Grupo de MT obtém crédito para recuperar mais de 3 mil hectares
Novapec acessa recursos do Eco Invest 2 para recuperar pastagens e ampliar a produção sem abrir novas áreas
A empresa Novapec, que atua na área de agropecuária, obteve financiamento pelo programa federal Eco Invest 2 para recuperar mais de 3 mil hectares de pastagens em Mato Grosso e ampliar a produção de gado. Segundo a empresa, é o primeiro projeto do país aprovado nessa linha com foco na manutenção da atividade pecuária, sem converter as áreas recuperadas em lavouras ou florestas plantadas.
Divulgação/Assessoria
Diretor da Novapec, Arlindo Vilela cita apoio do Imac
Nesta primeira etapa, o projeto prevê a adoção da Terminação Intensiva a Pasto (TIP) e da Recria Intensiva a Pasto (RIP), técnicas que permitem aumentar a produção nas áreas já utilizadas pela propriedade.
A operação levou cerca de um ano para ser estruturada e aprovada. Conforme o diretor da Novapec, Arlindo Vilela, as condições do crédito são atrativas, mas o acesso exige gestão, organização e cumprimento de critérios ambientais.
“É uma linha com foco na sustentabilidade, com recursos e taxas atrativos, por isto mesmo com alto nível de exigência para captar, necessitando de um elevado nível de gestão, organização e compliance”, afirma.
Para obter a aprovação, a empresa contou com o apoio técnico do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac) no esclarecimento de questões ambientais. Um dos entraves envolvia uma Área de Proteção Ambiental (APA) em uma das fazendas e precisou ser resolvido durante a análise do projeto.
Segundo Vilela, a equipe ambiental do instituto ajudou a esclarecer divergências na interpretação da situação da propriedade por consultorias de fora do estado.
Para o diretor de Projetos do Imac, Bruno de Jesus Andrade, o financiamento permite modernizar as propriedades e elevar a produtividade sem ampliar a área ocupada pela pecuária.
“O financiamento é uma ferramenta importante para que o produtor consiga investir em tecnologia, recuperar áreas degradadas e aumentar a produtividade sem a necessidade de abrir novas áreas. Também é uma forma de reconhecer e beneficiar os pecuaristas que já adotam boas práticas ambientais, demonstrando que a sustentabilidade pode trazer resultados econômicos concretos para a atividade”, afirma.
O Eco Invest Brasil busca atrair investimentos públicos e privados para projetos sustentáveis. Lançada em abril de 2025, a segunda linha do programa tem foco na recuperação produtiva de terras degradadas para uso na agricultura, na pecuária e em sistemas integrados de produção.
O modelo combina recursos públicos e privados para ampliar a oferta de crédito e viabilizar investimentos de longo prazo. No segundo leilão, realizado em 2025, foram contemplados R$ 16,5 bilhões em recursos públicos, com previsão de mobilizar R$ 30,2 bilhões em investimentos e recuperar aproximadamente 1,4 milhão de hectares no país.
Com o financiamento aprovado, Vilela pretende avançar na intensificação da produção. Para ele, a operação representa um retorno financeiro às práticas sustentáveis adotadas pela empresa.
“O caminho que temos defendido é que a intensificação é uma das maiores ferramentas da sustentabilidade e essa é a primeira vez que temos um retorno realmente efetivo por defendermos estas técnicas sustentáveis”, destaca.