Propina chegou a 50% e 17 cheques de faculdade foram usados, diz Silval vídeo
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Em vídeo, Silval Barbosa lê seu depoimento, ao lado do advogado Délio Lins e Silva Júnior
Em um de seus depoimentos que compõem o acordo de colaboração premiada (delação) com a Procuradoria Geral da República (PGR), o ex-governador Silval Barbosa (PMDB) dá detalhes de como ele e outros ex-governadores articulavam o pagamento do famoso “mensalinho” – propina paga a parlamentares em troca de apoio na Assembleia.
Em 5 de maio deste ano, Silval depôs à procuradora da República Vanessa Cristhina Scarmagnani e disse que o pagamento do mensalinho existia desde quando assumiu uma cadeira de deputado, em 1999, quando Dante de Oliveria (já falecido) era governador. O esquema teve continuidade até o fim de seu mandato no Palácio Paiaguás, em 2014. O #rdnews teve acesso ao vídeo em que Silval lê seu depoimento, ao lado do advogado Délio Lins e Silva Júnior.
Antes, no governo do atual ministro da Agricultura Blairo Maggi (PP), no qual Silval era vice-governador pelo PMDB, segundo o depoimento, o pagamento do mensalinho era realizado por meio da suplementação orçamentária ao Legislativo.
Com o reforço, a Mesa Diretora conseguia o pagamento de “retorno” das empresas que prestavam serviços para a Assembleia. Na delação, o político afirma que na maioria das aquisições e serviços contratados pela Assembleia havia retorno de propina por parte dos empresários. Entre os serviços, ele afirma o retorno na construção da atual sede do Parlamento e na contratação de serviços gráficos. “Sendo que os retornos giravam em torno de 15% a 25% dos valores pagos aos prestadores de serviços”, afirma Silval.
Ainda segundo o peemedebista, em caso de aditivos nos contratos, o retorno era de 30% a 50%. Silval confirma que ele e o ex-presidente José Riva receberam pessoalmente o pagamento de propina da empresa que construiu o novo prédio da Assembleia, de propriedade do empresário Anildo Lima Barros.
O ex-governador diz que quando ocupava a Mesa Diretora do Legislativo chegou, ao lado de Riva, a contrair empréstimos com empresas de fomento para poder repassar as propinas em dia. “Se recordando de ter contraído nessa época empréstimos com Valdir Piran e Valcir Piran”.
Silval no Governo
Em 2010, quando assumiu o Palácio Paiaguás, Silval afirma ter dado continuidade aos pagamentos ilegais, sempre garantidos aos representantes da Mesa, que foi ocupada, no período, por Riva, Mauro Savi (PSB) e Romoaldo Júnior (PMDB).
Ainda no primeiro ano no Palácio Paiaguás, o peemedebista diz que os parlamentares exigiram o pagamento de um 13º do mensalinho. Além do valor mensal de R$ 20 mil, eles teriam exigido mais R$ 100 mil para a aprovação de projetos orçamentários. O assunto, conforme Silval, foi tratado com os deputados José Domingos Fraga, Wagner Ramos, Mauro Savi e Baiano Filho.
O pagamento do 13º foi feito para a maioria dos deputados, mediante a entrega de 17 cheques da Faculdade Cathedral, que Silval pegou emprestado com o empresário Wanderley Fachetti Torres. De acordo com a delação, os cheques foram repassados aos deputados por meio de Sérgio Ricardo.
No entanto, os cheques arranjados por Wanderley Torres não tinham fundos, o que fez com que Silval tomasse um empréstimo com Ricardo Novis Neves, no valor de R$ 1,7 milhão. Como garantia, ele deixou uma nota promissória assinada como avalista e Sérgio Ricardo como emitente.