Há 23 anos como Papai Noel, Antônio diz que amor pelas crianças é fundamental
Vivendo seu quinto ano consecutivo no Natal cuiabano, intérprete relembra trajetória iniciada em SP e compartilha serviço social realizado na Capital
Foto: Rodinei Crescêncio/Rdnews - Arte: Annie Souza
Primeiro a roupa de baixo, depois a calça e só aí vem o grande casaco vermelho tradicional, as botas pretas e os pequenos óculos brancos: a preparação para se tornar o Papai Noel é feita passo a passo com muito carinho por Antônio Noronha, que já trabalha como intérprete há 23 anos. Paulistano, o artista relata que parte primordial de seu trabalho é o amor e carinho que cultiva pelas crianças, público ao qual dedica sua vida por muito mais tempo que apenas no Natal. Decidido a atender cada mente infantil que sonha durante meses com o lúdico das luzes brilhantes que enfeitam os shoppings em dezembro, Antônio conta as histórias que marcaram sua trajetória e compartilha parte do serviço social que realiza em Cuiabá, onde já é Papai Noel há cinco anos.
Confira, abaixo, os principais trechos da entrevista
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Como é sair do intérprete e se tornar o personagem?
Primeiro eu preciso me arrumar, me organizar para estar impecável e conseguir atender todas as crianças. Daí é recebê-los com amor, carinho. Algumas crianças já chegam e se jogam em cima de mim, e você já vê de longe os olhos delas brilhando, muitas vezes lacrimejando de alegria em ver o Papai Noel. Isso é o que emociona, a quantidade de carinho que recebemos e tentamos retribuir da mesma forma.
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Como foi, para o senhor, começar a ser o Papai Noel?
No começo, há vinte e três anos, eu não tinha essa barba branca, era postiça ainda [risada]. Eu comecei a trabalhar em agências, daí trabalhei em vários shoppings. Só em São Paulo eu tenho quase vinte anos de shopping. E agora estou inteirando cinco anos aqui no [Shopping] Goiabeiras. Eu não sei, ao certo, o dia de amanhã, talvez eu chegue a seis, sete, oito. Só o homem lá de cima que sabe.
“A peça fundamental é ter amor pelas crianças”
Trabalhar com crianças é uma escolha muito sensível. Como é para você esse convívio com o público infantil?
É de muito carinho, de muito amor pelas crianças. Se você não tem isso, que é a peça fundamental para ser o Papai Noel, pode desistir.
Qual história mais te marcou nesses anos de Papai Noel?
Ah, eu tenho várias! Vou contar uma especial. Eu trabalhei no Shopping Eldorado seis anos. No último ano que eu estive lá, veio uma criança com a avó e falou que não queria presente, não queria nada, queria só que eu convencesse o pai dela a passar o Natal com ela, porque o pai e a mãe eram separados. Aquilo me comoveu. Eu falei para ela que nós íamos conversar com os pais a respeito. Não falei que sim, nem que não — porque você não pode prometer para as crianças, ainda mais se envolve a vida particular de outras pessoas. Eu não dei telefone, nada, mas, posteriormente, o pai me ligou e agradeceu, porque a criança conversou com ele. Ele foi, levou o presente e passou o Natal com a criança. Essa é a magia do Natal.
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A mente da criança trabalha muito, né?
A mente da criança é incrível. Ela observa tudo, fala tudo, está ciente de tudo que acontece. Mesmo tendo só 3, 4 anos, ela tem uma mente vasta. Já tiveram crianças que chegaram e pediram uma cesta básica, uma vaga na escola, um emprego para o pai, para a mãe. Eles são muito ligados!
Sobre os seus trabalhos sociais aqui em Cuiabá, como é para você ver aquelas crianças muitas vezes em uma situação de vulnerabilidade?
Já fazem quatro anos que eu realizo um projeto social, beneficente, no Hospital do Câncer aqui em Cuiabá. É muito comovente, eu saio chorando de lá, vendo a situação. Existe uma ala, por exemplo, de pacientes terminais que não podem receber visita e a única que recebem é a minha. A gente leva uma palavra de carinho, de esperança de que dias melhores virão. Jamais ultrapassando os limites recomendados pela assistente social, mas conversando, sabendo que vamos lidar com histórias emocionantes lá. É difícil, mas é muito bom levar uma palavra de amor.
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