Cuiabá, 01/11/2026

Frigorífico em VG reabre e tem como meta acabar com o monopólio da JBS no Estado

Carlos Palmeira

Lideranças políticas e empresários participam de evento sobre reabertura de frigorífico

Foi anunciada oficialmente na noite de ontem (6), por dirigentes da agropecuária mato-grossense, a reabertura do Frigorífico Pantanal, em Várzea Grande. A planta, fechada há sete anos, começará a funcionar em 25 de novembro e tem como objetivo dar competitividade ao setor, que no Estado é dominado pela JBS.

O anúncio foi realizado em evento no Parque de Exposições Senador Jonas Pinheiro, em Cuiabá, e contou com a participação de empresários e políticos, como o senador Cidinho Santos (PR), o ex-governador e atual secretário de Assuntos Estratégico de Várzea Grande, Jayme Campos (DEM), e o governador em exercício, Carlos Fávaro (PSD).

O proprietário do Frigorífico Pantanal, Luiz Antônio Freitas, explica que a planta está passando pelos últimos reparos na estrutura para começar a funcionar daqui pouco mais de duas semanas. Além disso, a unidade também viabiliza os trâmites para a obtenção das habilitações do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

O frigorífico, segundo Luiz, terá capacidade de abater até 700 animais por dia, sendo que no local a carne bovina passará por desossa, estocagem e congelamento. A ideia é que a planta tenha qualificação para exportar para todos os mercados e por isso os funcionários foram treinados para realizar o abate halal (método específico de abate bovino islâmico), por exemplo.

“Inicialmente estaremos gerando cerca de 600 empregos. Agora, na capacidade máxima, teremos condições de gerar 700 ou 800 empregos diretos. Isso sem contar os indiretos como transporte, abastecimento e outros que beneficiarão todo a economia local”, argumenta o proprietário da planta.

O pecuarista Luiz Carlos Meister, de Acorizal (a 70 km de Várzea Grande), comemora a notícia. De acordo com ele, essa será mais uma oportunidade de ampliar o mercado bovino e fará com que o produtor rural tenha mais possibilidades de negociar o seu animal.

Meister pontua que passados quase oito meses da Operação Carne Fraca, o setor tem apresentado uma recuperação e que essa reabertura é justamente um sinal disso. “Estamos vivendo uma primavera maravilhosa em 2017, que está bastante florida para os pecuaristas”, defende.

Carlos Palmeira

Apresentação sobre a planta do Frigorífico Pantanal, em Várzea Grande

Competitividade

O principal benefício do anúncio, citado pelos dirigentes da pecuária, foi o trabalho de combate ao monopólio que ações como essa devem proporcionar. De acordo com o setor, novas entradas no mercado frigorífico são passos importantes para que o poder da JBS – detentora de quase 50% dos frigoríficos de Mato Grosso – seja diluído.

“Essa preocupação nossa é advinda de atitudes que o grupo, que é muito sólido, tomou. Por exemplo, eles tinham uma política de pagamento à vista e começaram a comprar o gado só a prazo. Esse tipo de coisa mexe muito com o mercado. Se a gente puder apoiar a entrada de outros grupos empresariais, nós vamos ter uma melhor competitividade para o produtor”, defende o presidente do Sindicato Rural de Cuiabá, Jorge Pires.

As discussões em relação às reaberturas das unidades de processamento foram retomadas mais recentemente após a finalização da CPI dos Frigoríficos – que identificou a possibilidade de reabertura de pelo menos cinco unidades. Atualmente, já voltaram às atividades as unidades de Nova Xavantina e Mirassol d’Oeste.

O governador em exercício, Carlos Fávaro, que também é produtor rural, pontua que o trabalho continuará sendo feito nesse sentido e que já existem conversas para que unidades em Juruena e Nova Monta Verde também possam retomar as atividades.

Além da competição entre as empresas, o governador afirma que a comunidade é também bastante beneficiada por esse tipo de ação. “O emprego é o melhor programa social para um pai de família. Além disso, queremos gerar comida e mostrar que a carne mato-grossense é a melhor do mundo”, exclama.