Líderes do setor veem reabertura da China à carne como reconstrução da imagem e retomada da confiança
Gilberto Leite/Rdnews
Presidente do Imac Wagner Bacchi no sofá da sede do Rdnews antes do RDTV
Na manhã deste sábado, o Ministério da Agricultura divulgou uma nota anunciando que a China decidiu reabrir totalmente o mercado para a carne exportada pelo Brasil. A medida impacta diretamente em Mato Grosso, pois o país em questão é um dos principais compradores da carne mato-grossense. “Isso mostra comprometimento de todas as entidades em mostrar que foi pontual e que esse 0,5% não representa os outros 99,5%. Essa é a mensagem que a gente quer passar”, disse o presidente do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Wagner Bacchi, em entrevista ao #rdnews.
Para Bacchi, o anúncio da China ajuda a iniciar um fortalecimento dessa reconstrução da imagem. “É um dos primeiros passos para mostrar que o que fazemos aqui é serio e que podem confiar.” Nesta linha, ressaltou que que o problema não foi na qualidade da carne, mas um “deslize no sistema de inspeção”.
O presidente do Imac elogiou, ainda, a forma com que o ministro da Agricultura Blairo Maggi (PP) se apressou para buscar uma solução. “Rapidamente o ministro fez questão de pegar esse assunto para si e resolver. Isso não vai abalar nosso negócio, nosso nome foi riscado, mas estamos corrigindo para que nossa imagem não seja afetada”, declarou.
O diretor-executivo da Acrimat, Luciano Vaccari, por sua vez, vê o anúncio como muito positivo, tendo em vista que a China é um dos maiores clientes do Estado. “Mostra que a confiança do mercado está sendo retomada. É demonstração de confiança para o mundo inteiro”, disse ao #rdnews.
Para Vaccari, a notícia revela que o trabalho do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento vem sendo feito “adequadamente, de maneira transparente”. O dirigente analisa que os acontecimentos ainda são muito recentes, mas crê na retomada da credibilidade do Brasil diante dos demais países.
Conforme a nota, assinada pelo ministro Blairo Maggi (PP), a China anunciou a reabertura total do mercado de carnes brasileiras. “Trata-se de atestado categórico da solidez e qualidade do sistema sanitário brasileiro e uma vitória de nossa capacidade exportadora.” Maggi cita que nos últimos dias o ministério, o Itamaraty e a rede de embaixadas do Brasil no exterior trabalharam incansavelmente “para o êxito que se anuncia hoje”.
EUA
No início da noite dessa sexta (24), o Ministério anunciou também que os Estados Unidos comunicaram oficialmente que não vão embargar as carnes brasileiras e seus derivados, embora tenham aumentado a inspeção, que fazem de rotina, sobre produtos cárneos que importam do país. “O embaixador americano, Michael McKinley, me ligou dizendo que essa é a posição de Sonny Perdue, indicado para ocupar o posto de secretário da Agricultura dos Estados Unidos”, disse Maggi.
Hong Kong
Com relação aos contatos que tem mantido com autoridades de outros países para reduzir o impacto da Operação Carne Fraca sobre as exportações brasileiras, o ministro informou que as tratativas com Hong Kong, maior importador de carnes do Brasil, estão avançadas. “Estamos conversando bem e já mandamos toda a documentação que foi solicitada por eles.” Corrigiu ainda a informação, sobre a notícia de retirada de produtos das prateleiras do país: "Não é uma ação do governo, mas dos comerciantes, como medida de precaução." (Com Assessoria)
Às 15h34 - Egito e Chile normalizam importação de carne do Brasil
O ministro Blairo Maggi anunciou há pouco que Egito e Chile decidiram normalizar as importações de carne do Brasil. "Essa é mais uma demonstração da confiança da comunidade internacional no nosso sistema de controle sanitário, que é robusto e reconhecido mundialmente. Os dois países são importantes parceiros comerciais. Prestamos esclarecimentos sobre a operação Carne Fraca e garantimos a segurança dos alimentos produzidos no Brasil", disse Blairo pelo Facebook.