas universidades do país. O Brasil, porém, permanece sendo um dos países mais transfóbicos, como aponta a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA). 

Tami 

Mais conhecida como Tami, a artista não-binárie Vitória Tami Gondo Lage tem formação em teatro, com foco em cenografia, figurino e audiovisual. A arte do teatro, porém, não é a única à qual se dedica. Em seus quadros e telas pintadas à mão, traz um universo particular, que permeado de formatos irregulares e cores nítidas, dão o tom de seus sentimentos. A artista plástica caminha entre diferentes expressões da arte cuiabana. No dia 7 de fevereiro, ela irá participar de uma exposição no Winchester Pub. Mais da sua arte pode ser conhecida no perfil @apenaztamii, no Instagram.

Rabecaju

O multiartista trans-masculino Caju Paschoalick possui uma trajetória no universo da música já consolidada em Cuiabá, mas é mais conhecido no meio alternativo. Suas músicas, guiadas por sua rabeca, instrumento que parece ser inseparável do artista, transitam entre o forró e a experimentação de sons da natureza - reflexo de sua formação como sonoplasta. Com inspirações nos sons de Chapada dos Guimarães e expressões tradicionais do estado, a pré-estreia de seu novo álbum, “Rabecaju”, ocorre neste sábado (31), às 20h30, no Cine Teatro de Cuiabá. Para entrar é preciso 2kg de alimento não perecível. 

Lupita Amorim 

Multiartista e travesti preta, Lupita Amorim transita entre as diferentes fronteiras da arte:  na dança, na música, no teatro, nos livros e nos versos. A artista já publicou dois livros. Em “Contos Profícuos”, ela assina com outros autores; já em “Peles, Passos e Poesias”, sua primeira publicação solo, ela traz parte de sua jornada de sobrevivência como uma travesti negra, por meio de poemas. O livro é sua publicação mais recente e está disponível na Amazon. 

Sol 

Mais conhecido como "O Sol Ferreira", Bruno Sol Ferreira vem ganhando cada vez mais prestígio no mundo das artes. Sua vivência como homem-trans atravessa suas artes, sobretudo em sua última e mais recente exposição, intitulada “Homem-Mato”, em que trouxe referências regionais. Dentre suas produções destaca-se  “Manga Coração de Boi”, em 2021, e a websérie “De Cara com o Sol”, estreada em 2025 e disponível no Youtube. Recentemente, o artista lançou  sua primeira coleção de leques, o "SOLEQUES".

Hend Santana

Atriz, performer, compositora e cantora, Hend Santana morreu aos 30 anos em 2022 em decorrência de uma parada cardiorrespiratória dentro de casa. Sua partida deixou um legado não só para quem faz parte do campo da arte, mas também do ativismo político. Trans e gorda, ela lutou por mais direitos e visibilidade e representatividade de grupos minorizados. Parte de suas contribuições podem ser conferidas no Youtube, onde também está seu EP “Música Gorda”.