Cuiabá, 02/11/2026

Vice do Dom Bosco cita erros e projeta centenário na Série B do Mato-grossense

 Em 2024, nada deu certo ao Azulão da Colina, que jogará a Série B no aniversário do seu centenário

Arte/Rdnews

Time mais antigo de Mato Grosso, o Clube Esportivo Dom Bosco vai passar os 100 anos de história disputando a segunda divisão do Campeonato Mato-grossense em 2025. O rebaixamento na atual temporada não era um dos planos dos torcedores dom-bosquinos, mas assim aconteceu.

Fundado em 4 de janeiro de 1925, o Dom Bosco foi um dos protagonistas do futebol mato-grossense nas décadas de 30, 40 e 50, com grandes conquistas no cenário estadual. Ao todo, são seis títulos do Campeonato Mato-grossense, o último conquistado em 1991. Em 2024, nada deu certo ao Azulão da Colina, que jogará a Série B no aniversário do seu centenário. Neste ano, restou apenas as competições de base ao Leão.

Em entrevista especial ao #rdnews, o vice-presidente do clube, Paulo Emílio Magalhães, falou sobre o desempenho da equipe na temporada e citou erros cruciais que motivaram o rebaixamento. O dirigente destacou ainda a era vitoriosa do Azulão da Colina, falou sobre passar o centenário na segunda divisão e fez projeções para a time no ano de 2025.

Confira, abaixo, os principais trechos da entrevista

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Clube mais antigo de Mato Grosso com 99 anos de história! Qual avaliação da trajetória do Leão da Colina?

Trajetória de bastante glória, orgulho, sobrevivência, vários clubes ao decorrer do ano acabaram e o Dom Bosco está aí firme e forte. Imprevistos, existem, um exemplo não estava em nosso planejamento cair para a segunda divisão, mas acontece. Corinthians e Palmeiras já caíram, porque o Dom Bosco não pode cair ? Caiu, tranquilo, agora é levantar a cabeça, fazer uma análise de onde e porque erramos, para não voltarmos a cometer esses equívocos. Agora é pensar positivo, temos que resolver esse problema, com planejamento, mais seriedade, para que não ocorra mais essas quedas.

Rodinei Crescêncio

Qual a origem do mascote Leão da Colina?

O motivo é porque é o time mais antigo do Mato Grosso, assim como os clubes mais antigos de outros estados também têm o Leão como mascote. Leão é o rei dos animais. Por isso o Dom Bosco tem o mascote chamado Leão da Colina. A sede do Dom Bosco fica localizada no centro de Cuiabá, uma região que era conhecida por ser uma colina. O Bosco Bosco nasceu no colégio Salesiano São Gonçalo e logo foi para a colina.

Qual o papel significativo do Dom Bosco no cenário do futebol mato-grossense?

É um dos times mais antigos do Centro-Oeste, tem um papel importante no passado, quando recebeu até presidente, dando posse a governadores, foi um clube recheado de muitas glórias no futebol, a projeção a nível nacional, tanto no aspecto social e esportivo, trouxe grande relevância para a capital Cuiabá.

Qual time o Dom Bosco considera como principal rival em Mato Grosso? E porquê?

Nosso principal rival era o Mixto, quando o confronto é conhecido por Clássico Vovô, por ser um dos clubes mais antigos do estado. Com o tempo isso foi acabando, diminuindo a rivalidade, isso por conta da chegada do Cuiabá no cenário estadual. Realmente agora considero o Dourado como o principal rival do Dom Bosco.

O Dom Bosco ainda é um time muito respeitado em Mato Grosso, com torcedores fiéis que mesmo em fase ruim estão no estádio apoiando o clube. O que falar dessa relação com o torcedor?

Na realidade é uma torcida fanática e familiar. O Dom Bosco é muito família, quando vai no estádio, tem a charanguinha, que acaba atraindo as famílias cuiabanas. Isso é muito legal! Temos uma torcida tranquila, não é agressiva, vai ao estádio para curtir e torcer para o clube.

Futebol se faz com dinheiro. Últimamente nossos recursos estão escassos, são os torcedores que ajudam monetariamente com algumas emendas, e isso faz com que o clube se movimente. Lembrando que o Dom Bosco não é só o profissional, temos categorias de base. No ano passado, por exemplo, disputamos todas as categorias. Nesse montante, dá mais de 100 pessoas envolvidas, entre atletas e comissão técnica. Tudo isso gera um custo, precisa de planejamento tanto para pagamentos de salários e quitação dos gastos, por exemplo.

Qual avaliação do desempenho do Dom Bosco na atual temporada? O que não deu certo?

Notamos que os jogadores que veem fora sentem o clima quente do nosso estado. As pessoas pensam que o futebol daqui é inferior ao do nordeste, mas não é. Com a entrada do Cuiabá na Série A, todas as equipes daqui de Mato Grosso procuraram se qualificar. Houve um avanço extraordinário individualmente falando dos jogadores. Dentro dessa visão, pensamos que, trazendo atletas de fora, iria oxigenar os daqui, mas infelizmente não deu certo, não deu liga, tanto é que nosso técnico comandou cinco jogos e logo foi mandado embora. Não se adaptou com o clima, o jeito de jogar aqui. Precisa de um tempo maior para se preparar e se acostumar com o clima.

Rodinei Crescêncio

“Ficamos chateados e tristes por esse momento”

Paulo Emílio

Clube vitorioso e repleto de história, o Dom Bosco vai passar o seu centenário jogando a Série B do Mato-grossense. Qual o sentimento disso?

Nós que estamos à frente do clube ficamos chateados e tristes por esse momento. Mas a derrota é treino para vitória. Não queríamos isso, mas aconteceu. Agora é levantar a cabeça, olhando sempre para frente, vamos voltar à primeira divisão e vida que segue.

Qual é a estrutura que o Dom Bosco oferece hoje aos jogadores? Quais investimentos o clube pretende fazer para ajudar no crescimento da equipe?

O que a gente nota é que sem planejamento não vai para frente. Nós estamos planejando com os pés no chão, com os recursos que temos no momento. Gastamos o que arrecadamos, e é isso. Nós mantemos uma coluna dorsal, que são os técnicos das equipes de base, professor, de educação física, temos também um van própria para o transporte dos jogadores.

Agora em março inicia os campeonatos da base. O nosso centro de treinamento é cedido pelo governo do estado, mas a manutenção do campo fica por nossa responsabilidade. Toda nossa estrutura de treino é terceirizada, como por exemplo a academia.

Olímpio Vasconcelos / Mixto

Sede própria, qual o futuro dela?

Vamos ter eleição no clube este ano, o Dom Bosco ainda é um time com sede própria em Cuiabá. Estamos fazendo uma avaliação sobre o que fazer dessa sede. Qual será o futuro dela? É interessante manter o imóvel? Na minha validação, não. Aquilo ali pode ser incorporado para a cidade, por exemplo. O Dom Bosco precisa de Centro de Treinamento, lugar adequado para treinar que seja nosso. Estamos no caminho certo, e isso vamos avaliar através deste ano. É uma sede que vale um bom recurso. Vender por vender não dá certo. Temos que vender e ver frutos positivos para o clube. A sede tem gastos mensalmente com manutenção, então precisamos rever o futuro dela.

Falando no futuro, quais são as projeções do Dom Bosco para 2024 e o que o torcedor pode esperar em 2025?

Vamos pegar firme nas categorias de base e tentar montar um esqueleto para segurar jogadores para o ano que vem para a segunda divisão. Com planejamento, um pouco mais de recursos, vamos passar tranquilo pela Série B e subir novamente para a elite do estadual. A torcida pode ficar tranquila porque vamos dar a volta por  cima.