Prefeita alerta que UPA não vai conseguir atender as urgências do Hospital Regional
Prefeita de Sinop Rosana Matinelli e comitiva de parlamentares irão ao governo estadual pleitear recursos
Ademir Júnior
Rosana Martinelli, prefeita de Sinop, vem a Cuiabá cobrar governador
A prefeita de Sinop Rosana Martinelli (PR) alerta que o município não dará conta de atender às demandas extras da área de saúde na Unidade de Pronto Atendimento (UPA), que serão geradas após a paralisação das internações do Hospital Regional.
Sem recursos para medicamentos e manutenção da unidade, o Regional passou a receber apenas pacientes com risco de vida como baleados, esfaqueados ou fraturas expostas. “Nossa Upa não tem estrutura necessária para que a gente possa dar o atendimento aos casos graves”, aponta Rosana.
A prefeita diz que medidas paliativas adotadas pela secretaria de Saúde preveem a remoção de pacientes para outros municípios, disponibilização de equipe para trabalho, compra de medicamentos, pagamento de exames particulares, entre outros. Mas a gestora destaca que o problema precisa ser resolvido pelo Governo do Estado.
Nessa quarta (27), a Fundação Comunitária de Saúde de Sinop, que administra o Hospital Regional no município, anunciou que os atendimentos foram suspensos devido à falta repasses do Governo do Estado para a compra de medicamentos e também para a manutenção da unidade. Conforme a Fundação, a dívida dos meses de julho, agosto e setembro já totaliza R$ 10 milhões, além de outros R$ 17 milhões de fevereiro de 2016 a julho deste ano, que deixaram de ser repassados.
Rosana deve ir à Cuiabá nesta sexta (29), junto com os vereadores de Sinop, prefeitos da região, deputados estaduais e federais e Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM), para uma reunião com o governador Pedro Taques (PSDB). “Para que façamos um movimento que o sensibilize”, pontua.
Uma das possibilidades é o município assumir a administração do hospital na cidade, pois conforme a prefeita, esta é a segunda paralisação somente neste ano por falta de repasses. “Colocamos a prefeitura à disposição”.
Condições
Sobre a verba que é destinada à Upa e se será o suficiente para garantir os atendimentos, a prefeita assegura que a responsabilidade é do Estado, que há uma falha na gestão, mas que irá pleitear a transferência direta dos recursos oriundos do governo federal para o município, sem a intervenção estadual. “Para fazermos os pagamentos diretamente”, conclui.
Em ofício encaminhado à administração do hospital, o infectologista, Ricardo Franco Pereira, relata que a situação tem acarretado problemas maiores aos pacientes. Apenas 35% da capacidade total da unidade em Sinop está em operação. Ao todo, o Regional possui 153 leitos, mas 55 estão ocupados. A ala da pediatria está fechada e sem nenhum paciente.
Outro lado
A secretaria de Estado e Saúde (SES), por meio de nota, afirma que os pagamentos referentes a 2017 estão feitos até julho, restando pendente apenas agosto. Os valores repassados são para o pagamento de despesas do hospital, incluindo salários.
Em relação aos valores apontados como atraso, que seriam de diferenças nos repasses de fevereiro de 2016 a julho de 2017, a SES informa que está em andamento uma auditoria feita por um Grupo de Trabalho para analisar as prestações de contas contábil e financeira apresentadas pela Fundação.