Cuiabá, 05/11/2026

Eder diz que nunca viu crimes na gestão Silval, critica delação e aconselha Taques

Eder Moraes ao lado do ex-governador Blairo Maggi. Ele nega ter recebido R$ 3 mi de Blairo

O ex-secretário de Estado Eder Moraes, que andava sumido dos noticiários, nega ter recebido qualquer vantagem financeira dos ex-governadores Silval Barbosa (PMDB) e Blairo Maggi (PP) para se retratar sobre a denúncia que fez acerca da compra de vaga no Tribunal de Contas do Estado (TCE). Ao #rdnews, afirma que as investigações comprovarão que fala a verdade e classifica o conteúdo da delação do peemedebista como folclore. Além disso, enaltece suas realizações no período em que atuou no Executivo e aproveita para dar dicas administrativas ao governador Pedro Taques (PSDB). Eder Moraes atuou como secretário de Fazenda, Secopa e da Casa Civil. Já foi considerado um dos homens mais influentes de Mato Grosso, mas acabou perdendo prestígio após a deflagração de fases da Operação Ararath, em que é apontado como um dos mentores de esquemas de corrupção. No decorrer das investigações, chegou a ser preso em mais de uma oportunidade. Eder, que já foi condenado pela Justiça Federal e faz uso de tornozeleira eletrônica, nega ter cometido qualquer delito. O ex-secretário está convicto de que provará isso na Justiça e, por isso, descarta fazer delação premiada. Entende, inclusive, que vai reverter condenações. Leia abaixo a íntegra da entrevista que ele concedeu ao #rdnews.

Reprodução/TVCA

 Eder já foi um dos mais influentes de MT, mas já amargou dias no CCC

O senhor estava sumido dos noticiários e de repente voltou a partir da delação do Silval. Como encara essa situação? 

As delações se tornaram instrumento de defesa de alguns acusados e não têm sido usadas com o rigor que a Justiça deveria ter. Falam o que querem, não comprovam nada e suas mentiras acabam se tornando verdade absoluta. Encaro essa situação com naturalidade, mas com indignação. Não cometi ato ilícito, não tive tratativa de coisa ilícita com o ex-governador Silval nem com o ex-governador Blairo. Se investigar, vão comprovar que a história não fecha. Tem um abismo enorme entre o que Silval fala e os fatos que realmente aconteceram. A verdade é que não fui para TCE, não disputei vaga no TCE e vaga era do Legislativo e não do Executivo. Portanto, não há o que se falar em qualquer negociação com meu nome. A verdade será comprovada. O tempo senhor da razão. Vou fazer minha defesa e aguardar o desenrolar do processo. Estou tranquilo. Minhas defesas estão consistentes.

E a saúde como vai? Chegou a circular o boato que o senhor está em depressão?

“As delações se tornaram instrumento de defesa de alguns acusados e não têm sido usadas com o rigor que a Justiça deveria ter”

Estou bem, mas a idade vai chegando. Estou com 50 anos. Com o chegar da idade é inerente que alguma hereditariedade apareça. Como todo ser humano, estou sujeito a ação do tempo. Mas está tudo bem, graças a Deus.

O senhor já esteve no núcleo do poder em Mato Grosso. Depois, perdeu a influência e chegou até ser preso. Como encara essa situação?

O poder é efêmero, passageiro. Quem tem consciência não sofre o impacto de ruptura ou descontinuidade e não sofre. Sou preparado psicologicamente. Sempre trabalhei e construí minha vida na iniciativa privada. Entrei no governo para colaborar e colaborei. Criei o MT Fomento. Negociei dívidas e Mato Grosso, foi o primeiro Estado a conseguir isso. Na secretaria Estadual de Fazenda ajudei Mato Grosso a recuperar a capacidade de investimentos e receber investimentos internacionais. Quando assumi a Secopa, só tinha o alicerce da Arena Pantanal. Em 11 meses, coloquei em ordem os projetos básicos e executivos de diversas obras. O mais difícil para o Estado é elaborar projetos. Com bons projetos se consegue recursos. Deixei inúmeros projetos para o Vale do Rio Cuiabá e interior.

O senhor admite ter praticado corrupção?

De maneira nenhuma. Todos meus atos na vida pública foram pautados por pareceres técnicos, jurídicos, auditorias internas e externas. Enfim, não há ato ilícito ou irregular. Todos obedecem à legislação. Isso me dá tranquilidade.

Se arrepende de alguma coisa?

Eder Moraes contrapõe ainda a delação feita pelo ex-patrão Silval

Se considero todos meus atos regulares, aprovados em tomados de contas especiais do TCE e nos relatórios anuais, não há que se falar em arrependimento. Acusações existem e estão na Justiça. Estou fazendo a minha defesa. Confio na Justiça e instâncias de decisão. O jeito é aguardar os processos serem julgados.

Silval roubou ou deixou roubar?

Sai do governo em meados 2012. Até a data, não se ouvia falar nisso. Não posso falar sobre fatos ocorridos após minha saída.

Procede a denúncia que Blairo teria pago R$ 3 milhões para você se retratar da denúncia sobre a vaga no TCE?

Não falo com Blairo há mais de 5 anos. Não posso dar credibilidade a folclore. Fatos que não existiram não se nega nem afirma.

Além de se defender, o que o senhor anda fazendo da vida?

Sobre minha vida privada não entro em detalhes. Vou sobrevivendo. Nasci em 1967. Sempre trabalhei e construí minha vida bem antes de entrar no governo.

O senhor já pensou em fazer delação premiada?

Isso não tem nenhuma procedência. Se tenho certeza que meus atos estão amparado legalmente não há que se falar em delação. Tenho tranquilidade de falar verdade e cabe ao Judiciária avaliar.

“O poder é efêmero, passageiro”

Gostaria de falar mais alguma coisa?

Sim. Vou deixar uma sugestão ao governador Pedro Taques. Para reorganizar Mato Grosso, no ponto de vista das necessidades essências como infraestrutrua e saúde, é preciso transformar o Fethab em fundo de investimento com personalidade jurídica própria mesclando o privado e o estatal para que se tenha capacidade de endividamento sem que seja necessário comprometer o endividamento atual do Estado. Essa é a saída. Com isso é possível buscar no mercado financeiro, com taxa de juros, recursos em R$ 10 bilhões e R$ 25 bilhões . Falo independente das divergências políticas como gestor e cidadão preocupado com o futuro do Estado.