Com a evolução do mercado de trabalho e as novas exigências da agroindústria em Mato Grosso, as unidades educacionais precisam, cada vez mais, se adaptar ao que o mundo atual tem demandado. Para a pró-reitora da UniSenai, Ana Cristina Caldart, o estudo, o autoconhecimento e a sede por aprender estão interligados neste cenário. Em entrevista ao
, Caldart fala sobre as atuais demandas recebidas pelo Centro Universitário do Senai e disserta sobre inteligência artificial no mercado e a qualificação dos profissionais.
Confira, abaixo, os principais trechos da entrevista:
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Quais são as principais demandas do UniSenai hoje?
Hoje em dia, o UniSenai tem se posicionado como uma faculdade, um centro universitário na área de tecnologia. Em primeiro lugar, a gente tem que entender que o Senai é o Serviço Nacional da Indústria, então as nossas capacitações, formações, graduações, precisam atender às demandas da indústria. O que a indústria de Mato Grosso está precisando? Está precisando de engenheiro de software, de produção, de automação e controle. Está precisando de analistas de ciências de dados, de gestores de RH, de toda a equipe de logística. Quando a gente pensa em UniSenai, você não vai ver a oferta de um curso de direito, ou na área de saúde, porque a nossa vocação é atender à agroindústria. Hoje nós temos 16 cursos. Gestão do RH, gestão comercial, gestão do agronegócio, engenharia de software, de produção, automação industrial [entre outros]. Para o ano que vem, a gente lança dois cursos novos: mecatrônica industrial e ciências de dados e inteligência artificial.
Falando em inteligência artificial, como tem sido essa adaptação da educação a ela?
Eu falo sempre que a inteligência artificial é uma ferramenta, assim como várias outras que nós temos. Mas ela de nada serve se você não souber operar e você não souber trabalhar com ela, não ter discernimento de entender que nem tudo que ela traz é verdadeiro. Eu acho que, principalmente quando a gente fala de inteligência artificial, você tem que ter conhecimento técnico. Tem que ter responsabilidade naquilo que você traz e tem que ter discernimento para entender se isso é ok ou não. Não adianta nada falar "eu vou lá e faço uma pergunta para o chat". Isso não existe. Até porque toda a parte de prompts, de construção de conhecimento, vem a partir do momento em que a pessoa que está operando a inteligência artificial sabe o que está fazendo. E, para ela saber o que está fazendo, ela tem que passar por uma formação. Não existe mais a gente falar: "Eu sou professora, não preciso de inteligência artificial, preciso saber dar aula". Você acha que consegue, hoje, segurar a juventude uma, duas, três horas numa sala de aula, falando e escrevendo no quadro? Não existe mais isso. A gente não pode ignorar que a inteligência artificial está presente em todas as profissões.
Eu falo muito isso: não ignorem o que o mundo está mostrando. Seja curioso. A gente tem que ter sede de conhecimento. Porque você só passa a ser um cidadão mais crítico quando você consegue fazer essa leitura de cenários
O profissional de hoje está preparado para tudo isso?
Eu acho que o profissional de hoje precisa estar sempre antenado no que o mundo está mostrando. Em 2020, mais ou menos, quando estourou a pandemia, qual foi o maior problema de todos os setores? Ninguém estava pronto para o mundo online, para trabalhar de casa. Não tinha equipamento. Lá em 2018, quando começaram os cursos EAD, eu fui fazer uma pós-graduação de metodologias educacionais no ensino à distância. Quando veio a pandemia, eu era a única da equipe que já tinha essa formação. Eu falo muito isso: não ignorem o que o mundo está mostrando. Seja curioso. A gente tem que ter sede de conhecimento. Porque você só passa a ser um cidadão mais crítico quando você consegue fazer essa leitura de cenários.
E, para além disso, o que é necessário para qualificação?
Você tem que saber o que você quer. Você é bom em quê? "Ah, eu sou muito boa na tecnologia, mas eu não gosto de falar com as pessoas". Então, talvez procure uma profissão em que você não precise fazer networking. Não force uma situação. Essa é a minha fala e a minha dica para todo mundo hoje: o autoconhecimento é a chave. Se você se conhece, sabe o que quer, quais são as suas possibilidades, quais são as suas travas, seus traumas, aí você trabalha em cima disso para extrair o que há de melhor em você. E a segunda chave é a autorresponsabilidade. Autoconhecimento e autorresponsabilidade são as duas people skills, as habilidades das pessoas, o que elas precisam ter para que consigam extrair o melhor de si mesmas.
O empresariado, principalmente na agroindústria, fala muito sobre a dificuldade de mão de obra qualificada. Como você vê isso? Quais são as formas de resolver?
Eu acho que existe uma cultura de "não tenho mão de obra". Isso é um discurso cultural. Mas também existem, de acordo com o Observatório da Indústria, 15 mil vagas abertas esperando o profissional pronto e formado. Talvez o empresariado possa fazer parte dessa formação. Em fevereiro de 2026, eu fui para a Alemanha participar de uma comitiva para estudar. Aprender como é o ensino dual de lá. Porque talvez essa fosse a virada de chave para o empresariado brasileiro. Ele [empresário] pega um talento, investe nele, paga o salário e a formação que ele precisa. Pega esse jovem talentoso e forma ele para ser uma grande liderança. À tarde, ele vai para a indústria, desde o primeiro dia, e já começa a trabalhar lá. À noite, ele vai para a instituição de ensino estudar. O ensino dual talvez seja uma possibilidade do empresariado formar esse profissional de acordo com a necessidade que ele tem.










Melissa Ayala 13/09/2026
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