Fantasia, fé e resistência: a história de Ana Luz, a Mulher-Maravilha do Pantanal
Atleta e personal trainer de Chapada dos Guimarães usa a fantasia para incentivar a atividade física e inspirar mulheres nas corridas de rua de Mato Grosso
Arte: Rodinei Crescêncio/Rdnews
Vestida de Mulher-Maravilha e carregando o orgulho pantaneiro, a atleta e personal trainer Ana Luz transformou as corridas de rua de Mato Grosso em palco de inspiração, alegria e representatividade feminina. Ícone das corridas de ruas do Estado, a atleta mato-grossense alia esporte, fantasia e propósito para incentivar a prática da atividade física, defender o cuidado com a natureza e mostrar que força, disciplina e fé podem levar qualquer mulher a cruzar linhas de chegada, dentro e fora das pistas. Em entrevista especial ao #rdnews, Ana Luz falou sobre a sua trajetória e como tudo começou para se tornar a Mulher Maravilha Pantaneira.
Confira, abaixo, os principais trechos da entrevista
***
Ana, como nasceu a Mulher-Maravilha Pantaneira? Conta pra gente quando a corrida entrou na sua vida e como essa identidade tão marcante surgiu nas provas.
A Mulher-Maravilha Pantaneira nasceu como uma forma de representar as mulheres: mães, donas de casa, mulheres que no dia a dia estão sempre buscando melhorar, evoluir e dar conta de tudo. Hoje a mulher trabalha fora, cuida da casa, dos filhos, e mesmo assim segue firme.
Eu adaptei a Mulher-Maravilha para a versão pantaneira porque amo os animais e me preocupo com a proteção deles. Por isso uso os acessórios, os macaquinhos, tudo isso faz parte da personagem. Comecei a correr fantasiada em 2022, e ali percebi que essa identidade tinha um propósito muito maior.
Rodinei Crescêncio
Correr fantasiada virou sua marca registrada. O que essa personagem representa pra você e qual é a reação do público quando te vê cruzando as ruas vestida de Mulher-Maravilha?
“A Mulher-Maravilha representa a força da mulher guerreira, alegre e descontraída”
Ana LuzA Mulher-Maravilha representa a força da mulher guerreira, alegre, descontraída, que luta, mas também se diverte. É uma forma de levar alegria para as corridas. A reação do público é maravilhosa. As pessoas acham engraçado, interessante, as crianças amam. Meu intuito sempre foi esse: alegrar, principalmente as crianças, e transformar a corrida em algo leve e divertido.
Você vem do coração do Pantanal. De que forma suas origens influenciam sua mentalidade, sua disciplina e sua força como atleta?
Minhas origens influenciam totalmente. Minha família sempre foi muito guerreira, a família Teutônio, de origem portuguesa, sempre correndo atrás dos objetivos e nunca desistindo. Eu vejo a Mulher-Maravilha Pantaneira também como uma forma de representar minha família, essa força que vem de casa e me acompanha em tudo que faço.
Rodinei Crescêncio
Ao longo da sua trajetória nas corridas de rua, qual foi a prova mais desafiadora ou emocionante que você já disputou até hoje?
A prova mais desafiadora foi a Rotan Extreme. Eu estou acostumada a correr no asfalto, e essa prova tem obstáculos, desafios físicos bem diferentes. Foi muito difícil pra mim, mas consegui concluir, sempre fantasiada.
Além de atleta, você é personal trainer on-line e acumula várias especializações. Como esse conhecimento técnico impacta diretamente na sua performance como corredora?
Impacta totalmente. A musculação e o treino aeróbico ajudam muito no condicionamento físico. Eu corro praticamente o ano inteiro, quase todo final de semana, então preciso estar bem preparada. Participo de provas todos os domingos e, quando não tem aqui, vou correr fora. Esse conhecimento técnico me permite manter constância, força e resistência sem me machucar.
Você atua com nutrição esportiva, fisiologia do exercício, obesidade e emagrecimento. Como consegue conciliar tantos estudos com treinos e competições?
Primeiramente, Deus. Sempre coloco Deus na frente de tudo. Ele me dá força, disposição e direcionamento para conseguir conciliar tudo isso, além de cuidar dos meus filhos. É muita coisa, mas com fé, disciplina e organização, tudo se encaixa.
Agora cursando Fisioterapia, quais aprendizados dessa nova fase você já consegue aplicar na sua rotina de treinos e recuperação?
O curso começou há pouco tempo, mas já vejo como uma forma de ampliar meu trabalho como personal trainer, principalmente na parte de reabilitação. Hoje consigo aplicar esse conhecimento tanto nos meus treinos quanto no cuidado com meus alunos, ajudando na recuperação, prevenção de lesões e fortalecimento.
A Corrida de Reis é considerada a maior prova de rua de Mato Grosso. O que essa corrida representa para você, tanto como atleta quanto como símbolo do esporte no estado?
“Na Corrida de Reis também existe a categoria fantasiada, e eu, meu marido e meu filho já ganhamos como Reis do Egito”
Ana LuzA Corrida de Reis representa incentivo à atividade física. Foi a minha segunda prova oficial. A primeira foi a Corrida do BOPE, que foi o pontapé inicial da minha trajetória. Na Corrida de Reis também existe a categoria fantasiada, e eu, meu marido e meu filho já ganhamos como Reis do Egito. É uma prova que une esporte, diversão e família.
Como está sendo a preparação específica para a Corrida de Reis de janeiro? O que muda no treino físico, mental e nutricional para encarar essa prova tão tradicional?
A preparação é o ano inteiro. Eu sempre falo para meus alunos: treino é diário, como escovar os dentes. Faço musculação e aeróbico todos os dias para fortalecer e evitar lesões. Mentalmente, quando você se inscreve, já cria um objetivo: concluir bem os 10 km. Nutricionalmente, mantenho uma alimentação equilibrada para aguentar o ritmo, ainda mais correndo fantasiada.
Em 2026, a Corrida de Reis terá um novo local. O que você achou dessa mudança?
No início, a mudança impacta, porque estamos acostumados a correr entre Várzea Grande e Cuiabá, com os moradores incentivando, tomando café, vibrando com os atletas. Correr em um novo ambiente será uma experiência diferente. Não achei tão interessante, mas entendo que foi uma adaptação por causa das obras. Acredito que essa mudança seja temporária e que a prova volte ao percurso tradicional.
Qual a principal diferença entre correr dentro da cidade e correr em um parque, sem público ao redor?
É muito diferente. Estamos acostumados com o povo gritando, incentivando, dizendo “vai, você consegue!”. Isso motiva muito. Espero que o público acorde cedo e vá prestigiar, porque o incentivo faz toda a diferença para concluir os 10 km.
Você já participou de provas fora do estado? Existe alguma corrida fora do estado que você sonha em disputar?
Sim, participei de provas em Ouro Preto, Jaru e Ji-Paraná. Foi uma experiência maravilhosa correr fora de Mato Grosso. Eu quero correr a Corrida da Mulher-Maravilha, no Rio de Janeiro e em São Paulo. Estou me programando e penso até em fazer uma rifa para conseguir participar.
Quais são as principais corridas de Mato Grosso que você mais gosta de disputar? E Quais foram suas principais conquistas nas corridas?
Gosto de todas, mas a que foi o pontapé inicial foi a Corrida do BOPE. Uma amiga personal trainer me incentivou, porque até então meu foco era apenas musculação. Desde então, não parei mais de correr. Mesmo fantasiada, já conquistei troféu por faixa etária. No início, meu objetivo era ganhar troféu. Hoje, meu maior objetivo é concluir bem a prova, chegar forte e já estar pronta para correr novamente no próximo domingo.